CRÍTICA | ‘American Crime Story: Impeachment’ é ideal para fofoqueiros

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Uma temporada para fofoqueiros: assim é ‘American Crime Story: Impeachment‘, baseada no livro de Jeffrey Toobin intitulado ‘A Vast Conspiracy: The Real Story of the Sex Scandal That Nearly Brought Down a President’, de 1999.

Em seu terceiro ano, a série conta agora a história por trás de um dos maiores escândalos políticos da história dos Estados Unidos da América e acompanhamos sob o olhar de Monica Lewinsky (Beanie Feldstein), Linda Tripp (Sarah Paulson) e Paula Jones (Annaleigh Ashford) o processo de impeachment de Bill Clinton. Essas mulheres foram arremessadas aos holofotes em decorrência de brigas partidárias e pelos crimes sexuais cometidos pelo presidente.

O elenco afinado está entregue aos seus personagens. Sarah Paulson está inacreditável. Beanie Feldstein, Clive Owen (que interpreta Bill Clinton) e Annaleigh Ashford, por outro lado, não estão menos impecáveis. O contexto, cenários da trama e a fidelidade do elenco, com a semelhança aos “personagens” reais do caso, conseguem trazer de volta em mais uma temporada o primor técnico da série, que aqui se divide entre explorar a humanidade dos protagonistas e o sensacionalismo da mídia. Os figurinos e a evocação tão bem feita da década de 90 são também pontos altos.

Um detalhe importante é que pela primeira vez o crime da temporada não envolve assassinato. Ao invocar e trazer uma história da esfera política, ‘American Crime Story’ se destrava de seu público cativo. Com episódios que vão escalando os acontecimentos e vão ganhando brilho, tensão, ritmo e importância, a série só acontece e realmente entrega da quase metade ao final.

É óbvio que esta temporada traz luz sobre a história, resgata e “culpabiliza” os reais vilões deste escândalo, começando pelo “nojento” e “repugnante” Bill Clinton, e esta é a grade importância de sua existência, já que “ameniza” todo o sofrimento ao trazer um pouco de dignidade e respeito de volta à pessoa de Lewinsky, que ainda hoje sofre com ataques e na época foi taxada, no “melhor” termo, como “vagabunda”. Mas ao “novelizar” demais o caso, às vezes o roteiro se perde em “dramalhões” excessivos e longos, atrapalhando também o próprio ritmo da trama. A série ainda parece cuidadosa demais com a personagem de Linda Tripp, que pode parecer quase inocente e arrependida em determinados momentos mesmo tendo jogado a amiga na “fogueira” e arruinado sua vida. Mônica parece inocente demais, grande mocinha da história, quase boba, tola, infantil em várias circunstâncias, o que pode diminuir a identificação com a personagem por parte do espectador em muitas cenas, testando inclusive a sua paciência.

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Por estes e outros pontos, a série não consegue muitas vezes causar no espectador qualquer reação que não seja a de parece uma grande fanfic, mesmo trazendo questões tão importantes ao centro do debate, como o machismo e misoginia, o que se torna sua grande e inegável contribuição. A dramatização passa do ponto e traz detalhes que não interessam a narrativa, funcionando apenas como “enchimento de linguiça”. O caso real não deixa de ser curioso, notório e interessante, mas às vezes a narrativa é arrastada e enfadonha, como já destacado anteriormente.

Ao perder de vista o senso de responsabilidade, de gravidade das questões e situações colocadas em detrimento de uma “novelização”, ‘American Crime Story: Impeachment‘ se torna em muitos momentos, para além de uma representação da realidade, mera ficção. Por isso, acerta em cheio num público que está em busca de “fofoca”, muito mais do que em um que busca bastidores da política ou de escândalos guiados pela imprensa. E se afasta ainda mais do público das temporadas anteriores, sedentos por crimes policiais envolvendo assassinatos. Certamente agradaria ao público mais fiel de Sônia Abrão. Se isto é elogio ou crítica, cabe a você decidir.

Nota: 3,4/5

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Autor do Post:

Paulo Rossi

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Um sonhador. Às vezes idealista, geralmente pessimista e sempre por aí metido num bocado de coisas. Apaixonado por audiovisual, cearense com baita orgulho e um questionador nato com vontade de gritar ao mundo tudo que acredita.

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