“Em Queda Livre” é farofinha clichê

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Primeiramente já explicar que eu gosto de farofinhas clichês e isso não foi uma crítica ao livro “Em Queda Livre”, de Julie Johnson. Apesar de eu ter, sim, algumas coisas a apontar sobre a obra, que estarão descritas mais abaixo.

Este foi o primeiro livro de Julie Johnson que eu li. A autora tem uma escrita fácil e agradável. Fiquei curioso, mas não tanto assim, a conhecer outros trabalhos de Johnson. Quem sabe quando eu encontrar em promoção?

“Em Queda Livre”, como eu disse, é uma farofinha clichê. Menina fechada ao mundo encontra menino radiante que destrói as barreiras do coração dela, por mais que ela tente não deixar que isso aconteça. O clichê é ruim? Eu não acho. É uma fórmula certa, já consagrada, e que agrada, mas que também não inova.

O porquê de ser clichê, na real, é a facilidade que temos de enxergar como determinada situação irá terminar. Sempre que algo era apresentado, já ficava claro como mais ou menos seria resolvido. A autora, por saber que estava usando vários clichês, acertadamente ironiza um deles, em uma situação que ocorre do lado de fora da boate Styx.

Johnson, porém, tenta dar ainda mais profundidade ao livro, indo um pouco além desse clichê, o que a levar a cair em outros – mas que não poderei falar porque aí é um spoiler mais pesado. É legal o que ela faz? Sim. Mas pareceu, em alguns momentos, meio solto, meio bizarro. Poderia ter sido feito de uma forma melhor, mais caprichada.

Outra crítica que eu tenho ao livro é sobre a edição, não sobre a história. O livro físico é simples, o que não tem nada de errado, porém a revisão da tradução claramente deixou a desejar. Há erros de concordância – não lembro se vi algum de português – e de pontuação. Isso acabou me incomodando. Mas é porque eu sou chato mesmo, pois não é nada que atrapalhe a experiência do leitor.

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Um dos pontos principais de “Em Queda Livre”, e isso eu não canso de exaltar, é o destaque da importância da terapia. O quanto a protagonista Brooklyn começou a evoluir a partir do momento que encontrou o método de terapia ao qual melhor se enquadra – a personagem chega a falar que já tentou outros métodos, que foi enviada por outras pessoas para tais, mas não adiantou. Terapia é importante e não é “coisa de maluco”, como os mais antigos e preconceituosos costumam falar.

Também gostaria de destacar que o livro conta com alguns momentos mais duros, mais pesados, como o assassinato da mãe, a ausência de uma figura paterna, assédio sexual, entre outras coisas – uma que cheguei a escrever, mas preferi apagar por considerar spoiler. Por isso, apesar da obra render algumas risadas e momentos de prazer – e nem falo sobre as incontáveis páginas descrevendo a perfeição de um ato sexual, as quais achei cansativas e fui pulando alguns parágrafos -, esteja preparado (a) para ter contato com assuntos mais pesados.

“Em Queda Livre” é um passatempo legal. Tem problemas, é clichê, mas é aquela história legal que gostamos de ver em filmes voltados para o público adolescente. Inclusive, o livro é um roteiro quase pronto, Hollywood. Aproveitem essa falta de inspiração de vocês, esses excessos de remakes, releituras, live actions e filmes baseados em livros. Nem vou reclamar e até vou assistir quando entrar em algum serviço de streaming.

Autor do Post:

Henrique Schmidt

O louco dos livros, filmes, séries e animes. Talvez geek, talvez nerd, talvez preguiçoso, mas com certeza jornalista

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