CRÍTICA | Tick, Tick…Boom! é criativo, magnífico, emocionante e traz o árduo caminho rumo à realização dos sonhos

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Um musical baseado em uma história real sempre é um prato cheio para os amantes do gênero que vão ávidos rumo a uma história completamente imersiva e intensa, já que a maioria carrega consigo o drama necessário para causar uma comoção e identificação na medida certa. Tick, Tick…Boom! promete isso e entrega até um pouco mais.

De Hamilton a seu primeiro trabalho como diretor, Lin-Manuel Miranda consegue transformar a peça escrita por Larson em 91 em uma bela e comovente carta de amor e admiração, não só para Larson mas para todos os criadores de peças. Inserindo diversas metalinguagens dentro da trama, tudo funciona e não fica nada confuso até para aqueles que não estão habituados com musicais. Inclusive acaba se tornando uma ferramenta que nos aproxima mais do protagonista, passando a conhecê-lo mais a fundo.

O filme parece acompanhar a mente explosiva do compositor e escritor de peças, quando opta por fazer com que a história seja de certo modo narrada por ele mesmo (como na peça que dá nome ao filme), logo as aparições de Andrew em meio à quebras de cenas e transições de momentos fazem com que uma cena simples se torne algo mais grandioso, monumental e absolutamente teatral.

O roteiro foi pontual ao criar com excelência a personalidade do protagonista e principalmente a sua visão do mundo, isso é mostrado singelamente ao longo do filme mas de forma eficaz. Acompanhamos como funciona sua mente e como ela é extremamente criativa ao saber que ele é capaz de criar uma música sobre açúcar ou fregueses chatos no domingo de manhã, também acompanhamos a relação com seus amigos e com a epidemia da Aids nos anos 90 e consequentemente o que o inspirou a criar a sua premiada peça, Rent.

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A trilha sonora consegue entrosar na história de forma fluída e natural, sem tornar a narrativa cansativa ou repetitiva, pelo ao contrário as canções implementam e somam na história, dando um toque mais especial a acontecimentos sejam grandiosos ou simplórios. O que evidência a genialidade de Larson, que evidentemente estava anos luz à frente de seu tempo.

É notório que além da direção espetacular, a montagem do musical e a escolha da narrativa, o grande fator que faz com que Tick, Tick…Boom! seja um completo estouro (perdão pelo jogo de palavras) é a performance de Andrew Garfield retratando Larson em seus quase-trinta anos. