CRÍTICA | Netflix aposta em uma ficção científica em um cenário pós apocalíptico e falha

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IO é uma obra original da Netflix, uma ficção cientifica que traz o pós apocalipse mais uma vez para o cenário cinematográfico. A trama gira em torno de Sam (Margaret Qualley), uma solitária amante da ciência biológica, e entusiasta para a salvação da Terra. Em primeira mão achamos que ela é a única na Terra, até conhecermos o Micah (Anthony Mackie), um homem que buscava conhecer o pai de Sam, Henry (Danny Huston).

É notável a narrativa da série a respeito dos atos dos seres humanos com a natureza, e as consequências (reais) que podemos sofrer. Neste universo podemos ver a Terra “dando o troco” para a humanidade, depois de anos sendo maltratada, ela agora se tornara tóxica.

A fotografia do filme ao mostrar as ruas, bibliotecas e até restaurantes, cobertos pelo tempo e abandono dos seres vivos, é chocante e real, o que torna belo.

Margaret Qualley, conhecida por seu trabalho em Leftlovers, adicionou perfeitamente a inocência de uma menina criada praticamente em cativeiro com a audácia e a agilidade de uma cientista a procura de uma solução.

Anthony Mackie por outro lado, não contribuiu muito com o desenvolvimento da trama. Não foi impressionante muito menos memorável. Deu a entender que seu personagem só existiu para gerar diálogo com a protagonista, que até a sua chegada era a única personagem do filme.

O diretor francês Jonathan Helpert, tentou trazer para seu segundo trabalho, sua visão única de um fim do mundo, mesmo que já exista inúmeros da mesma temática. Falhou ao trazer uma trama que impactasse, como é de costume dos filmes do mesmo gênero. No longa não há profundidade, nem ao menos algo que prenda seu interesse até o fim do filme.

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Há uma controvérsia no comportamento da personagem principal, quando que é construído durante o filme um comportamento inteligente, uma pesquisadora, alguém que estuda, faz experiências cientificas. No entanto no final é levada pela emoção, sem nenhum antecedente daquele comportamento, a fazendo encarar a morte. O filme tem a pretensão de mostrar que ela faria de tudo pra provar seu ponto de vista, até morrer, porém o que parece é que ela é uma menina emotiva e imatura que estaria disposta a desistir de uma nova vida, pois não queria abandonar a Terra.

Outro ponto negativo é a relação de Sam e Micah quando tentaram desenvolver para algo sexual. Não havia sentido algum para aquele momento do filme, não havia química entre os personagens, nem interesse mútuo em outras cenas em que contracenaram. A relação parece que foi posta ali para tampar algum buraco em uma narrativa preguiçosa.

O filme encerra com Sam descobrindo que a Terra está habitável e agora ela se encontra na companhia de uma criança a beira do mar, seria esse seu filho? O que pode levar a crer que a relação sexual entre Sam e Micah, foi premeditada por Sam, se aquele menino for mesmo seu filho, seria ela tão fria ao ponto de engravidar propositalmente para não ficar sozinha na Terra e provar seu ponto que ela pode ser repovoada?

Infelizmente esse filme não pode nem ser considerado algo bom para passar o tempo. Foi uma aposta falha da Netflix, e uma obra de ficção científica esquecível.

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