CRÍTICA | A Maldição da Residência Hill e a obra prima de Mike Flanagan

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Mike Flanagan é um nome que vem crescendo dentro do gênero de terror, ao trazer uma nova vida a Ouija, filme que já estava batido após fracassos anteriores, e roteirizar e dirigir Hush, que tem uma excelente direção o ele vem construindo seu nome  ah algum tempo, em 2017 ao lançar Um jogo perigoso, filme baseado em um conto do Stephen King  produzido pela Netflix, e ainda ser confirmado como diretor de Doutor sono, outro filme baseado na obra de  King que é uma continuação direta de o iluminado , Flanagan ganhou mais destaque. até chegar a sua obra prima em roteiro e direção, A maldição da residência Hill. Lançada também pelo serviço de streaming.

A série conta a história de uma família que viveu situações traumáticas na infância dentro desta casa, e agora adultos após uma tragédia familiar, eles precisam voltar a casa para resolver certas pendencias que ainda atormenta a família Crane.

 

 

Ao ver os trailers chegamos na série esperando um terror comum, uma chuva de jump scare e longos arrepios na espinha. Não é isso que a Netflix entrega e nem de longe isso é um ponto negativo. Os fantasmas, as cenas de susto, tudo fica muito em seguindo plano. mas nem por isso deixa de ser assustador, a ideia de colocar fantasmas sem jump scare, aparecendo atrás das cenas sem foco e sem explicação só aumenta o nível de ansiedade do telespectador que fica assustado no lugar dos personagens, que nem estão percebendo que existem fantasmas no meio deles.

A direção do Mike Flanagan é o maior presente desta série, em um episódio de quase 50 minutos com 4 planos sequencia, sendo o primeiro de mais de 20 minutos é surpreendente a qualidade que a série apresenta sem nem vender isso. O terror maior aqui são os trágicos rumos que os filhos Crane levam para as duas vidas adultas e os flashbacks que nos fazem ter uma empatia enorme com as suas versões crianças só nos deixa com o coração mais apertado para querer que todos saiam bem dessa história e principalmente dessa casa. Esse recurso de alterar as linhas do tempo aumenta a ansiedade do telespectador que precisa urgente saber a verdadeira história por trás desses acontecimentos. Mas fugindo aqui da maioria dos clichês, cada episódio trata um arco específico que geralmente fecha ao final, sem precisar forçar um clifhanger nem tentar manipular o espectador para seguir adiante com a maratona. a própria historia e o roteiro muito bem feito, fazem essa propaganda por si só.

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O maior terror da série fica por conta do peso que cada um carrega, seja por seus erros adultos ou pelas situações bizarras vividas na Mansão Hill. A briga entre os irmãos, a distancia que entrou no meio deles, a depressão, o afastamento familiar, a dificuldade em interagir com outras pessoas e até o abuso de drogas são os verdadeiros fantasmas que cada um carrega. A falta de respostas do patriarca da família, que é o único que realmente sabe o que houve na noite de terror da casa Hill, só aumenta a distancia entre cada filho, que, passando por seus próprios problemas precisam tentar viver suas vidas independente de sua historia, e ainda tentar encontrar uma maneira de se salvarem juntos. A maneira como é descrita a sensação de morte, tão idêntica aos sintomas da depressão, a forma como o abuso de drogas é descrito, como uma maneira de fugir dos próprios problemas para evitar uma resolução. Tudo na série é uma grande metáfora para a vida real, e é esse o maior terror que tem aqui.

A atuação mediana do elenco, disfarçada com diálogos simples e pouco expositivos não vira um problema. Quanto mais nos aproximamos do fim, mas a falta de diálogos vai se tornando algo poético e cheio de sentido. A trilha sonora, por vezes quase imperceptível é também um excelente componente, já que geralmente a trilha recorrente nesse gênero que vai silenciando devagar, preparando o telespectador para o jump scare não existe, e quando o susto vem, ele chega no meio de uma discussão entre irmãos, de um pensamento triste. Os fantasmas estão ali o tempo todo, a gente que não vê.

 

 

Com direção e roteiro excelentes, A maldição da casa Hill é o ápice da direção do Mike Flanagan, que criou uma das melhores obras de terror dos últimos tempos, sem deixar que apenas os sustos façam a série. O maior medo aqui não é da casa, não é dos fantasmas ou do que pode acontecer com os personagens, o maior medo que a série trás é a sensação de solidão, de distancia das pessoas boas que nos cercam.

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Autor do Post:

Yara Lima

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Uma das fundadoras da Tribernna, estudante de comunicação social, nordestina e periférica. Divide o tempo entre ler, dormir e escrever por ai!

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