CRÍTICA | Ozark é uma das maiores relíquias da Netflix

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Hora de falar em coisa boa! Mentiras, lavagem de dinheiro, consequências e muito, muito azul: Ozark é uma das produções mais incríveis dos últimos anos e recebe o orgulhoso selo Netflix de qualidade. As atuações fantásticas e a qualidade excepcional da série arrancaram gritos sufocados de pavor dos fãs mais ferrenhos de Game of Thrones durantes as premiações já nos primeiros passos da história da família Byrde. Então, que tal falarmos sobre os motivos de a série ter conseguido merecidas indicações nas principais categorias do último Globo de Ouro?

O show acompanha o trágico destino criminoso da família Byrde, obrigada a lavar dinheiro para um cartel mexicano após a descoberta de que o sócio de Marty Byrde (Jason Bateman) estava desviando milhares de dólares. Acuados pelos traficantes, a família não vê outra alternativa a não ser mudar-se para a região pantanosa de Ozarks e trabalhar lá para pagar a dívida deixada pelo ex-sócio. Além de lidar com o cartel, Marty e Wendy (Laura Linney) precisam conciliar seus negócios com a própria família e com os… “negociante” locais.

Ozark é uma daquelas séries com marcas registradas. Ou seja, do mesmo jeito que pensar em metanfetamina te lembra Breaking Bad ou pensar em mulheres de vermelho te lembra The Handmaid’s Tale, pensar em dinheiro, lentidão e na cor azul te fará lembrar de Ozark. Tudo acontece devido ao dinheiro, o qual adquire um simbolismo deprimente e problemático durante a narrativa. Igualzinho à vida real.

Chega o momento em que altas quantias no bolso soam como um problema, e não como uma solução. Além disso, reflexões pesadas são feitas em cima do significado do dinheiro dentro da sociedade já no trailer. Fica a dica para os cursos da área das ciências sociais. E o que não falta aqui são simbologias muito bem trabalhadas ora pelos diálogos, ora pelos enquadramentos estratégicos.

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Já a lentidão está presente nos roteiros de cada temporada. São 10 episódios por season, cada um com 1 hora de duração. Isso poderia ser um perfeito exagero que traria consigo uma trama arrastada. Porém, não é esse o caso. A trama é lenta, e os acontecimentos grandes demoram a acontecer, mas o foco aqui é a paciência e a imersão do telespectador.

Há todo um preparo para que os finais de temporada sejam grandiosos e sobressaltados na história. Em momento algum a série fica entediante e isso é um feito difícil de ser alcançado. Mas eu não julgo se alguém não gostar desse estilo contemplativo e pacientemente imersivo de se contar uma história. Estamos acostumados com La Casa de Papel e afins. Fazer o que, né?

E o azul? O azul está presente na fotografia. Absolutamente tooodos os frames possuem a cor azul explicitada e inserida por um belo filtro na tela, que deixa tudo com um aspecto frio, melancólico, silencioso, solitário… É como se não existisse calor ou alívio dentro daquela situação. Além disso, a fotografia como um todo usa a cor principal para deixar paisagens lindas ainda mais impressionantes. É impossível entediar os olhos com Ozark. É quase um Blade Runner 2049 de tão bonito.

Agora me desculpe, esse ovo eu tenho que babar: eu acho inacreditável o Jason Bateman de Arrested Development ser o mesmo Jason Bateman de Ozark. Como assim os dois papéis foram desempenhados pelo mesmo ator?! Eu fiquei sem palavras! E pra complementar e balancear o personagem dele, colocaram Laura Linney (a Mary Ann de Crônicas de São Francisco) como a esposa de Jason. Eu fiquei sem fôlego com o talento dessa mulher! Absolutamente todas as nuances do papel foram cirurgicamente bem executadas por Laura. Ela cresceu tanto ao longo das temporadas que chega ao ponto de roubar o protagonismo com louvor!

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E para fechar o trio, Julia Garner é uma explosão. Simples assim. Essa garota ainda promete muito para Hollywood! Todas as expressões faciais, a linguagem corporal, o sotaque (SIM, o sotaque que ela força na série NÃO É NATURAL)… É tudo tão bem executado que ver a atriz falando normalmente me causa um estranhamento satisfatório e surpreendente. Portanto, não me foi uma surpresa tão grande assim as indicações nas categorias de Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante em Série no Globo de Ouro.

E as premiações não param por aí. Uma rápida pesquisa no mostra um resultado impressionantes de indicações ao Emmy, Sindicato dos Atores, Critic’s Choice Awards, Satellite e ainda outros! É um feito impressionante.

Por fim, a terceira temporada é uma perfeita obra-prima. Não possui defeitos e é uma das melhores coisas que a televisão já viu em décadas! Eu ouso dizer que Ozark é a substituta espiritual da aclamada Breaking Bad, mas com uma pitada de The Sopranos. Ozark já é um clássico (infelizmente) não reconhecido pelo público. É uma série que pertence a um seleto grupo equiparado a clássicos do cinema. Séries como essa são uma raridade. E (felizmente) já está renovada para a 4ª temporada.

Nota: 5.0 / 5.0

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Autor do Post:

Matã Marcílio

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Um pré-fisioterapeuta nordestino que, perdido no mar das incertezas, fez das palavras seu refúgio. Um pouquinho mais de duas décadas de leitura e sedentarismo causado pelo prazer de deitar em frente a um espelho negro e observar toda a glória do homo sapiens ao escapar da realidade terrivelmente entediante. “Jojo Betzler. Hoje, só faça o que puder.”

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