CRÍTICA | “A Lenda de Candyman” se desvencilha do seu antecessor em uma história melhor executada

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Após 29 anos da estreia de “O Mistério de Candyman“, considerado um clássico cult do cinema, “A Lenda de Candyman” chega nos cinemas como uma continuação espiritual do clássico dos anos 90. 

Com a direção de Nia DaCosta e roteiro de Jordan Peele e Win Rosenfeld, o filme traz a história de Anthony McCoy (Yahya Abdul-Mateen III), um pintor que fica obcecado pela história da lenda de Candyman, um assassino que aterrorizou os moradores do complexo habitacional de Cabini Green anos atrás.

Apesar do filme ser uma continuação do clássico, ele não se prende ao seu antecessor, ele insere elementos do clássico na narrativa ao introduzir o medo sobrenatural e a obsessão do protagonista. A todo momento em que a lenda ganha destaque o espectador que viu o filme dos anos 90 sente nostalgia, mas quem não viu não se sente perdido graças a quantidade de informações postas em tela, que não deixam restar qualquer dúvida. 

Durante toda a duração do longa, ele não se apoia em criar uma atmosfera tenebrosa e aterrorizante a todo o momento. O enredo cria uma imersão gradativa, tanto do protagonista quanto da audiência, para a lenda de Candyman. Então, os momentos onde o terror sobrenatural é explorado, ganham evidência em momentos cruciais para a narrativa evoluir em paralelo ao desenvolvimento dos personagens.

Vale ressaltar que o filme não se apoia na exibição de cenas gratuitamente violentas, como se quisesse chocar o espectador a qualquer preço. O mistério que cresce em torno da figura misteriosa que só podemos ver seu reflexo causa mais terror do que os corpos ensanguentados ao chão, bem como a loucura gradativa do protagonista. Yahya Abdul-Mateen III foi capaz de executar com perfeição essa insanidade pelo qual seu personagem foi submetido. Sua obsessão, seu descontrole e sua entrega foram essenciais para a criação de um enredo mais envolvente que o antecessor.

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Outro ponto extremamente positivo é que em “A Lenda de Candyman” não há brancos salvadores. A história da lenda que se baseia em tragédias do povo negro é contada por negros, que estão em uma posição distinta a da marginalização e dos estereótipos ultrapassados. A parceria entre DaCosta e Peele foi crucial para a implementação desses elementos que fazem toda diferença em uma história que pontua com precisão tópicos que afligem até os dias atuais a comunidade preta.

Um dos grandes pilares do filme para a criação de uma áurea mais tenebrosa foi definitivamente a direção de fotografia e a sonoplastia do longa. Foram pequenos detalhes que fizeram uma grande diferença para uma imersão completa na história, como os passos que ganham evidência em cenas mais silenciosas ou a câmera que por muitas vezes, quando em plano aberto, dava a sensação de que estávamos espionando o protagonista, como se nós fossemos o Candyman. Utilizando, inclusive, um recurso visto em clássicos como a câmera que lentamente se aproxima do personagem acompanhada de uma trilha sonora penetrante. O filme consegue mesclar artifícios do cinema cult em uma história repleta de recursos e ferramentas atuais.

A Lenda de Candyman” consegue trazer a nostalgia aos amantes de terror com a imposição de elementos narrativos do filme de 1992, mas se destaca ao criar uma história independente e original regida e liderada por Abdul-Mateen, que com excelência cativa o público com seu desempenho perfeitamente aterrorizante. Com a inclusão de crítica social bem assertiva, o filme vai além de um terror genérico, ele se expressa com amplitude, promove reflexão e, é claro, te aterroriza.

O filme está em exibição nos cinemas de todo o Brasil.

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Nota: 4,8/5

Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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