CRÍTICA | “Cruella” um desastre visual mas muito bem vestido

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A vilã que assombrou os pesadelos de uma geração inteira dos anos 90/começo dos anos 2000, ganhou um filme de origem para chamar de seu!

Nesta sexta (28) estreou nos cinemas e simultaneamente no Disney+ Premier Acess, “Cruella“, estrelado por Emma Stone e dirigido por Craig Gillespie, um filme que refaz a imagem criada da vilã dos 101 dálmatas.

É deixado claro desde dos minutos iniciais que esta é uma releitura da icônica personagem, até porque há uma transformação. Cruella não é mais vilã e sim uma anti-heroína, uma personagem caótica mas que tem um limite (o limite é: não matar cachorrinhos!!!).

Essa transformação não causa um desconforto aos saudosistas que inevitavelmente vão a todo momento realizar comparações com a antecessora, interpretada por Glenn Close em 1996. Porque o contexto inserido é interessante e convincente, é possível crer que a sua loucura, de nascença, é gradativa e a possibilidade dela atingir o nível amedrontador que conhecemos nos anos 90.

Como toda boa anti-heroína, Cruella tem um passado triste, com perdas, dor e solidão, e no topo desse bolo recheado de clichê há uma antagonista a sua altura, a Baronesa, vivida por Emma Thompson. 

Por muitas vezes Thompson se assemelha a vilã de Close. Sua performance e sua frieza trazem uma versão mais refinada da Cruella, e um pouco mais sombria e sanguinária. O embate entre as duas é uma das melhores coisas, suas interações com tiradas afiadas, suas mentes brilhantes entrando em conflito. Não existiria uma Emma sem a outra.

O filme, por mais que se afaste da versão dos anos 90, ao criar uma narrativa que nos faça simpatizar por Cruella, tenta realizar uma conexão com os personagens do seu filme antecessor. Por mais que ele não seja assumidamente um prequel, há personagens que só apareceriam anos mais tardes sendo inseridos ali.

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Além dos seus capangas, agora amigos de infância, Jasper e Horácio, também há Anita e Roger, que no filme dos 101 dálmatas são os donos dos dois cachorros adultos. Porém, esses dois últimos que mencionei não se conectam com a história que referenciaram, seja pela linha do tempo, seja pelos seus papéis em si no filme, suas profissões e personalidades são totalmente distintas. Parece que o diretor só queria colocar um easter egg para os fãs.

Há de falar que o ponto mais forte do filme são os figurinos, e não poderia ser diferente! Estamos falando de uma das personagens mais fashionistas da história! Cruella exala e transpira moda, e moda punk! A personagem fala através de suas criações, manifesta, grita, se impõe e, principalmente, se vinga. Todas as suas aparições, já como Cruella e não Estella, são de tirar o fôlego. Sua postura muda, seu olhar se incendeia e suas roupas dão vida a uma personagem memorável.

A figurinista Jenny Beavan representa com perfeição o contraste e o embate de Cruella e Baronesa através da moda e de suas criações. Enquanto uma trabalha de forma mais clássica e deslumbrante a outra é uma grande revolução revigorante.

Quem caminha de mãos dadas com o figurino é a trilha sonora, um prato cheio para os amantes dos anos 70. Como a história principal se passa em Londres, em plena febre do punk, a trilha sonora acompanha toda essa atmosfera. Há para todos os gostos, de Queen a Nina Simone, somos agraciados com a melhor seleção de músicas.

No entanto, nem tudo são flores. O maior pecado do filme são seus efeitos especiais. A escolha de utilizar CGI em algumas cenas com os cachorros pode ter sido boa na teoria, mas na prática foi tenebrosa. Havia um contraste visível e era possível notar quando era real e quando não era, destruindo toda magia da imersão que a história deve causar.

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A computação gráfica aparenta ser extremamente precária e de mal gosto em diversos momentos do filme, e ao fim piora. Piora e muito. É vergonhoso como isso pode ter acontecido com um filme da Disney.

O enredo do filme em si é bastante simples e prefere permanecer no “seguro”. Não consegue surpreender, e nas revelações e mudanças catastróficas não causa o efeito que deseja. Apesar de 2 horas de filme, ele não consegue dosar bem esse tempo e não trabalha com um desenvolvimento de sentimentos de forma gradual.

O filme não tenta romantizar a vilã que matava cachorrinhos, ele humaniza e recria a personagem. Dá uma motivação, um passado e uma história que a faça ser menos sombria e cruel. É uma boa escolha para uma nova geração, mas distancia cada vez mais da essência vilanesca da personagem. Aqui, a Cruella não é má, ela é caótica (e não usa peles!).

“Cruella” é cheio de furos, com uma péssima computação gráfica e um roteiro clichê e previsível. Mas, consegue trazer boas atuações, um figurino impecável e uma trilha sonora excepcional. É um bom passatempo, mas não passa disso. 

Nota: 3,2/5

Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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