CRÍTICA | Eternos é o filme mais corajoso da Marvel

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A Tribernna assistiu ao filme de forma antecipada, na cabine de imprensa, à convite da Disney

Confesso que esperava um filme controverso, que dividisse opiniões e me deixasse incerta sobre minha opinião quando as letrinhas dos créditos finais aparecessem. No entanto, fica claro que “Eternos” é grandioso, único e o filme mais corajoso do MCU, até agora.

Suceder os Vingadores definitivamente não é uma tarefa fácil, ser o primeiro grande filme de equipe pós estalar de dedos do Homem de Ferro causa uma expectativa avassaladora e que Chloé Zhao conseguiu suprir com excelência (apesar de fazer alguns moradores da floresta Amazônica falando em espanhol, poxa Chloé!).

A história marca o início da jornada da Marvel que irá explorar com mais afinco o universo cósmico dos deuses. Evidenciado as lendas mitológicas inseridas na editora e que não foram muito exploradas até o momento, deixando sempre aquele gostinho de quero mais aos fãs.

Durante as quase 3 horas de filme conhecemos os Eternos, a equipe mitológica composta por Ikaris (Ricard Madden), Sersi (Gemma Chan), Kingo (Kumail Nanjiani), Makkari (Lauren Ridloff), Phastos (Brian Tyree Henry), Ajak (Salma Hayek), Sprite/Duende (Lia McHugh), Gilgamesh (Don Lee), Druig (Barry Keoghan) e Thena (Angelina Jolie) regidos pela fé em seu criador Arishem, um dos celestiais. As preocupações que tivemos quanto a ausência desses seres mega poderosos quando o mundo era ameaçado por guerras, genocídios e até mesmo Thanos não ganha uma mera explicação superficial (como eu temia), na verdade a motivação de sua omissão é um dos pilares do enredo principal. Veja bem, este não é um filme apenas com super heróis lutando contra um mal. Eternos é quase que filosófico em sua narrativa, desenvolve os personagens e suas personalidades de acordo com a sua vivência na terra, seja por experiências boas, ruins ou o efeito que a omissão de suas ações causam ao longo dos séculos.

O filme é muito sobre acreditar na humanidade, em seu desenvolvimento e capacidade de evoluir, e por mais clichê que isso possa soar, desperta a melhor essência que os heróis podem ter. E é nesse discurso que a semelhança com Liga da Justiça começa. É inevitável não comparar Eternos com a equipe de heróis da DC. Por muitas vezes podemos ver nos protagonistas os heróis da empresa concorrente, a trilha sonora deixa isso evidente, nos remetendo por muitas vezes a música tema do Superman e até mesmo do desenho Liga da Justiça: Sem Limites. Em determinado momento senti que Eternos era a Liga da Justiça que a Marvel sempre sonhou ter, os grandes deuses entre nós. O mais incrível disso tudo é que parece que a casa das ideias tem ciência disso, até porque em determinadas situações presenciamos piadas relacionadas ao universo DC Comics, como menções ao Alfred e ao Superman, além de algumas referências sutis.

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Após anos o MCU finalmente cria coragem, não só para destruir esse elo de inimizade com a DC, mas principalmente para inserir um casal homoafetivo sem esconder a sua sexualidade, criando uma família, um vínculo afetivo e até mesmo um beijo carinhoso em tela. O que pode parecer bobo aos que não fazem parte da comunidade, entendam: isso é uma representatividade ansiada pelos fãs do universo há anos. Isso faz diferença, ainda mais vindo de um personagem com relevância e importância na trama.

É necessário deixar claro que Eternos não é apenas corajoso por isso (apesar de ser um passo muito importante para o cinema, especialmente nos dias atuais), o filme traz a ousadia por se desvencilhar da famosa fórmula Marvel. Ainda que tenha o humor característico, dessa vez é pontual, acertando na maior parte do tempo sem causar um clima desagradável. Além do mais, este é um dos poucos filmes que conseguem acertar o gênero necessário para cada arco da história, conseguindo explorar aventura, ação, comédia e até mesmo thriller.

