CRÍTICA | “Surto” traz uma atuação deslumbrante em uma produção que nos remete a “Um Dia de Fúria”

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Sucesso absoluto em diversos festivais, incluindo o Festival de Sundance o qual saiu vendedor, “Surto” (Surge), protagonizado por Ben Whishaw acompanha a história de Joseph (Whishaw), um solitário segurança de aeroporto preso em uma vida sem propósito. Em um ato impulsivo de revolta, ele liberta seu eu mais selvagem e viverá seu dia de fúria pelas ruas de Londres.

Só pela sinopse do longa é impossível não lembrar de “Um Dia de Fúria”, é claro que somente a proposta central do filme que carrega a similaridade. Surto traz uma identidade mais original em um personagem introspectivo, dando uma outra perspectiva para um tópico debatido lá em 1993.

Durante suas 1h44m de duração o filme desenvolve gradativamente o caos eminente que cresce dentro do protagonista. Acompanhamos inicialmente sua vida monótona, chata, solitária e depois o ambiente de medo e hostilidade onde cresceu. Com o passar do filme a narrativa evidencia que o protagonista procura viver qualquer sentimento além do completo tédio que vive há anos. Fica visível que ele busca adrenalina, dor, emoção e sempre a qualquer custo, como lá no começo quando na tentativa de sentir qualquer coisa escolhe a dor em uma espécie de automutilação através da mordida.

A sua “loucura”, por assim dizer, ganha uma dimensão maior quando é escolhido a forma como o filme foi capturado pelas lentes do diretor. Apostando em diversas cenas contínuas e sem cortes, a câmera aproxima, corre, acompanha o olhar e a tensão do protagonista, nos deixando até aflitos pela privação de mais informações ao seu redor. Ou seja, cumpre bem seu objetivo.

Mesmo que o filme não seja algo realmente bonito ou esteticamente agradável aos olhos, buscando sempre locais menos atrativos ao audiovisual ou fechando em primeiro e primeiríssimo plano a todo momento, a atuação de Ben Whishaw compensa todo atrativo visual que falta no longa. Whishaw consegue convencer de seu caos desenfreado em uma atuação sem muitos diálogos e que contava muito com sua performance corporal. 

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Apesar de ter algumas coisas que fazem a gente questionar o roteiro, como a facilidade em roubar um banco, isso não atrapalha tanto assim ao consumir a obra. Já que todos os elementos que fizeram o protagonista simplesmente surtar são bem mais convincentes que suas atitudes provenientes disso.

Não posso dizer que o filme é algo fácil de ser digerido, ele pode se tornar lento e pesado para muitos, já que sua trajetória tem um foco bem específico e leva seu tempo para poder desenvolvê-lo. Ainda assim, acredito que entregue uma ótima performance de Whishaw que rendeu um certo destaque em diversos festivais de cinema. 

Surto estará disponível a partir de 19 de novembro para compra e aluguel nas plataformas digitais Claro Now, Amazon, Vivo Play, iTunes/Apple TV, Google Play e YouTube Filmes.

Nota: 3,3/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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