CRÍTICA | “Servant” cozinha o suspense muito bem, mas passa do ponto na segunda temporada

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A série de terror psicológico, que tem como produtor executivo o famoso M. Night Shyamalan, conta a história de uma família envolvida em um grande mistério. O jovem casal, Dorothy (Lauren Ambrose) e Sean Turner (Toby Kebbell) contratam Leanne (Nell Tiger Free) para ser a babá de seu filho recém-nascido. Mas, com o passar do tempo, fica explícito que nada é realmente o que parece.

A trama misteriosa e o suspense que paira no ar de cada episódio é impressionante, tanto que nem sentimos que a série se passa praticamente inteira dentro de uma casa. Mas é claro que para isso, o design de interior foi muito bem projetado, uma vez que explora diversos ambientes da casa com direito a vários andares, e o kit completo de um porão e um sótão. Além disso, as cores comunicam a sensação de um local inóspito mesmo com esse vasto espaço, com muito uso de cinza, preto e diferentes tons de madeira. Para uma história que já começa estranha e aos poucos fica mais angustiante, essa construção visual funciona muito bem como representação de um local onde as coisas tendem a dar errado.

Conforme vamos sendo introduzidos aos personagens, durante o avançar da trama, ficamos sabendo de alguns detalhes do passado da família. A revelação de um acontecimento importante vem aos poucos, de forma que instiga a nossa curiosidade e faz com que o espectador vá ligando os pontos.

A profundidade emocional abordada de cada personagem é importante para compreender o estado psicológico em que se encontram. E os realizadores sabem equilibrar uma dose de humor junto ao suspense pesado. Um grande mérito desse humor é graças ao ator Rupert Grint, que entrega ótimos momentos de sarcasmo durante diálogos em cena. E isso sem que pareça destoante de seu personagem (Julian), pois revela um mecanismo de defesa, em como ele lida com a situação triste de sua irmã Dorothy. Além disso, todos os personagens parecem ter seus momentos condenáveis ou de redenção, transparecendo uma certa imprevisibilidade boa da trama.

A direção dos episódios algumas vezes ficou por conta do próprio Shyamalan (3), e em outros por sua filha Ishana, que ela além de dirigir dois episódios da segunda temporada também trabalhou no roteiro de três. Os dois exercem um ótimo trabalho, carregando essa essência misteriosa, com bom uso de closes em elementos que comunicam algo importante na simbologia da história. Também fazem um excelente uso da iluminação escura que deixa tudo com um aspecto sombrio, melancólico e às vezes até desconfortável.

Porém, nem tudo é perfeito. No desenrolar da segunda temporada, muitas coisas parecem ter sido propositalmente arrastadas, para que o drama pudesse durar mais tempo até o final da temporada. Existe também uma inconsistência com o tratamento de alguns personagens secundários, que inexplicavelmente mudam para se adequar ao novo foco da história.

A série já foi renovada para uma terceira e quarta temporada, e torcemos para que eles consigam retomar o ritmo da primeira adicionando novas camadas de surpresas na história.

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Você pode conferir as duas temporadas no catálogo da Apple TV.

Nota: 4/5

Autor do Post:

Bruna Berlitz

administrator

Crítica de cinema e graduada em Produção Multimídia. Experiência na área do audiovisual, com ênfase em filmagens e edição de vídeos. Essencialmente da casa Lufa-Lufa, apaixonada por gatos, e gosto de pregar a palavra de Jane Austen por aí.

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