“O Tatuador de Auschwitz”, o amor e a dor

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Gosto de livros que se passam na Segunda Guerra Mundial, apesar de não ter estômago para ler vários seguidos sobre o assunto. Gosto, principalmente, dessas pequenas-grandes histórias que passavam, até então, despercebidas. Como é o caso de “O Tatuador de Auschwitz”, de Heather Morris.

Antes mesmo de começar a minha resenha, eu trago as palavras da autora, que ao meu ver resumiram muito bem tudo o que ela tentou passar sobre a história:

“O Tatuador de Auschwitz é a história de duas pessoas comuns, vivendo em um tempo extraordinário, privadas não apenas de sua liberdade, mas de sua dignidade, seus nomes e identidades, e é o relato de Lale sobre o que precisavam fazer para sobreviver”, escreveu Morris.

E é exatamente isso. A história acompanha Lale desde o momento em que ele chega ao campo de concentração nazista. Lá, de forma sagaz, o protagonista presta atenção em tudo e vai articulando as melhores formas de se manter vivo para conseguir sair dali – assim, chega à posição de Tatuador.

Mesmo assim, Lale mantém sempre em mente que a sua posição é meio que “dormir com o inimigo”. É abrir um pouco de mão da sua humanidade para conseguir continuar tendo alguma humanidade para viver. Claro, ele acaba equilibrando e ajudando outros prisioneiros de outras formas, as quais não vou revelar.

Durante o exercício da sua função como tatuador, Lale conhece Gita, que se torna o amor da sua vida. O protagonista faz de tudo para tornar a vida de Gita mais suportável dentro daquele campo de concentração – o que, sabemos, não é tão possível assim graças aos nazistas.

Para mim, talvez lendo de forma mais emocional do que racional, “O Tatuador de Auschwitz” tem uma beleza singular. É como, talvez, pensando de forma metafórica, ver um girassol nascendo no meio de um campo de cinzas e sangue. É uma esperança, algo a se agarrar, e que com certeza fez com que a “passagem” de Lale e Gita pelo infeliz (para não usar palavras piores) campo de concentração se tornasse menos insuportável.

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Foi como Lale disse uma vez, se dirigindo a Gita: “escolher viver é um ato de rebeldia, uma forma de heroísmo”, o que, naquele momento, era a melhor forma de se combater o nazismo, por mais que tenham “se aliado” a ele em certo grau.

Por favor, entendam mesmo o “se aliado”. Em nenhum momento houve esse “companheirismo”. Lale, Gita e tantos outros, como Cilka – que também é citada no livro -, fizeram o que fizeram para sobreviver, para ter esperanças. Não havia escolha fácil. E nenhum deles é culpado de “aliança”, por mais que alguns tenham sido julgados, pós-nazismo, como “aliados” dos nazistas.

Minha única ressalva em relação ao livro é a sua finalização. Por mais que tenha sido a história real e tenha acontecido daquela forma, me passou a impressão de que foi um pouco corrido, um pouco acelerado. Pode ser uma visão particular, mas foi o que eu senti.

Enfim, “O Tatuador de Auschwitz” vale a pena. É um livro que realmente me emocionou, até mesmo no Epílogo, que conta um pouco de como a obra foi escrita, com base em fatos reais e lembranças de Lale sobre aquela época. O livro é amor e é dor. Por mais que não tenhamos vivido naquela época, conhecemos a história. E se você é uma das pessoas que nega a existência de campos de concentração, por favor: vá estudar.

Autor do Post:

Henrique Schmidt

O louco dos livros, filmes, séries e animes. Talvez geek, talvez nerd, talvez preguiçoso, mas com certeza jornalista

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