CRÍTICA | Vingança e Castigo revitaliza o gênero do faroeste em uma história sangrenta e impactante

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Apesar de alguns tropeços em algumas de suas produções originais, há momentos em que a Netflix consegue mirar e acertar em mega produções cinematográficas… e esse é o caso de Vingança e Castigo. Contando com um elenco gigante, composto por Idris Elba, Regina King, Jonathan Majors, Zazie Beetz, Delroy Lindo, LaKeith Stanfield, RJ Cyler, Edi Gathegi, Danielle Deadwyler e Deon Cole.

O primeiro trabalho de Jeymes Samuel como diretor e roteirista do longa, ao lado de Boaz Yakin que co-escreveu o roteiro, marca uma renovação ao gênero do faroeste, revitalizando um estilo cinematográfico, o modernizando, tornando-o inclusivo e mantendo o melhor que os filmes de faroeste trazem, os clássicos e bem característicos tiroteios, emboscadas, conflito de gangues e um grande prato sangrento de vingança.

Vingança e Castigo traz a história do embate eminente entre os dois rivais Nat Love (Majors) e Rufus Buck (Elba), enquanto o primeiro lidera um bando que funciona como um tipo distorcido de Robin Wood do faroeste, roubando ladrões que roubam bancos, o outros é temido em toda nação, acompanhado por uma gangue que não costuma perder e não hesita em matar.

Em suas 2h16min de duração, o filme segue com uma fotografia espetacular, além de trazer uma identidade bem específica, consegue se mesclar com o roteiro e acrescentando simbologias notáveis que são acessórios da narrativa. Como a trilha sonora, a fotografia consegue mesclar o passado e o presente na identidade do longa, trazendo elementos específicos do gênero do faroeste, porém com um olhar mais moderno, mais acentuado e mais sofisticado. É claro que o filme ainda tem a identidade de um filme de velho oeste, porém, como dito anteriormente, ele o revitaliza, refresca e traz um gênero adormecido ao mainstream novamente.

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A trilha sonora anda de mãos dadas na função de mesclar o passado e presente, todavia esse não é o único papel dela. Misturando hip hop, rap, blues, reggae e até mesmo ópera, as músicas compõem atmosferas que fazem a imersão na história ser mais completa. CeeLo Green, Alice Smith e Jay Z, que também foi produtor do filme, foram um dos grandes nomes que integram a lista de músicas que ultrapassam o filme, consigo visualizar as grandes chances de indicações nas grandes premiações do ano que vem.

A narrativa de Vingança e Castigo demora um pouco para “pegar no tranco”, porém uma vez inserido na trama é impossível tirar os olhos da televisão. A história segue um ritmo agradável, misturando momentos dramáticos com a tensão do velho oeste em confrontos recheados de violência. Algumas ferramentas utilizadas são clichês e comum do gênero, no entanto não é algo que debilite a história ou incomode o espectador, só o torna algo mais confortável de assistir, algo conhecido. Talvez seu maior pecado seja a falta que fez o desenvolvimento da relação entre os personagens secundários dos bandos com os principais, a relação construída (em ambos lados) de anos em assaltos e confrontos é dita brevemente e não mostrada, que causaria um impacto maior.

As pequenas falhas do filme são compensadas com as atuações majestosas de um elenco único! Cada personagem traz consigo uma personalidade distinta e contribui para uma história que vai fazer você ficar de queixo caído ao fim. Acompanhados disso estão a importância de sua existência, que ecoa um grito contra o esquecimento e apagamento de cowboys negros, como os filmes norte americanos costumam geralmente fazer.

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Vingança e Castigo é um dos grandes acertos da Netflix dos últimos anos. Um tiro certeiro! Uma produção com elenco majoritariamente negro sem apelar aos estereótipos a eles sempre inseridos consegue ditar um novo parâmetro, fazer história e marcar o começo de uma era moderna e inclusiva a um dos gêneros mais antigos do cinema, que anteriormente também era um dos gêneros mais segregacionistas.  Aos amantes de filmes do velho oeste, aproveitem pois esse filme é um prato cheio para 2 horas de puro divertimento.

Nota: 4,7/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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