CRÍTICA | “Liga da Justiça” de Zack Snyder é o filme que o fã da DC merecia em 2017

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Após ouvir os fãs clamando por três anos a Warner finalmente cedeu o pedido para que a versão de Zack Snyder fosse lançada mundialmente. “Liga da Justiça” estreou hoje (18) na HBO MAX, e para os países que ainda não possuem o serviço (como o Brasil) se encontra disponível para aluguel em diversos canais de venda, como Play Store e Youtube.

Não poderia começar este texto sem deixar claro que este é um filme completamente novo e diferente, e não digo só visualmente, a trama e o desenvolvimento dos personagens são notáveis na versão do Snyder, e não tratado de forma superficial na versão de Wheedon (2017). 

Um dos melhores desenvolvimentos no Snydercut foi definitivamente o Ciborgue (Ray Fisher). Antes passado como um menino mimado e raivoso, agora Victor navega através das fases do luto, luto pela sua vida antiga que tinha perdido (assim pensava) e pelos entes queridos próximos de si.  A maturidade e o crescimento é palpável. É possível distinguir as diversas facetas do personagem, a sua dor e por fim sua superação. De um menino perdido e recém-transformado, Victor ao fim vira a parte consolidada e inteira que deve ser. Um alicerce e um apoio a Liga da Justiça.

Os demais personagens, conseguem se manter fiéis aquilo que Snyder já havia introduzido em obras anteriores. Não há uma deturpação do personagem, e por mais que você não goste da adaptação feita ela não se distancia da visão que o diretor já havia deixado exposta. 

Por mais que os trailers tenham evidenciado o papel de Darkseid, ele não é a trama principal do filme. É através dele, é claro, que muita coisa é explicada, ameaças são expostas e o futuro incerto é colocado como o maior pesadelo dos heróis. Porém, essa não é uma história sobre o maior vilão dos quadrinhos, essa é uma história sobre a maior equipe de heróis dos quadrinhos. 

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Liga da Justiça não é formada por necessidade governamental ou por causa de uma possível ameaça, a equipe é formada pela urgência necessidade de salvação, não só do mundo mas deles mesmos, principalmente de Batman que se culpa pela morte daquele que jurou caçar.

O filme é dividido em 6 partes e um epílogo, então caso você ache difícil acompanhar 4 horas é possível ver como uma minissérie, já que o diretor deixou bem explícito quando cada ato acaba. A necessidade do longa ser tão extenso é compreendida ao enxergar a explicação detalhada de cada ato dos heróis e vilões, nada é deixado a esmo, você consegue compreender como cada um chegou onde deveria estar.

Sabendo disso, venho enaltecer o melhor ato de Liga da Justiça, a “Era de Heróis”, a parte 2. É nela que conhecemos a fundo a história que liga o maior vilão da DC com os seres que habitam a Terra. E principalmente, nesta parte a “Era de Heróis” cria uma conexão entre o passado e o presente, já que em uma sociedade dividida, somente diante ao mesmo desafio que seres distintos um dos outros se reúnem novamente com um objetivo em comum.

A relação de Arthur com os habitantes de Atlântida é melhor trabalhada nesta parte, destrói a confusão causada no filme de 2017 (que deve ser esquecido) e suas ações fazem mais sentido em um longa que é o antecessor do filme solo do herói. Bem como Barry Allen, o Flash, sua personalidade ainda serve de alivio cômico, porém um pouco mais sutil e pontual. Desta vez ele é mais um entusiasta e não um bobo. Sua inteligência e perspicácia é demonstrada através de seus posicionamentos diante a um perigo eminente.

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É satisfatório ver que a Princesa de Themyscira foi respeitada nesta versão. Seus valores e história bem explorados, no tempo cabível, trazendo a melhor parte do Snydercut, a história de seus antepassados. É claro, também as cenas que pareciam ter saltado de histórias em quadrinhos, como a do banco que ganhou um toque mais “mulher-maravilhanesco”, mais pessoal e carinhoso com quem salvou (inclusive, podemos começar a fazer teorias sobre a menininha na cena do banco? Oi, Donna Troy!). Batman também não fica distante desse eixo da Mulher Maravilha, bem como a Amazona, o morcego de Gotham foi respeitado em todo seu esplendor e por mais que não tenhamos seu lado detetive em evidência, como em BvS, o herói consegue ser um bom norte para a história.

Talvez seja meu lado de fã falando mais alto, a partir de agora, mas uma das coisas que mais senti falta neste filme foi a presença do Superman. Henry Cavill nasceu para vestir o manto azul e vermelho, e sua presença, ainda que impactante, foi pequena nessas 4 horas de filme.

Uma das maravilhas do filme se dá pelo fator surpresa que o diretor conseguiu inserir por mais que os fãs já suspeitassem (e até soubessem) de certas coisas. Novos personagens são inseridos e realidades são lançadas com um olhar distinto ao que foi esperado e deduzido. Então, se você acha que já sabe da trama toda, você está enganado, esse filme vai te surpreender e te cativar com o elemento surpresa.

Há dois pontos um tanto quanto polêmicos em relação ao filme. O excesso de slow motion e a trilha sonora, duas coisas pelo qual Snyder é bastante conhecido. Há de se reconhecer que em determinados momentos o efeito lento causa um prazer visual extremo, é uma experiência única que o diretor consegue proporcionar. No entanto, certas vezes a lentidão se perpetua mais do que necessário, em outras vezes não há necessidade alguma. Ainda assim, não incomoda. Os fãs do diretor não irão estranhar já que, como mencionado, é algo pelo qual é conhecido. Já a trilha sonora, intensa, sombria e emocionante deixou a desejar em certos momentos, onde há uma quebra de emoção e a música parece não se encaixar perfeitamente ali, como se não pertencesse aquele momento.

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Por fim, concluo que “Liga da Justiça”, de Zack Snyder é a obra de arte que todo fã da DC esperava ganhar em 2017. Um filme que rende suspiros, lágrimas e uma emoção ímpar que foi retirado das mãos de um diretor que claramente ama que faz e é devoto a isso. Esse longa é a prova que o universo de Snyder funciona e que deve ganhar uma continuação. O diretor conclui a história, porém deixa em aberto a possibilidade do universo rico da DC voltar a suas mãos. E assim esperamos acontecer!

Nota: 5/5

Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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