CRÍTICA | ‘Passarela dos Sonhos’ é um álbum de lembranças nostálgico

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Nesta semana nos despedimos de mais um kdrama da tvN, um até bem especial porque além de ter chamado atenção pelo seu elenco, foi o drama de despedida do Park Bo Gum devido o seu ingresso no alistamento sim, eu já sinto sua falta e a única coisa que me alimentava eram as fotos semanais exclusivas.

Estrelado em 7 de setembro, com transmissão mundial pela Netflix e com roteiro de Ha Myung-Hee, Passarela dos Sonhos (Record of Youth) acompanhou a história de Sa Hye-Jun (interpretado por Park Bo Gum) na tentativa diária de conseguir alavancar uma carreira no mundo do entretenimento e as dificuldades enfrentadas por todas as pessoas que são afetadas pela indústria, sejam elas agentes, familiares, amigos, repórteres, fãs e a própria estrela. 

O drama desenvolveu todo o seu enredo como se fosse um mural relatando sonhos e lembranças onde o ponto inicial é em 2019 quando tudo começa a mudar na vida de todos os personagens. Sa Hye-Jun sempre sentiu um pouco de desafeto pelo pai devido a sua criação, mas sempre teve bastante carinho pelo avô, Sa Min-Ki (interpretado pelo Han Ji-Hee), e pela sua mãe, Han Ae-Suk (interpretada pela Ha Hee-Ra). Desde que se formou no colégio, Hye-Jun tenta se manter sozinho financeiramente e não mede esforços entre trabalhos de meio período em também com algumas aparições em passarelas.

Sa Hye-Jun fez sucesso e se transformou em uma figura conhecida nacionalmente depois do seu primeiro papel como um vilão coadjuvante, em paralelo com a caminhada em busca de uma carreira de sucesso, ele esbarra com uma de suas fãs número 1 e acha nela um dos seus maiores suportes para  jornada que ainda estava por vir

An Jeong-Ha (interpretada pela Park So-Dam) é uma garota de muitos sonhos e apesar de estar na casa dos 20 e ainda não saber o que quer da sua vida, o que é praticamente um pecado na Coreia, ela segue o que a sua intuição ou seu coração mandar. Após desistir de um trabalho extremamente cansativo e pouco remunerado em um escritório, ela investe seu tempo em maquiagem e consegue um emprego melhor em um salão de beleza bem frequentado. Nas folgas que consegue na semana ela administra um canal de beleza no YouTube onde compartilha dicas de cuidados com a pele e também faz oficinas gratuitas na rua. Jeong-Ha é o tipo de pessoa que você tem vontade de proteger do mundo e ser capaz de conceder todos os seus desejos.

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Apesar do seu sorriso doce e da prontidão em ajudar qualquer pessoa que precise, Jeong-Ha tem alguns problemas de confiança e nunca se permite depender emocionalmente de outra pessoa o que ainda é resquício de uma criação um pouco complicada. E sim, ela é a fã número 1 que citei anteriormente, e diferente da Sung Deok-Mi referência de Her Private Life, da personagem interpretada pela Park Min-Young, sei ainda não assistiu, termina de ler este texto e corre pra assistir, ela é extremamente discreta quando é posta cara a cara com seu ídolo favorito e mesmo quando questionada sobre isso, ela consegue expor uma poker face e fingir costume.

A segunda fase do drama já é em 2020, todos os personagens já estão convivendo com as mudanças que aconteceram na primeira fase e tentam se adaptar a uma nova realidade. Sa Hye-Jun agora é conhecido internacionalmente e tenta lidar com um cronograma diário puxado, escapar de notícias falsas e tentar aproveitar os seus minutos de folga. Um dos pontos altos do enredo foi o foco na personalidade do personagem principal que não teve nenhuma mudança drástica, Hye-Jun permaneceu sendo a mesma pessoa íntegra e carinhosa que sempre foi, não passou a perna em ninguém e muito menos se aproveitou de algum escândalo para se promover, pelo contrário, muitas vezes ele preferiu ter o seu nome manchado por um tempo do que expor outras pessoas. Além do mais ele foi o único do início ao fim que conseguia entender o sentimentos das pessoas ao seu redor, ter paciência e levar bastante desaforo para casa o que sempre acabava em lágrimas escorridas em algum lugar escondido e partia meu coração em mil pedacinhos.

