“Mundos Paralelos” e o talento dos autores brasileiros

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Um livro com dez contos voltados para temáticas futuristas e/ou ultratecnológicas. Esse é o resumo do livro “Mundos Paralelos”, distribuído pela Mundo Estranho, da editora Abril. Dez escritores da plataforma Wattpad se reuniram para escrever estas histórias em formato físico. E, na minha opinião, deu muito certo, mostrando o talento e a versatilidade de cada um deles.

Admito que, entre os dez nomes, o único que eu tive contato direto com alguma obra anterior foi o Marcus Barcelos, que já conta com resenhas aqui na Referência Literária, da Tribernna, com os livros “Horror na Colina de Darrington” e “Dança da Escuridão”. Mais uma vez, uma história dele me conquistou, desta vez foi “Abbie”, que está presente no livro.

Eu não gosto de dar nota às histórias, até porque eu gostei bastante de nove dos dez contos do livro – não revelarei qual não curti muito –, porém três me conquistaram completamente, ao ponto de eu ler mais de uma vez. Além de “Abbie”, os contos “Alegoria da Caverna”, do Felipe Sali, e “Amigo de Lata”, da Aimee Oliveira, tem um algo a mais, que me deixaram com vontade de ler mais obras destes autores.

Falando rapidamente dos três contos em questão, “Abbie” chama a atenção pela simplicidade e, mesmo assim, o ambiente sombrio criado em poucas páginas. Ademais, Barcelos acerta demais em dar um rápido salto temporal para mostrar as consequências daquela noite, finalizando bem a história.

“Alegoria da Caverna” me conquistou por ser uma espécie de releitura do mito de Platão, mas envolvendo também o amor. Eu estava curioso com a forma que Sali ia utilizar o mito em um conto futurista ou tecnológico, mas ele teve bastante êxito. O plot twist me pegou inteiramente desprevenido. Não consegui terminar o conto de primeira. E, este, em especial, eu só li uma vez, pois ainda não tive coragem para reler.

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“Amigo de Lata” traz uma visão mais positiva da tecnologia e do futurismo, mostrando o quão benéfica ela pode ser, caso seja utilizada da maneira correta. O conto da Aimee é muito singelo, eu diria até fofo, e se desenvolve muito bem, abordando, principalmente, a insegurança infantil.

Outros seis contos são ótimos também, mas não me atingiram da mesma forma. Talvez, até mesmo, pela repetição do enredo. Não que as histórias sejam similares, mas contam com, basicamente, o mesmo inimigo: o Estado – e isso não está errado, apenas para deixar claro. Porém, ao ler o primeiro, foi legal. O segundo, beleza, segue legal. No terceiro eu já estava pensando: “de novo?”. Mais uma vez: são histórias diferentes. O único conto que eu não gostei nem foi por achar ruim, mas bobo.

Caso você, assim como eu, tenha dificuldade em ler histórias digitais e, por isso, não seja grande frequentador do Wattpad, “Mundos Paralelos” é uma pedida certeira. Permite que conheçamos melhor os novos talentos brasileiros que estão surgindo, o que eu gosto muito. Acho, inclusive, extremamente importante conhecer o mundo literário brasileiro além dos tradicionais e ultraconhecidos que temos contato já no período escolar.

Autor do Post:

Henrique Schmidt

editor

O louco dos livros, filmes, séries e animes. Talvez geek, talvez nerd, talvez preguiçoso, mas com certeza jornalista

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