CRÍTICA | Rocketman é como um espetáculo da Broadway, digno de todo talento e extravagância de Elton John

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A trajetória do extravagante e ícone da música pop, Elton John, foi transformada em um musical biográfico intitulado Rocketman.  Em um enredo épico, fabuloso, colorido, chamativo e divertido, o musical trouxe a real essência do cantor, sem maquiar ou disfarçar alguns detalhes de sua história que são considerados tabus.

O longa foi dirigido por Dexter Fletcher,  mesmo diretor que finalizou Bohemian Rhapsody logo após a demissão de Bryan Singer. Fletcher fez um magnífico trabalho contanto a história de Elton. Ao optarem por um método totalmente diferente do comum, que foi utilizado para contar a história de Freddy Mercury, ao meu ver, isso faz com que Rocketman se destaque ainda mais. A maneira de como as músicas foram utilizadas, permitiu que muitas fossem colocadas fora da ordem cronológica, dando mais liberdade criativa e fazendo mais sentido para o contexto da trama.

As músicas escolhidas, foram essenciais para a continuidade da história. Visto que as músicas encaixavam nos diálogos e complementavam o enredo, não eram apenas músicas cantadas em shows ou contando como foi a criação delas. As músicas contavam a história de Elton John, o que torna tudo muito único e íntimo. Em determinados momentos a música era recitada como um poema, um desabafo, ou até mesmo um pedido de socorro, fazendo ser mais intenso do que as músicas já são.

No entanto, há também apresentações incríveis e energizantes protagonizadas por Taron. Em shows, ou em representações de sentimentos ou estágios da vida de Elton, as performances foram um espetáculo áudio visual, nos permitindo fazer uma viagem a uma realidade fantasiosa e paralela a nossa.

Taron Egerton como Elton John;

O protagonismo de Taron Egerton foi surreal e ímpar. O ator conseguiu captar toda essência de Elton, seus trejeitos, voz, além da caracterização fenomenal. Taron mergulhou de cabeça no personagem, mostrou as diferentes facetas do cantor ao decorrer do longa, evidenciando a evolução e decadência, altos e baixos, transmitindo toda bagunça e sucesso que Elton John viveu.  Além de se mostrar um cantor excepcional, foi uma surpresa gigantesca a forma como que Egerton deu vida as músicas em performances surpreendentes e cativantes, dando a experiência de um show literalmente.

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Vale mencionar que não foi somente Egerton que cantou em Rocketman. Quase todo o elenco principal do longa cantou ou fez algum tipo de participação no musical. Um adendo genial ao filme, e uma surpresa para todos que assistem. Obviamente algumas músicas sofreram pequenas adaptações, para entrar no contexto, o que não é de maneira alguma um defeito do filme, pelo ao contrário traz uma interpretação nova e ao mesmo tempo sem desrespeitar os clássicos.

Um dos pontos altos do filme é a caracterização dos personagens. O longa se passa entre os anos 60 e 80, então a caracterização foi fundamental servindo como uma máquina do tempo. Além da belíssima homenagem ao reproduzir exatamente as roupas extravagantes e inesquecíveis que Elton usou em suas performances no decorrer de sua carreira.

O próximo parágrafo pode conter spoiler

Uma das ideias mais geniais do longa é ele ser uma história contada pelo Elton, em uma clinica de reabilitação, e aos poucos ir montando sua trajetória de Reginald Dwight a Elton John. Mais genial ainda é como o filme acaba, como uma redenção do protagonista. Ao fazer as pazes com todos que o magoaram (e que ele magoou) durante sua vida, se impor diante daqueles que não o deixavam ter voz, e o mais importante abraçar o seu “eu” do passado, e não matá-lo, assim conseguindo seguir em frente evoluindo para uma versão melhor de si. Não foi um final, e sim o começo de uma nova jornada.

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fim do spoiler

Rocketman não faz questão de amenizar ou esconder os lados obscuros da vida de Elton John, apesar de mostrar em diversas cenas o lado colorido e fantasioso da carreira do ator, nos dando cenas incríveis (bem na vibe dos anos 70), há o contraste com tentativas de suicídio, como lidava com drogas e bebidas e além da sua constante “briga” por causa de sua orientação sexual.

O filme é um espetáculo visual, uma fantasia extravagante, uma homenagem em vida a altura de toda majestosidade de Elton John. Digno de todas as (futuras) indicações pertinentes. Certamente é o musical que o cinema precisava. Além de tudo, o longa encerra com chave de ouro, com a música “I’m still standing” como a cereja do bolo, dando inúmeros significados a música e ao contexto que ela é colocada.

O filme estreia no dia 30 de maio nos cinemas do Brasil , e a trilha sonora está disponível em todas as plataformas digitais.

Autor do Post:

Ludmilla Maia

Estudante da U.A, protegida da Annalise Keating, cantora amadora dos New Directions, sobrevivente da ilha de Lost, parça do Bojack, e uma Amazona perdida que ouve KPOP e assiste muito drama asiático.

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