CRÍTICA | Shazam consegue captar a essência dos quadrinhos e transmitir com perfeição no cinema

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Dirigido por David F. Sandberg e protagonizado por Zachary Levi, Shazam chegou aos cinemas brasileiros no dia 4 de abril. O mais novo filme do universo cinematográfico da DC veio em um momento conturbado da empresa. Dentre notícias de saída do Ben Affleck do papel do Batman, e incertezas da permanência de Henry Cavill como Superman, além dos rumores da saída do Ezra Miller de Flash, Zachary Levi apareceu para trazer novos ares para os dcnautas.

É notório a importância e relevância de Aquaman e Mulher Maravilha dentro do universo cinematográfico da DC, ambos foram de suma importância para o nivelamento dos filmes da empresa para a massa. No entanto é Shazam que está sendo como um divisor de águas dentre os filmes da DC, abrindo um novo horizonte e marcando um novo começo dentro de uma nova perspectiva dos filmes dentro dessa casa de heróis. É como se Mulher Maravilha abrisse as portas para uma nova visão dentro do que já estava sendo planejado, e futuramente Aquaman se tornaria o vislumbre de um futuro melhor para a DC nos cinemas. Shazam então marcaria o início de uma nova era.

O filme consegue prender atenção dos fãs de quadrinhos e do público geral. Isso graças a direção do filme e da história do personagem em si. Já é clichê o herói ser um órfão, mas neste caso ele é um menino rejeitado e amparado por uma família adotiva (com mais 5 crianças). Além de contar a história de Billy Batson e da origem do herói Shazam, o longa constrói uma história sobre família, laços e a importância deles. O grande pilar desse filme não é o fator heróico em si, e sim a valorização e compreensão do real significado de família.

Zachary Levi caiu como uma luva para viver o personagem. Shazam carrega as características de um menino de 14 anos, ao mesmo tempo em que detém da sabedoria de Salomão. Levi conseguiu transmitir isso em suas ações, trejeitos e comportamentos. Não há um momento sequer em que você tire o seu foco do ator, em todo momento ele consegue brilhar em algum aspecto. Seja nas cenas de ação, trazendo uma seriedade leve, ou seja nas cenas em que a personalidade do Billy entra em contraste com a aparência de Shazam.

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da esq. p/ dir.: Jack, Zachary e Asher

Não podemos falar de Shazam sem parabenizar o elenco infanto-juvenil do filme. Tanto Asher Angel (Billy) quanto Jack Dylan Grazer (Freddy) foram incríveis em seus papéis. Há desenvolvimento dos personagens, e o entrosamento entre os três (Asher, Jack e Levi) foi uma das melhores coisas do filme. O carisma dos atores conquista a audiência em seus primeiros minutos de tela, gerando imediata conexão com o espectador.

Além deles não seria justo deixar de fora os outros membros da “Família Marvel”, os outros 4 irmãos restantes cumpriram seu papel dentro do proposto. Mas foi a Faithe Herman (Darla) que roubava a cena entre os irmãos. A atriz mesmo com pouca idade captou toda a essência do personagem e mostrou ser além de carismática extremamente talentosa com roteiros longos e diálogos rápidos.

Um dos fatores que causava mais preocupação foi a ausência de Adão Negro. Tendo em vista sua origem, presumia que a falta da presença do vilão fosse fazer uma falta significativa. No entanto não foi o que aconteceu, a história do vilão de Shazam é contada no filme – sem mencionar o seu nome – com o método similar ao que foi utilizado no filme da Mulher Maravilha, e o duelo foi adaptado para o vilão Doutor Silvana (Mark Strong), o que encaixou perfeitamente com a história. Por mais que a origem do Dr Silvana tenha se fundindo com a do Adão Negro, e isso pode até causar um pouco de confusão para os que não acompanham a história, é compreensível a linha de raciocínio para a montagem do filme.

A história do filme consegue ser coesa e mantém um ritmo contínuo e divertido. Não se engane, o filme consegue ser leve, descontraído e bem family friendly, no entanto consegue trazer com excelência, e com grandes efeitos visuais, os demônios (os 7 pecados mortais). Há cenas em que os demônios protagonizam que é capaz de surpreender a audiência. Não há pudor nas cenas onde eles participam, isso mantém uma assinatura mais séria da DC, quando falamos sobre seus vilões e os perigos que trazem. Em contra partida o herói não traz nenhum lado obscuro, pelo ao contrário, ele é literalmente a representação viva da história em quadrinho. Divertido e até inconsequente, Shazam conseguiu transparecer exatamente a sua essência no cinema.

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Diante de tantos acertos, infelizmente Shazam carrega consigo alguns defeitos. Causa certa estranheza quando nos deparamos com algumas cenas de voo do herói. Após termos presenciados cenas icônicas de voo na DC , como o primeiro voo do Superman em Homem de Aço, chega ser decepcionante ter cenas daquele tipo em Shazam. Em certos momentos parece um pouco amador, ou feito as pressas. Chega ser contraditório, algumas cenas de voo serem retratadas assim, e em contra partida as cenas com os demônios serem excepcionais.

[próximos parágrafos contém SPOILER da cena pós crédito]

Apesar de, como fã da DC, querer o confronto entre Shazam e Adão Negro na possível sequência, não é isso que o filme deixa a entender no fim. Uma das cenas pós créditos se passa dentro da cela do Dr. Silvana, após sua derrota para Shazam. O Doutor desenha na parede símbolos para chegar à Pedra da Eternidade, até que uma voz começa a falar com ele. Essa voz é do Sr. Cérebro, um dos vilões do Shazam, conhecido por ser uma lagarta extremamente inteligente com habilidades telepáticas. Esse final, que propõe uma parceria entre os dois vilões, dá a entender que estes serão as ameaças que o herói irá enfrentar.

O filme deixa claro que se passa no mesmo universo dos outros, ou seja, neste universo heróis como Superman, Batman, Aquaman e Mulher Maravilha existem e estão na ativa. Sabendo disso, o longa não deixa de brincar com fatos existentes neste mundo de super heróis. Além do guarda roupa de Freddy – que só usa camisa temática dos heróis da DC, há pequenos detalhes, como reportagens sobre a existência desses heróis.

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Além disso na cena pós crédito há uma pequena participação do Superman, como já havíamos falado aqui. Por mais que não faça algum sentido para a história, e que não tenha nenhuma ligação com o desenvolvimento do enredo, é divertido ver os dois heróis interagindo (mais ou menos). Infelizmente, não é o Henry Cavill e sim um dublê de corpo, a cena é rápida mas divertida o suficiente. É algo que realmente só o Shazam poderia proporcionar. A cena traz a mesma sensação que a corrida entre Superman e Flash, é como se você estivesse lendo um gibi ou assistindo algum episódio de uma serie animada da Liga da Justiça.

[ fim do SPOILER ]

Como um todo Shazam consegue ser um filme ótimo, mesmo não sendo o melhor da DC ele consegue se destacar pela sua dinâmica, trazendo um novo formato para os filmes de heróis da DC.  O longa conseguiu atingir todos os públicos possíveis, ao trazer cenas de ação emocionantes e até mesmo aterrorizantes, referências a filmes antigos (e até mesmo clichês de filmes antigos, em forma de piada), humor pontual e compreensível para qualquer idade. Sem dúvidas Shazam se tornou um marco e isso irá gerar efeitos para os próximos filmes da DC.

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