“O Caso da Mansão DeBoën” e se Scooby-Doo fosse real

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“O Caso da Mansão DeBoën”, de Edgar Cantero, publicado no Brasil pela Intrínseca, foi, oficialmente, a minha primeira leitura de 2021. O livro até foi iniciado em 2020, mas principalmente lido neste início de ano. É uma boa obra e divertida, porém conveniente.

Primeiro explicando o título da resenha: são feitas diferentes referências a Scooby-Doo. Seja na criação de um clube de detetives de mistério, ou a formação desse clube (dois meninos, duas meninas e um cachorro), ou a forma que os mistérios eram resolvidos. Ou, até mesmo, na forma que um dos bandidos falou: “Eu teria fugido com o dinheiro se não fossem esses garotos intrometidos”.

No entanto, enquanto Scooby-Doo era extremamente divertido e, digamos, infantil, “O Caso da Mansão DeBoën” foi para um lado mais traumático, um lado pós-resolução dos mistérios – ainda assim, divertido. Tornou a história mais real, mais palpável até, apesar das loucuras que acontecem na parte final do livro.

A história é boa e divertida. Começa com os protagonistas ali na adolescência/pré-adolescência, aos 12/13 anos, e finaliza com eles aos 25 anos de idade, lidando com os traumas causados por uma de suas aventuras. E são esses traumas que dão tom a toda a trama principal da obra.

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É uma trama interessante: um protagonista ficou “louco”, uma se tornou violenta/ex-prisioneira, outro uma estrela de Hollywood com problema com drogas (vão entender este quando lerem o livro) e a última teve problemas com álcool e nunca desenvolveu todo o seu potencial.

O desenvolvimento da história, mesmo que lento, vai muito bem até mais ou menos a metade do livro. Você fica completamente entretido, vai lendo e tentando resolver todos os mistérios e situações. Se preocupa em compreender tudo o que está acontecendo. Como leitor, me senti voltado completamente para a história.

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Porém, chega a metade final do livro e é uma bagunça. Se, por um lado, Edgar Cantero se preocupa, sim, em amarrar as pontas e resolver os mistérios, mesmo que podendo ser mal explicado em alguns momentos, por outro ele simplesmente joga um monte de coisa apenas pela conveniência.

Simplesmente, há coisas que aconteceram que eu, como leitor, fiquei: “sério?”. Era divertido? Sim. Mas era tão conveniente que aquilo acontecesse que se tornava chato. Fora todas as loucuras acontecendo ao mesmo tempo, com uma enxurrada de letras jogadas nas páginas, que, por vezes, fez com que tudo fosse de mais difícil compreensão. Não foram poucas vezes que eu me obriguei a aceitar tudo o que estava acontecendo para prosseguir na leitura.

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Isso fez com que o livro se tornasse ruim? Não. Mas é conveniente. E conveniência demais incomoda. Se toda a loucura resultasse em situações mais complicadas e conflitantes, poderia ter sido mais fácil de aceitar e mais interessante. Mas as situações foram resolvidas de formas tão naturais que, mais uma vez, vou repetir: conveniente.

“O Caso da Mansão DeBoën” não é ruim. É um entretenimento simples, com menção a outros elementos da cultura pop, como Scooby-Doo, e da formação de toda uma cultura literária mais voltada para os mistérios sobrenaturais, como a Epopeia de Gilgamesh. Até mesmo identifiquei certas “homenagens” a autores como H.P. Lovecraft.

Mantenha a mente aberta, pois é uma leitura divertida. Mas, se elevar o tom crítico, já coloque esse livro novamente na prateleira e escolha outro.

Autor do Post:

Henrique Schmidt

O louco dos livros, filmes, séries e animes. Talvez geek, talvez nerd, talvez preguiçoso, mas com certeza jornalista

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