CRÍTICA | “Desalma” mostra as consequências das nossas escolhas e ações

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Desalma (2020) é uma série original Globoplay, escrita por Ana Paula Maia, Desalma é uma série dos gêneros terror sobrenatural / suspense / drama que estreou em outubro de 2020. 

Leia a sinopse disponível no site do Globoplay:

Uma cidade, duas épocas e uma tradição milenar repleta de mistério. O desaparecimento de uma jovem choca a população da pequena Brígida, no interior do sul do Brasil. A tradicional festa de Ivana Kupala é banida do calendário festivo da cidade. Trinta anos depois, a população se prepara para trazer a festa de volta, mas acontecimentos enigmáticos passam a assustar a comunidade. Três mulheres são marcadas por transformações e perdas, algumas delas irreparáveis. Rituais de bruxaria são capazes de reverter até mesmo a morte.

A série se passa na cidade fictícia de Brígida, fundada por imigrantes ucranianos no interior do Paraná e mostra duas épocas diferentes: 1988 e 2018. Em 1988 temos os flashbacks do que houve em Brígida e em 2018 (presente), vamos como esses acontecimentos do passado influenciam os envolvidos no presente, 30 anos depois.

Halyna e Haia em 1988.

Grande parte do mistério da série gira em torno da morte de Halyna Lachovicz (Anna Melo), a filha de Haia (Cássia Kiss), a mulher conhecida como bruxa, na tradicional comemoração de Ivana Kupala, uma das principais comemorações do calendário eslavo onde os jovens se reúnem ao redor de grandes fogueiras e queimam queimam ervas e para atrair sorte no amor e na colheita. 

Haia em 2018.

Desalma trata de bruxaria, segredos, morte, amor, trapaça e vingança, assuntos que interligam os envolvidos na morte de Halyna, seu círculo de amizades e suas famílias, desde a sua morte em 1988 até o presente. 

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Toda a identidade visual da série faz com que o ar sobrenatural seja ainda mais tenso e assustador, especialmente nas cenas que envolvem as crianças, o lago, a cachoeira e a floresta. Essa última é principal cenário dos rituais de Haia e famosa por ser “assombrada” por entidades do folclore ucraniano. A fotografia da série lembra muito Dark (2017-2020) e alguns filmes de terror como Midsommar (2019) e A Bruxa (2015). Ao meu ver, o ponto forte da séries são esses cenários naturais do interior do Rio Grande do Sul, onde a série foi filmada e toda a sonoplastia e trilha sonora, que foi feita pelo mesmo sonoplasta de Dark, o alemão Alexander Wurz. 

Festival de Yvana Kupala em 1988.

Diversas vezes vemos referências diretas à grandes clássicos do cinema e como Poltergeist (1982) e até O Homem de Palha (1973), e, apesar de falar de presente e passado, Desalma nada tem a ver com Dark além da sonoplastia e fotografia. Enquanto Dark é sobre viagem no tempo, Desalma é sobre as consequências das suas escolhas e ações.

Apesar de ser uma série refinada e super bem acabada, Desalma peca no roteiro e nas atuações. Isso chega a ser incômodo várias vezes. Não que o elenco seja ruim, muito longe disso, mas a direção falhou muito, especialmente em cenas onde seriam necessárias reações dramáticas inexistentes em alguns personagens, ou nas parte onde o personagem esconde um segredo e fica totalmente sem expressão ou a expressão não condiz com o momento. 

Mas existem momentos de atuações magníficas e aqui quero enaltecer alguns atores:

  • Cássia Kiss em todas as suas cenas passou a mensagem de Haia Lachovicz e de como ela era uma pessoa no passado e como ela se tornou a mulher que é no presente; 
  • Cláudia Abreu dando um show como Ignes Skavronski, representando muito todos os traumas e mágoas guardados nesses 30 anos, fazendo você sentir o desespero e a dor junto com ela;
  • João Pedro Azevedo, ator mirim que dá vida ao filho de Ignes, Anatoli Skavronski Burko. Ele protagoniza as cenas mais tensas da série;
  • Nicolas Vargas, intérprete de Aleksey Skavronski, que soube entregar todo o necessário no momento mais crucial da série;
  • E por último, mas não menos importante, Anna Melo, intérprete da nossa personagem principal Halyna Lachovicz
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Ignes e Anatoli em 2018.

Desalma é uma série que já nasceu aclamada, foi aplaudida na sua exibição no Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2020 e será exibida internacionalmente através da distribuição pela Sony Pictures Television.

Você pode encontrar a série para assistir no catálogo do serviço de streaming do Grupo Globo, o Globoplay  e já está renovada para a sua segunda temporada!

Nota: 4/5

Autor do Post:

Jessica Rodrigues

https://instagram.com/jess.cah

Engenheira florestal e ilustradora botânica que bebe mais café do que deveria e ainda tá aprendendo a viver no mundo pós Orkut. Tentando seguir a filosofia de Capitão Fantástico: “Power to the people! Stick it to the man!”

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