CRÍTICA | “The Father” pode ser considerado um dos melhores dramas do ano

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Recém lançado nos cinemas brasileiros, The Father (Meu Pai) carrega o peso de retratar o caminho árduo rumo a senilidade e faz isso com louvor.

Dirigido por Florian Zeller, o filme tem dois grandes artistas da dramaturgia como seus protagonistas: Anthony Hopkins, como um homem que está adoecendo gradativamente por causa de sua idade, e Olivia Colman que faz no filme a sua filha que está a todo momento buscando o melhor ao seu pai.

A princípio o filme pode se tornar confuso aos olhos desatentos, visto que sua história não é contada de forma linear. Ambientes são mudados, personagens desconhecidos aparecem sem explicação e rostos conhecidos se tornam apenas uma lembrança, além do espaço vazio entre as cenas, onde não sabemos onde termina e onde começa de forma contínua.

No entanto, isso tem uma boa explicação. Assistimos o filme como se estivéssemos na mente de Anthony (Hopkins), se segurando a cada familiaridade e a cada fato que ele acha que é o correto em sua mente. Pequenos detalhes o levam a crer que está perdendo controle da sua mente, e assistir isto é uma das coisas mais dolorosas que poderia ter visto. 

Ao longo das 1 hora e 30 minutos do filme, podemos conhecer fragmentos da história de Anthony. Tudo é muito incerto, exceto pelo amor e ligação com sua filha. A relação entre pai e filha é explorado ao extremo, em sua dor e devoção. O amor e o laço gerado entre os dois é além do imaginável. É imensurável o amor que você tem que sentir pelo o outro para sobreviver ao assistir a trajetória da perda [ainda em vida] de alguém que você conheceu e admirou durante toda sua existência.

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Hopkins foi, novamente, excelente em sua performance. Foi caótico, dramático e transmitiu todo sofrimento e confusão necessário para criar uma história surpreendentemente dolorosa. Sem dúvida alguma, o ator construiu um dos melhores dramas de sua carreira.

O ator protagoniza ao fim, após dar um completo espetáculo em todo filme, uma das melhores cenas do último ano do cinema. É genuinamente triste e comovente quando seu personagem se sente perdido e sozinho, é o retrato mais fiel da doença, quando o enfermo se dá conta que perdeu o controle sobre quem ele é.

Não é a toa que o filme está concorrendo a 6 indicações no Oscar deste ano. Um longa cuja história consegue cativar o pior da perda, em vida, e transformar em algo tão majestoso deve ser exaltado. A fotografia, a montagem e a direção do filme andam de mãos dadas com a atuação excepcional do elenco que marcou a história do cinema.

The Father está em exibição nos cinemas brasileiros.

Nota: 5/5

Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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