“Matadouro-Cinco” é assim mesmo

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“Matadouro-Cinco”, de Kurt Vonnegut, foi mais um livro que eu comprei sem nem ao menos saber a história. Estava em promoção na Black Friday 2019 e eu resolvi arriscar a compra. Preciso admitir que valeu a pena, apesar da obra não ter me envolvido tanto assim.

O livro deixa claro, desde o primeiro momento, que é uma crítica elaborada a conflitos bélicos. Neste caso, em especial, à Segunda Guerra Mundial. Em diferentes passagens, o autor, através dos seus personagens, fala justamente sobre o tema, como no trecho abaixo:

“O livro é tão curto, tão confuso, tão desarmônico, Sam, porque nada de inteligente pode ser dito sobre um massacre. Todos devem estar mortos, sem nunca mais dizer ou querer nada. Tudo deve ser muito quieto depois de um massacre, e sempre é, exceto pelos passarinhos”.

O trecho acima ocorre em um momento de conversa entre dois personagens – um deles escrevendo um livro sobre a Segunda Guerra Mundial, em especial o Bombardeamento de Dresden, na Alemanha.

Em diferentes momentos, sempre com um tom pacifista, o livro destaca críticas, em tom de ironia, aos conflitos armados. Um dos protagonistas, Billy, é, basicamente, um jovem americano perdido enviado para a Segunda Guerra. Ele não estava na linha de frente da batalha, mesmo assim teve contato direto com os alemães.

Em todos os trechos em que Billy aparece – que é a maior parte do livro -, ele narra momentos em que esteve em território alemão, quando foi prisioneiro de guerra, quando esteve no Bombardeamento de Dresden. Porém, esses momentos não são especificamente focados nas batalhas.

O tom irônico/debochado sobre o conflito bélico e todo o mal que ele causa pode ser resumido em uma frase, repetida inúmeras vezes ao longo da obra: “é assim mesmo”. Funciona como: “milhares de pessoas morreram. É assim mesmo” ou “o fulaninho, coitado, foi fuzilado. É assim mesmo”.

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“Matadouro-Cinco” não é um livro comum sobre a Segunda Guerra Mundial. Apesar de ser fictício, apenas inspirado nos fatos reais, essa obra ESTADUNIDENSE – que talvez seja o povo com maior proximidade com assuntos bélicos – ironiza os conflitos armados de forma leve, clara e, até, surpreenda-se, com humor.

Autor do Post:

Henrique Schmidt

O louco dos livros, filmes, séries e animes. Talvez geek, talvez nerd, talvez preguiçoso, mas com certeza jornalista

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