Em Eternos as relações entre os heróis é explorada condizente com os laços criados ao passar dos anos, sabendo que eles se conhecem no começo do filme, na sua chegada à Terra, acompanhamos o crescimento de cada um deles e suas escolhas. Apesar do casal principal ser composto por Sersi e Ikaris, foi a relação entre Thena e Gilgamesh a melhor desenvolvida, mesmo que tenha deixado no ar que os dois foram ou não mais que amigos, era claro o amor, carinho e cuidado que os dois compartilhavam, era palpável o sentimento mútuo, ao contrário de Sersi e Ikaris que, por mais que a história tentasse vender um amor que ultrapassa gerações, pareceu no fim das contas algo mais carnal do que encontro de almas gêmeas.

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Deixando o romance de lado, cada membro dos Eternos carrega uma singularidade que deixa a história mais fluída, sem tornar chato ou cansativa de acompanhar. Se por um lado temos alguns sarcásticos, centrados ou até mesmo um sábio guia, a Marvel não deixou de adicionar a comédia que já é conhecida. O humor fica a cargo de Kingo, que vira um ator de Bollywood e amante do estrelato, suas reações são genuínas e sua personalidade traz leveza a história, definitivamente uma das surpresas positivas da trama. Kit Harington acompanha o lado humorístico do filme, surpreendendo quem o conhecia apenas como Jon Snow, já que agora o ator está mais desenvolto, leve e com algumas frases de efeito no melhor estilo Marvel Studios.

Realmente não há o que se dizer (negativamente) quanto aos personagens e seus arcos inseridos, Chloé Zhao foi perspicaz em inserir um dilema entre eles, no sentido do que é viver, nas consequências de suas escolhas ao formar seu caráter e transformando deuses em humanos (em sua essência). O filme acaba ganhando uma dimensão mais dramática e séria do que os filmes anteriores da Marvel, abrindo um novo parâmetro aos próximos longas que poderão beber da mesma fonte.

próximo parágrafo pode conter spoiler

Ainda assim, preciso comentar sobre Ikaris: é impossível não compará-lo com o Capitão Pátria, de The Boys, ou até mesmo Omni-Man, de Invencível. Por mais que o herói pareça tentar ser uma versão mais séria do Superman (inclusive tem uma piada sobre isso na história), Ricard Madden não consegue entregar o carisma necessário para se tornar um símbolo. Sua atuação não corresponde aos de seus companheiros e ele acaba se apagando por diversas vezes. Inevitavelmente se apoia nos poderes de seu personagem e cenas apelativas alá super herói, o ator enfim deixa a desejar quando precisamos de sua atuação ao máximo. O que é uma pena, porque o que era pra ser um plot twist ao fim, não gera o efeito desejado, já que era bem previsível com tudo que foi alimentado ao longo da trama.

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fim do spoiler

Deixando um pouco de lado agora a construção dos novos heróis, o enredo em si, Eternos carrega também consigo o afastamento da Marvel às telas verdes. Fica evidente que algumas cenas são de computação gráfica, no entanto as que se destacam são as em cenários reais. A diretora soube bem explorar cenas de ação e tensão em locais adequados para tal, como uma praia, um deserto e até mesmo uma densa floresta. Os recursos naturais foram de mãos dadas com os arcos da trama para criar uma experiência mais diversa ao filme. Todavia, os efeitos especiais são relativamente inferiores aos filmes anteriores, ainda mais se compararmos com Guerra Infinita ou Ultimato, porém é compreensível, esperamos que na sequência (já confirmada) notemos alguma evolução.

Por fim, Eternos é um grande caça referência a cultura pop (e história da nossa humanidade), um filme corajosíssimo em explorar uma vertente diferente da Marvel, sem medo de ser mais adulto, por muitas vezes mais sério e dramático, e definitivamente mais inclusivo. Talvez seu maior defeito seja apenas o choque de muitas informações novas. Estamos sendo apresentados a um novo universo, uma nova dinâmica, e a diretora optou por fazer tudo isso (mais a inclusão de um grande ser celestial) em apenas um filme, o que pode fazer com que ele seja um pouco exaustivo (pela quantidade de informações dadas) em comparação aos outros filmes da mesma empresa, que são mais leves e fáceis de digerir. No entanto, é claro que não perde o brilho. Eternos nasce como um clássico, grandioso e guardando pra si o potencial de uma sequência avassaladora e inesquecível.

O filme estreia nos cinemas em 4 de novembro.

Nota: 4,5/5

Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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