CRÍTICA | ‘A Ligação’ é o melhor terror psicológico asiático na Netflix [COM SPOILER]

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Park Shin-Hye nasceu para fazer thrillers de suspense e/ou filme de zumbi, pode dar adeus aos beijos de olhos abertos e a criação de química forçada, o forte de uma das melhores atrizes da Coreia do Sul está em: ser protagonista de histórias mirabolantes e que a desafiam em cada papel. A genialidade da sua personagem foi a única coisa que não me surpreendeu em ‘The Call’/’A Ligação’ o novo terror da Netflix, disponibilizado no serviço de streaming na última sexta-feira (27) .

Dirigido por Lee Chung-Hyeon o filme traz Seo-Yeon (interpretada por Shin-Hye), uma jovem com uma vida bastante pacata e sem muitos acontecimentos que volta para sua cidade natal para acompanhar as atualizações sobre o grau da doença de sua mãe. Após a morte do pai, as duas mulheres da família foram de distanciando ao ponto de tornarem-se quase desconhecidas dentro da própria casa e isso é bem abordado no primeiro contato delas no leito de hospital da mãe (que é interpretada pela atriz Kim Sung-Ryung)

O ponto alto do filme não é saber o que aconteceu antes de encontrarmos a protagonista sozinha em uma estrada de areia esperando a carona do antigo fazendeiro de morangos que mora pelas redondezas, mas sim o que acontece a partir do momento em que pisa novamente no terreno onde tantas memórias dolorosas foram criadas.

Seong-Ho, o fazendeiro (interpretado por Oh Jung-Se), parece ser uma pessoa que acompanhou de perto a vida de Seo-Yeon e está ali para ajudar no que for preciso. Não sabemos muitas informações sobre a vida da protagonista, com o que trabalha, se possui outros familiares, o que aconteceu nos anos após a morte de seu pai, se tem amigos em outra cidade… o típico enredo de filme asiático que, preguiçosamente, arrasta um filme que poderia durar 1h30 para sofridas 2h40.

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The Call é extremamente sucinto em contar sua história, não existe nada em paralelo ao roteiro inicial, tudo gira em torno de ligações sobrenaturais entre duas mulheres de anos diferentes e que habitam o mesmo lugar. Após a mudança, Seo-Yeon encontra um antigo telefone na casa e começa a receber ligações estranhas de uma pessoa que ela não conhece. Pela linha, a moça aos berros implora para que, a suposta amiga que deveria estar atendendo, a salve das garras de sua madrasta abusiva.

Jeon Jong-Seo é o toque especial da obra de arte, interpretando o papel de Young-Sook, a voz do outro lado da linha, podemos perceber inúmeras nuances na personalidade de sua personagem, cheguei a pensar em: possessão, esquizofrenia, alucinação e inúmeros tipos de distúrbios mentais; mas nunca cheguei a pensar que me depararia com uma serial killer argilosa

Assim como não sabemos muito sobre o passado de Seo-Yeon, o mesmo se reflete em Young-Sook, as duas não têm nada em comum, mas sofrem de dores que, quando compartilhadas, aliviam um pouco o aperto em seus corações. A moça do passado, do outro lado da linha, vive com sua madrasta, que é uma xamã já conhecida da região, em um estado deplorável de maus tratos e abuso. Young-Sook, claramente, sofre de algum distúrbio que era desconhecido em 1999 em uma cidade pequena, ela tem idade suficiente para ser uma mulher independente, mas vive presa em casa sem ter muito contato com o mundo ao seu redor.

A troca de ligações começa bem inocente e um pouco incrédula, o que era de se esperar, mas a rapidez com que as duas tornam-se confortáveis com a situação é um pouco estranha à primeira vista, o que é explicado com a frequência do filme, o diretor não se preocupa em prolongar detalhes que deixariam a história cansativa, seu objetivo que foi alcançado com sucesso é mostrar as consequências de mudanças no passado e como o futuro, que ainda está sendo definido, é afetado.

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O grande plot da história, é quando descobrimos que Seo-Yeon aparece, ainda criança, na vida de Young-Sook coincidentemente no mesmo momento em que as duas estão no meio de uma de suas ligações sobrenaturais conversando sobre amenidades. Em 1999, o pai de Seon-Yeon ainda estava bem, vivo e sua família era estruturada e cheia de amor, não havia rancor entre mãe e filha. É quando Young-Sook surge com a brilhante ideia de salvar a vida do pai de sua nova amiga.

Um grande adendo para a morte do pai da protagonista: foi um acidente, acarretado pela mãe que esqueceu o fogão ligado, o que conclui-se em uma explosão na qual apenas a filha saiu com vida. Depois disso já ter sido discutido em uma das ligações, Young-Sook se ver capaz de mudar a vida de uma pessoa e é nesse momento em que o passado interfere no futuro.

A transição é espetacular, tanto no cenário quanto na própria Park Shin-Hye, o fato que no começo do filme, Shin-Hye tem uma expressão cansada, um cabelo curto e sem graça e roupas escuras é o contraste quando seu presente é modificado pelas ações da amiga e ela se transforma em uma jovem de cabelo longo, vestido claro e sem mais nenhuma olheira à vista. É engraçado perceber esse momento de adeus a vida antiga quando a mulher corta o cabelo, geralmente, a ação vem carregada de significado, ou foi devido alguma escolha que mudaria o rumo da sua vida ou por algum trauma que precisa ficar no passado, não importa qual seja o motivo, o primeiro a sofrer alterações sempre é o cabelo.

O filme sai de uma temática sobrenatural para um suspense cheio de inveja e ciúme quando Young-Sook percebe que Seo-Yeon não disponibiliza mais do seu tempo para continuar com as ligações, a moça que agora tem a sua família inteira de volta, passa o dia conversando e saindo com os pais, enquanto em 1999 a outra moça do lado oposto da linha continua vivendo em um ambiente abusivo e inóspito no qual as ligaçõe continuam sendo a sua prioridade.

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Tudo isso acontece nos primeiros 30 minutos de filme e é basicamente o que o trailer nos mostra, o que está entre as linhas do enredo é o quanto as duas estão dispostas ou a permanecer no novo presente ou alterar novamente o passado até que tudo volte “ao normal”. Um ponto fraco do filme, foi a falta de criatividade para mudar o ambiente de acordo com a época, era notório que alguma coisa tinha sido alterada quando a casa saía de bela e arquitetada para destroços, e mesmo com a falta de cenário para troca cenas tudo acontecia, visualmente falando, no mesmo período, nem mesmo a iluminação da cena, ou a qualidade eram alteradas. Mas isso não diminui o efeito e o impacto que o filme traz desde o início.

Apesar de já ter esmiuçado o filme inteiro aqui para vocês, vale a pena conferir o show  de atuação de um filme liderado por 4 protagonistas femininas com crenças diferentes, vivendo em épocas distintas e que de alguma forma estão conectadas.

Confira o trailer a seguir de “A Ligação”.

Nota: 5/5

Autor do Post:

Barbara Sales

https://www.instagram.com/imbarbdee/

Estudante de Economia pela Federal do Ceará, aspirante à contabilista, aprendiz da Corvinal e, acima de tudo, dorameira cinéfila que se aventura em fantasia e romance nas horas vagas.

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