“Um dia ainda vamos rir de tudo isso” e com razão

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Eu tenho problemas com livros de crônicas e/ou contos. Isso porque, devido à falta de continuidade de uma “história”, eu acabo arrastando um pouco mais a leitura, pois não tenho a curiosidade e o ímpeto para chegar ao final. Isso aconteceu com “Um dia ainda vamos rir de tudo isso”, da brasileira Ruth Manus – publicado pela editora Sextante -, e olha que é uma obra excelente.

Talvez este formato de obra, que nesse caso reúne crônicas, seja para ser lido assim. Não faço a menor ideia. Sei que não consigo nem falar que não é meu tipo de leitura, pois amei os textos da Ruth. Meu livro está com várias marcações dos textos que julguei melhores e/ou mais importante.

A obra, como a própria Ruth destaca, é dividida em partes. A primeira parte da obra, Ruth descreve como textos sobre a vida moderna. De fato é. No entanto, ele é mais. É um apelo à simplicidade, principalmente na vida adulta, quando costumamos nos esquecer dos prazeres das coisas simples.

Ruth também aborda, nesta parte, o risco e as injustiças que cometemos conosco em auto cobranças excessivas. A autora também faz uma espécie de apelo para olharmos para nós com mais calma, mais carinho, reconhecendo nossos erros, mas nos perdoando. Ademais, também destaca que cada pessoa tem seu tempo, cada um tem seu objetivo, e é irreal e injusto criarmos comparações e paralelos com outros.

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A segunda parte da obra, nas palavras de Ruth, é sobre a sua história. Aos meus olhos, é sobre luta e vivência de uma forma geral, na qual muitas pessoas podem e devem se identificar. Esta parte também conta com crônicas sobre autoconhecimento, a dificuldade no crescimento.

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Nesta segunda parte também há muito sobre amor à família. Também é nela que se encontra uma das crônicas mais fofas de Ruth – na minha opinião. O nome é “A casa da minha avó”, que basicamente resume tudo o que acredito e o que entendo no conceito de “lar”.

Na terceira parte, Ruth fala sobre causas que ela defende, que ela luta, que ela abraça. Lá, as crônicas abordam questões sobre homossexualidade, liberdade da mulher, feminismo, machismo, entre outras. Em resumo, causas atuais direcionadas à igualdade entre as pessoas.

Nesta parte, há diferentes crônicas extremamente importantes, como era de se esperar. No entanto, a que mais me impactou diretamente foi um texto no qual ela narra quando crianças, com aparência cigana, roubaram seu iPhone. Neste texto, ela resume o porquê decidiu não ir à polícia, se posicionou sobre os discursos de redução de maioridade penal, entre outros. É um baita texto.

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A quarta parte do livro é sobre as andanças e aventuras de Ruth. Admito que este trecho do livro não teve muito a minha atenção. Gostei quando falou de outras culturas, de experiências e tudo mais. No entanto, admito, que entre as cinco partes, foi a que menos me cativou.

Por outro lado, como um romântico e crente no amor em todas as suas formas e moldes, minha parte preferida foi a quinta e última. Ruth fala sobre as diferentes formas de amar e ser amado, de demonstrar ou não. Fala de companheirismo, de parceria, de coragem e covardia.

Também aborda os mitos nos vendidos por Hollywood, fala sobre a evolução dos relacionamentos em comparação ao passado, fala sobre a nossa constante desistência no surgimento dos primeiros problemas, fala sobre as pequenas belezas e dificuldades diárias. Também emula uma divertida conversa com as amigas sobre o encontro com um interesse romântico de uma delas (inclusive, totalmente apaixonado pela personalidade de Carol).

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Em resumo, a magia de “Um dia ainda vamos rir de tudo isso” está na facilidade de escrita de Ruth e a abordagem, com fundamento, em diferentes assuntos. É impressionante o quanto ela diz e de maneira tão fácil de ser lido em textos curtos. A autora tem certa leveza em sua escrita, mesmo falando de alguns momentos mais complicados. “Um dia ainda vamos rir de tudo isso” vale demais ser lido. E, para melhorar, é brasileiro!

Autor do Post:

Henrique Schmidt

O louco dos livros, filmes, séries e animes. Talvez geek, talvez nerd, talvez preguiçoso, mas com certeza jornalista

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