“Cold Springs” e ainda não sei o que pensar

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Eu gostei de “Cold Springs”, de Rick Riordan. Eu só ainda não sei o que pensar, ou sentir, sobre o quanto eu realmente gostei. Estou começando a escrever com esse sentimento. Espero que até o fim da resenha eu chegue à alguma conclusão.

Em um primeiro momento, comprei este livro animado. Acabara de ler as duas sagas de Percy Jackson, completamente apaixonado por todo aquele universo e imerso na forma de escrita de Riordan. Então, quando vi esta obra em promoção, mal pensei uma vez e comprei.

Logo em seguida, tive medo: e se Riordan fosse um excelente autor para Percy Jackson, mas péssimo em qualquer coisa fora daquele universo? Então, o receio bateu e eu posterguei a leitura, até que finalmente criei coragem e iniciei.

“Cold Springs” começa descrevendo todo o cenário que vai pautar o que vai acontecer ao longo de suas quase 500 páginas. Dor, arrependimento, luto, vingança, tipos incomuns de amizades. Tudo isso vai sendo desenvolvido durante toda a obra – o início se passa nove anos antes da história principal.

Meu medo de que Riordan não fosse suficientemente bom em outros tipos de livros fora do universo de Percy Jackson se dissipou. Ele é bom. “Cold Springs” tem uma vasta história – que até poderia ser resumida, admito – e prende o leitor. O maior problema é que deixa o leitor perdido em alguns momentos.

Um plot do livro, o qual eu considero o principal, é fantástico. Me pegou totalmente desprevenido e deu outra cara a toda a obra – até aquele momento, eu estava achando a história boa, mas enxerguei por outra perspectiva depois daquilo. O problema foi: “tudo bem, esse plot é fantástico, mas e agora?”.

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Essa pergunta se manteve até as últimas páginas, que concluem muito bem a história, inclusive. No entanto, ao meu ver, algo pareceu fora do lugar. O, digamos, “vilão” parecia distante demais para ter feito tudo o que fez, não parecia “cabível”. E não digo isso apenas porque nunca pensei naquela pessoa, mas apenas não me fez tanto sentido assim. 

Esse, para mim, além das milhares de reviravoltas que a história tem, é o maior problema do livro: o desconforto de sentir, mesmo sem saber apontar, que há algo errado e que não se encaixa. Até porque, a história se encerra, o “vilão” tinha conhecimento e armas o suficiente para fazer tudo o que fez, mas o porquê de eu sentir tudo tão fora do lugar, para mim, é um mistério. E nem é orgulho ferido por não ter imaginado quem era o culpado – até porque isso acontece frequentemente.

Outra questão é que “Cold Springs” abusa de alguns clichês racistas, mesmo tentando modificá-los em alguns momentos. Como, por exemplo, temos uma família negra problemática e envolvida em relacionamentos tóxicos e drogas; temos uma mulher latino-americana de “sangue quente”; temos um mexicano que se torna um capanga/guarda-costas.

Claro que, como eu disse, esses clichês sofrem algumas modificações na história, que também traz uma reflexão sobre racismo – principalmente sob o olhar de Norma, a mulher latino-americana. Porém, ainda assim, acaba voltando aquela velha máxima de “nada novo sob o sol”.

Mesmo com todos esses problemas, eu sou incapaz de dizer que “Cold Springs” é um livro que não merece ser lido. Me prendeu do início ao fim, me deixou curioso sobre quem estava por trás de tudo, sobre o que estava acontecendo, o porquê de estar acontecendo. Além disso, também gostei da jornada e desenvolvimento do protagonista. Sempre bom ver uma pessoa “real”, não uma ilusão de integridade inabalável.

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Ademais, também é uma obra que traz reflexões, principalmente sobre luto, perda, mentiras, redenção, perdão, vingança. Não à toa o subtítulo do livro é “Vingança e Redenção no Texas”. Eu marquei três passagens na obra, que achei bacanas no momento, e depois percebi como essenciais. Omitirei um trecho por motivos de possíveis spoilers, mas encerro a resenha com ela:

“As pessoas da sua vida nunca vão embora. Não vão embora quando você foge, nem quando magoam você. Você precisa encontrar uma conexão com elas que funcione. Precisa começar de algum lugar”.

Ah, e depois de escrever essa resenha, percebo que gostei mesmo do livro, apesar dos pesares.

Autor do Post:

Henrique Schmidt

O louco dos livros, filmes, séries e animes. Talvez geek, talvez nerd, talvez preguiçoso, mas com certeza jornalista

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