Crítica | ‘A Voz Suprema do Blues’ é um filme de apenas um ato

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Chicago, 1927. Uma das gravações mais importantes para a história feminina no Blues está prestes a acontecer: Ma Rainey’s Black Bottom é a novidade mais aguardada pelos fãs da mãe do blues. E para saudar esse momento, a Netflix trouxe a adaptação da peça de August Wilson para o streaming nessa sexta-feira (18).

Dirigido por George C. Wolfe e produzido por Denzel Washington, Todd Black e Dany Wolf, o filme com apenas um ato da carreira de Ma Rainey (interpretada por Viola Davis) ganha o nome de ‘A Voz Suprema do Blues’, e tenta trazer à tona a mesma ambientação de ‘Um Limite Entre Nós’ de 2016, mas não teve o efeito esperado. Apesar do clima bem teatral, a história corrida em um pouco mais de 1h30 chega a ser bem monótona e rasa.

O filme é ambientado em um lugar, dia e momento específico: a gravação do primeiro vinil de Ma, e sutilmente você vai entrando no clima quente de Chicago no final dos anos 20. Assuntos secundários são abordados da forma mais discreta possível, em apenas cortes rápidos de cenas, mas nem por isso tem seu impacto reduzido, a intolerância com os negros, o sucesso de uma mulher em um ambiente machista e branco, a sexualização do Blues em geral, a corrupção da polícia e a manipulação da indústria musical.

Mesmo sendo a história de Ma, ela acaba se tornando uma personagem secundária quando conhecemos o trompetista da banda, Levee (interpretado por Chadwick Boseman), o cara cheio de estilo e em busca do seu próprio lugar na música. Esse foi, de longe, um dos papéis mais emocionantes da carreira de Chadwick, o tanto que ele se doou para que o personagem fosse entendido e não julgado pelas consequências de seus atos fez com que o filme não se tornasse um fiasco total. 

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Boseman soube dosar, com maestria, um personagem que tinha tudo para ser apenas mais um convencido da indústria e seu ego poderia estragar tudo apenas com uma palavra errada. Atingindo e ultrapassando todas as expectativas que esperei de Levee, me peguei em muitos momentos chorando com a história declamada de forma tão emocionante, sem precisar de muito esforço e nem momentos de flashback para visualizarmos o que estava sendo narrado, Chadwick conseguiu transmitir toda a emoção de seu passado apenas encarando o vazio. 

A Voz Suprema do Blues nada mais é do que uma trama de monólogos bem construídos e que contam uma história completa sem precisar de muito embasamento, o que incomoda é perceber a quebra do ritmo entre filme e peça e em alguns momentos a história se torna vaga. 

A atuação, com certeza, é um dos pontos altos, Viola, Chadwick, Collman Domingo, Glynn Turman e Michael Potts merecem todas as indicações e premiações do Oscar por não deixarem o enredo perder tanta qualidade, mesmo com os “defeitos” que apontei durante a crítica, o elenco não deixa a desejar.

A Voz Suprema do Blues está disponível na Netflix, confira o trailer a seguir.

Nota: 3,8/5

Autor do Post:

Barbara Sales

https://www.instagram.com/imbarbdee/

Estudante de Economia pela Federal do Ceará, aspirante à contabilista, aprendiz da Corvinal e, acima de tudo, dorameira cinéfila que se aventura em fantasia e romance nas horas vagas.

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