CRÍTICA | ‘Os 7 de Chicago’ e a injustiça gratuita dos EUA na década de 60-70

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“O mundo todo está assistindo !”

Estados Unidos, final da década de 60 e início da década de 70, o país estava inserido no cenário da Guerra do Vietnã e todos os líderes da principal potência mundial estavam destinados a mandar ainda mais homens entre 18 e 24 anos para campos de batalhas com o objetivo de vencer a guerra. Enquanto isso, grupos opositores à guerra juntavam forças para serem ouvidos na Convenção Nacional Democrata que acontecia em Chicago em 1968 e anunciava a candidatura de Hubert H. Humprey à presidência.

Esse movimento trouxe uma comoção com efeitos assombrosos para a história dos EUA e deixou conhecido os nomes de Abbie Hoffman, Jerry Rubin, David Dellinger, Tom Hayden, Rennie Davis, John Froines e Lee Weiner.

É essa a ambientação do filme histórico da Netflix que está concorrendo a 6 categorias do Oscar 2021, são elas: Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Sacha Baron Cohen), Melhor Roteiro Original, Melhor Canção Original (Hear My Voice – Celeste), Melhor Fotografia e Melhor Edição. Com roteiro e direção de Aaron Sorkin, o filme tem como principal objetivo mostrar toda a trama dos 151 dias de julgamento dos oito “escolhidos” do Governo para pagarem pelas consequências de todo o movimento.

O elenco é composto por grandes nomes como: Yahya Abdul-Mateen II, Joseph Gordon-Levitt, Eddie Redmayne e uma breve participação de Michael Keaton. Minha aposta, entre todas as categorias que o filme está concorrendo é Sacha em ator coadjuvante, sua interpretação de Abbie Hoffman foi formidável, mesmo que minha atenção estivesse sempre em Tom Hayden, o personagem do Eddie (por motivos óbvios de sempre ser um arraso em todos os papéis), mas me decepcionei um pouco com a participação dele, foi um pouco apagada durante o filme inteiro, já Sacha com certeza foi um destaque.

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Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen ) ministrando reunião da Yippies. Foto reprodução: Netflix, 2020

Gostaria de ressaltar a atuação extraordinária do Frank Langella como juiz Julius Hoffman, responsável pelo caso, ele conseguiu passar para o telespectador ainda mais revolta de ver uma autoridade, claramente, abusando do seu poder por motivos políticos e já entrar em julgamento sabendo qual seria a sentença antes mesmo de ouvir qualquer testemunha e examinar qualquer prova. Durante o julgamento inteiro você sente um desconforto absurdo.

Frank Langella como juiz Julius Hoffman durante o julgamento. Foto reprodução: Netflix, 2020

Os cortes entre realidade e ficção deram ao filme um ar de documentário moderno, como se os atores realmente tivessem passado por todo o drama que foi o julgamento inteiro. Outra aposta pessoal é para a categoria de melhor edição, a história tinha tudo para não ser fluida e até um pouco cansativa, mas a edição brincou o tempo inteiro com a linha do tempo e transformou um momento histórico.

Outra participação que esperei ser mais ativa foi a de Yahya Abdul-Mateen II, Bobby Seale sendo chefe dos Panteras Negras foi injustamente acusado de assassinar um policial no movimento mesmo sua estadia em Chicago ter sido apenas de 4 horas, compreensível que seu papel de fato não tenha sido bem explorado, mas nem por isso merece demérito, como único negro em um tribunal liderado por elitistas brancos, Bobby tinha consciência de que sua presença era apenas para amedrontar, de alguma maneira, o público. Ele foi silenciado em todas as vezes que tentou se pronunciar à corte, foi amordaçado e aprisionado enquanto todos os outros podiam desfrutar da liberdade durante o período do julgamento. A voz de Bobby foi representada até pelo olhar de Yahya.

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Uma comparação entre o atorYahya Abdul-Mateen II e Bobby Seale

Nota: 4,4/5

Nota pessoal: Mesmo tendo gostado absurdamente da qualidade do filme e do desenvolvimento da história, acredito que em um cenário melhor Os 7 de Chicago não estaria concorrendo a categoria de melhor filme, da lista da premiação mais aguardada da noite ele é o que tem menos potencial de levar essa estatueta para casa, mais uma vez afirmo que não é que o filme seja ruim, pelo contrário, é filme difícil de ser assistido, não é uma distração para ver em um domingo a tarde com a família, é pesado e revoltante,  mas mesmo assim não segue o padrão Oscar dos últimos anos. Então se você gosta de filmes que tenham um quê de realidade, que seja entendível e que não te deixe de saco cheio até o final porque não precisou muito para entender as metáforas discorridas durante 2h, então essa é a escolha perfeita.

Os 7 de Chicago é um filme de 2h10min de duração e está disponível na Netflix. Confira o trailer a seguir

Autor do Post:

Barbara Sales

administrator

A dorameira que, de vez em quando, se perde na lista de dramas, mas que sempre está adicionando coisas novas. Aprendiz da Corvinal, gosto de ler uns livros aqui e acolá e, raramente, escrevo sobre. Amante de fantasias e romance (não necessariamente na mesma ordem).

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