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Com o seu sucesso em Hi Bye, Mama!, acabei apostando alto na Shin Dong-Mi que interpretou a agente de Bo-Gum, Lee Min-Jae, o seu desenvolvimento foi bem engraçado e maduro nos primeiros episódios mas depois os escritores perderam o feeling na personagem e a transformaram em uma desajustada que não conseguia dar conta de uma celebridade, foi um pouco decepcionante acompanhar as furadas que Min-Jae dava em todos os episódios, sempre caindo em golpes fajutos do antigo agente do Hye-Jun, nunca conseguindo lidar com um escândalo antes que ele se tornasse grande demais e atropelando, algumas vezes, os desejos do seu único cliente.

Foi um dorama com alguns hates a partir do episódio 11 por conta da guinada e do sentido que a história estava tomando, mas antes de comentar sobre isso, gostaria de destacar o quão saudável e puro foi o relacionamento do Hye-Jun e da Jeong-Ha, apesar de ter as suas falhas de comunicação, o casal transmitia química mesmo quando as cenas eram apenas trocas de mensagens e os dois não estavam nem no mesmo ambiente. Como é de praxe, o defeito do romance foi a falta de comunicação, os dois não queriam que o outro sofresse pelo lado feio do amor, então sempre havia uma maquiagem prévia nos problemas para quando eles tinham algum encontro marcado.

Não é que um não confiava no outro para compartilhar seus medos e desejos, mas sim porque eles queriam tanto a felicidade individual do próximo que acabavam deixando de lado o fato de algumas conversas não poderem ser deixadas de lado.

Apesar de ter a fórmula perfeita para um triângulo amoroso, é possível perceber que essa não é a intenção desde o começo do drama, sim, existe aquela admiração a mais do Won Hae-Hyo (interpretado pelo Byeon Woo-Seok) pela An Jeong-Ha, mas ela sempre deixou claro quem ela queria e isso nunca foi uma dúvida então de você shippou errado, me desculpe, mas não tem como te defender.

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O que eu comentei sobre a reviravolta a partir do episódio 11 é que as coisas começam a dar um pouco errado demais e começa a bater aquele velho e bom desespero de “meu deus, será que meu casal vai conseguir sobreviver a mais um baque?” e as coisas só pioram até o final. A expectativa foi alta demais da parte dos fãs e quando as coisas não saíram do formato em que eles queriam o drama acabou sendo alvo de críticas ruins. Muitas cenas e enredos durante a história ficaram desconexas e sem conclusão e como já era um drama completo e sem possibilidade de regravar alguma cena, a gente teve que aceitar o rumo da história e é isto.

O casal secundário poderia ter sido mais explorado; a relação de amor e ódio do ex agente do Sa Hye-Jun se transformou em um loop cansativo de se acompanhar; o personagem que deveria ser o antagonista/vilão/carinha chato (?) do Kim Gun-Woo, Park Do-Ha, não contribui de forma alguma para nenhuma das histórias principais, ele simplesmente foi o outro artista bad boy da agência rival; a falta de empatia com assuntos bem pertinentes na Coreia ultimamente; o roteiro deixou a desejar quando começou a brincar com cenas de passado, presente e futuro, em alguns momentos ficava meio difícil entender em que momentos fomos deixados no episódio anterior e em qual aterrissamos no seguinte.

Foi um drama tranquilo de acompanhar porém um pouco mais difícil de maratonar, em alguns momentos você sente que está presa na mesma cena por tempo demais e em outras por tempo de menos. Não foi a melhor maneira que o Bo-Gum teve para se despedir, mas com certeza vale a pena o esforço só para ver o sorriso dele.

Passarela dos Sonhos está com sua temporada completa e disponível na Netflix e também foi legendada pela equipe do DramaFansubs.

Nota: 3,5/5

Autor do Post:

Barbara Sales

https://www.instagram.com/_barbarasales_/

Estudante de Economia pela Federal do Ceará, aspirante à contabilista, aprendiz da Corvinal e, acima de tudo, dorameira cinéfila nas horas vagas.

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