CRÍTICA | ‘Pai em Dobro’ traz frustração em dobro

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O ano começou oficialmente com o lançamento da aposta nacional da Netflix protagonizado pela queridinha do Brasil, Maísa Silva. 

Com a direção de Cris D’Amato, “Pai em Dobro” trouxe grandes nomes da dramaturgia brasileira, como Eduardo Moscovis, Marcelo Médici, Laila Zaid e Roberto Bonfim. O filme também contou com a participação de Thaynara OG e Pedro Ottoni, personalidades da internet. Além de, é claro, a grande artista Fafá de Belém. 

Infelizmente nem com melhor elenco do mundo o filme conseguiria se salvar, não do jeito que foi proposto, com um roteiro apressado, previsível, esteriotipado e fantasioso (além da conta). Isso, sem falar da péssima liderança de Maísa no decorrer do filme.

“Pai em Dobro” acompanha a história da jovem Vicenza (Maísa Silva), que quando completa 18 anos decide saber quem é o seu pai. De uma comunidade hippie, a jovem vai até a cidade maravilhosa e descobre que na verdade existem dois possíveis candidatos para preencher a vaga de seu pai.

Ao contrário de outras adaptações de Thalita Rebouças, este filme é o primeiro projeto original da escritora para o streaming, o qual serviu de inspiração para o livro e não ao contrário, como de costume. Talvez esse tenha sido o maior erro da autora, que também foi uma das roteiristas. Diversos elementos propostos no enredo do longa servem apenas para o mundo literário, quando colocados no audiovisual fazem colocar à prova a inteligência do espectador. Além de se tornar confuso com a falta de informação, continuidade e também a falta de coesão para a trama.

Não há um problema de fato para ser solucionado em “Pai em Dobro“, tudo é resolvido de forma fácil demais, sem causar uma conexão com a audiência, e, principalmente, sem se tornar interessante de ser assistido. Quando tudo se torna previsível a atenção de quem está assistindo se perde, o botão de pause se torna atrativo.

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O que me deixou pessoalmente triste foi o desperdício dos atores e personagens da história. Eduardo Moscovis e  Marcelo Médici que foram os possíveis pais de Maísa entregaram um bom desempenho em suas atuações, porém com seus talentos limitados a uma história que não soube explorar o passado devidamente, de modo que criasse uma ligação.

Os atores secundários conseguem entreter e divertir, durante seus breves momentos de glória, sendo condizentes com o que foi proposto, infelizmente não é o suficiente pra se tornar algo realmente bom.

É extremamente preguiçoso a forma como a protagonista é motivada, bem como a forma como ela encontra seu primeiro possível pai. Uma foto, com um bairro no Rio de Janeiro, onde milagrosamente ele ainda se encontra morando depois de 18 anos. É forçar ao extremo a boa vontade do espectador, ainda mais se for de um carioca, vai causar apenas gargalhadas dos absurdos que a protagonista se propõe a fazer, como pegar uma carona com uma estranha na rodoviária ou encontrar alguém em Santa Tereza.

Creio eu, que seria mais condizente se a história da mãe fosse contada a filha desde de criança (de modo direto ou através de cartas ou outros meios similares), mesclando com breves flashbacks, alimentando gradativamente a curiosidade e o desejo da filha de saber o que aconteceu e quem são seus pais, e por consequência do espetador também.

O modo como foi feito foi como se a autora tivesse esgotado as suas ideias e por causa de um prazo apertado escreveu qualquer coisa (eu poderia pontuar também sobre como foi cansativo o estereótipo chato e ultrapassado dos hippies, mas deixo isso pra você caro leitor tirar suas próprias conclusões). 

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No entanto, o filme é bonito. Apesar de seus grandes defeitos e falhas, a fotografia não decepciona. Consegue explorar algumas paisagens naturais da cidade maravilhosa, trazer a energia do carnaval, e também evidenciar alguns pontos da cidade que não são tão explorados em outros filmes nacionais de modo que seja acolhedor. Tudo acompanhado de uma trilha sonora gostosa e que combina perfeitamente com a áurea good vibes do filme. 

A comédia da hippie na cidade grande, bem estilo Mulher-Maravilha conhecendo a civilização pela primeira vez, foi uma tentativa legalzinha do roteiro de trazer um alívio cômico entre os dramas. Mas, desnecessária e não acrescenta em nada na história.

A popularidade do filme se dá graças a Maísa Silva, a protagonista. Porém a apresentadora, por mais que esteja tentando se desvencilhar da sua imagem infantil ainda tem muito caminho a percorrer. A atriz não consegue liderar nem brilhar o suficiente, para uma protagonista, sua atuação é digna de uma Malhação, com atores novatos. Infelizmente, o que Maísa tem de sobra em carisma lhe falta na atuação. 

Ao fim o filme tenta emocionar, e chega a conseguir um pouco (primeira vez que Maísa derrama uma lágrima de verdade no longa), porém não causa o efeito que deveria ter causado. Há uma lição, como todos os filmes do gênero, e tenta finalizar de modo que, se a popularidade permitir, consiga ter uma sequência (espero que não!).

A história com um grande potencial de se tornar a nossa versão de Mamma Mia se perde, é fraca, preguiçosa, ainda que visualmente belíssima e com atores de potencial gigantesco. 

Nota: 2/5

Autor do Post:

Ludmilla Maia

25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

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