CRÍTICA | 4ª temporada de “Elite” recicla antigos personagens em uma trama já conhecida

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A nova temporada de Elite estreou nesta sexta (18) trazendo novas adições ao elenco da série espanhola, mas ainda se prendendo a antigas fórmulas.

Após o lançamento de “Histórias Breves“, Elite nos coloca de volta ao ambiente escolar de Las Encinas que está envolvido novamente em tramas pra lá de sensuais e misteriosas. 

Com sua marca registrada, a série se inicia com um possível assassinato e cabe a nós descobrir quem é a próxima vítima e seu possível assassino. Fique calmo que eu não irei me aprofundar nisso e vou lhe poupar de possíveis spoilers.

Cada temporada teve um viés mais forte a ser explorado, uma foi mais focado no mistério, enquanto a outra no drama. Esta sem dúvida foi a temporada mais sensual e quente de todas. As cenas proibidas para menores tiveram uma direção mais intensa, e por muitas vezes quase que explícita. Desta vez a fotografia, a direção e os cortes contribuíram para tornar as cenas de sexo e provocações mais imersivas do que antes já visto. As temporadas anteriores, diante dessa, parecem quase um celibatário. 

O que mais chama atenção nesta temporada não é o mistério do possível assassinato em si e sim a adição dos novos personagens a história. Além dos irmãos Ari (Carla Díaz), Patrick (Manu Rios) e Mencía (Martina Cariddi), também temos um príncipe – meio refugiado – na história, o Phillipe (Pol Granch). Ao contrário da terceira temporada, que não teve um bom aproveito do novo elenco (tanto que nenhum deles retorna para esta temporada), neste novo ciclo os novos personagens tiveram um grande impacto na história e fizeram parte do arco principal e secundário. Sendo, por muitas das vezes, mais relevantes do que o elenco regular.

Acontece que tamanha relevância se deu através de um desenvolvimento, tanto individual quanto na trama, reciclado das temporadas anteriores. Por muitas das vezes senti que a 4ª temporada foi algo reciclado da 1ª, não há nada novo, nem surpresas ao longo dela. É tudo bastante previsível.

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É perceptível que Ari  foi criada para ser uma nova versão de Lucrécia (Danna Paola), com toda sua atitude um tanto quanto soberba, patricinha afrontosa com uma relação familiar complicada. Até seus relacionamentos lembram o desenvolvimento de Lu. Infelizmente, a comparação entre as duas chega ser injusta, porque Diaz não consegue ter o mesmo carisma de Paola, não consegue promover uma empatia e ligação com a audiência e sua personagem acaba por ser simplesmente irritante, e não um tipo de “meu malvado favorito”.

Seu irmão na trama, Patrick, vem carregando o peso de ser o próximo Polo (Álvaro Rico). Sua personalidade, sua aparência e até o trisal fadado ao fracasso o personagem protagoniza. O que diferencia entre os dois é que apenas um é um assassino, mas acho que ainda é um pouco cedo pra falar que Patrick não é um assassino em potencial…

Ainda que exista essa reciclagem, como uma tentativa desesperada de fazer o raio cair no mesmo lugar duas vezes e criar novamente uma personagem tão marcante quanto Lucrecia, esse não foi o maior defeito da temporada. 

A maior decepção é o retrocesso que diversos personagens tiveram, principalmente Guzmán (Miguel Bernardeau). Sua jornada, entre a 1ª e 3ª temporada, é deliciosa de assistir. A atenção que o roteiro teve de promover um crescimento notável e gradativo (não só nele como nos outros) era uma das maiores vantagens da série, assistir a sua evolução. Todavia, isso tudo é jogado por terra, pois como eu já disse anteriormente, essa temporada parece ter sido reciclada da primeira, e isso se estende a construção do personagem. Toda sua evolução e os laços que havia criado são apagados e ele se transforma novamente no playboy mimado e egocêntrico do início. É frustrante e a história acaba se tornando…decepcionante.

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O que anda de mãos dadas com a frustração é o desenvolvimento de Ari com Guzmán e Samuel. Beira o ridículo. Não faz sentido algum como em tão pouco tempo dois amigos fiquem tão balançados com uma menina que não dá nada de bom a eles, somente arrogância. Não há uma história entre eles capaz de fazer isso ser compreensível, é simplesmente uma tentativa desesperada de forçar guela a baixo um triângulo amoroso sem química, sem rumo e sem sentido algum.

Inclusive um dos maiores desperdícios da série foi não ter explorado a relação entre Rebe, Caye e Guz, que protagonizaram o melhor “Histórias Breves” lançado na semana de estreia da nova temporada. Aliás, nada que foi mostrado nesse especial foi explorado, como de esperado.

No entanto, calma fã de Elite, a temporada realmente não foi de todo ruim. Enquanto Guzmán teve um retrocesso, Cayetana (Georgina Amorós) deu a volta por cima e mostrou uma nova faceta, totalmente renovada e carismática Amorós deu um show de atuação e conquistou o coração do público que acompanhou sua trajetória. Um arco de redenção com direito a traumas e um dos posicionamentos mais importantes na história de Elite.

Um dos melhores acertos neste novo ciclo foi a introdução de Mencía e por consequência seu relacionamento com Rebeka (Claudia Salas). Apesar de ter um começo intenso e rápido demais (igual os outros relacionamentos dessa temporada), as atrizes compartilharam uma química invejável e a melhor da temporada. Por mais que Mencía seja claramente uma nova versão da Marina (María Pedraza), a relação que ela cria com Rebe, por mais que conturbada, só evoluía e tinha um rumo claro em seu desenvolvimento. 

Outro grande acerto foi a escolha de inserir na trama principal o poder que homens influentes tem sobre a vida das mulheres, os seus efeitos e consequências. A história consegue abordar como e onde cada abuso se faz presente, disfarçado de salvador, uma oportunidade de emprego, um amigo e até mesmo alguém que você ama ou idealiza. 

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A temporada traz como um grande sinal de alerta as formas que abuso físico e mental pode vir revestido em sua trama principal. E consegue abordar de forma gradativa, de uma maneira que a introduza nas histórias paralelas com a principal e por fim revelando que ela era o ponto central da trama.

Ao fim é perceptível quão afobado os roteiristas estavam ao criar o enredo dessa temporada. O desespero que introduzir muita história e conexões em pouco tempo se dá graças a saída de mais personagens da série, é visível o nível de desespero para criar uma conexão dos novos personagens com o público a todo custo. É tudo muito apressado e atropela muitas etapas da narrativa, em comparativo com o que já foi desenvolvido até agora.

Elite mostra que ainda sabe usar a sua fórmula de maneira atrativa e que entretém, mas falha em inovar e aposta na construção de personagens já existentes e uma trama já explorada. A 4ª temporada soa como um grande flashback, sem criatividade e na maior parte do tempo sem roupa.

Confira as críticas da primeira, segunda terceira temporada.

Nota: 3,5/5

Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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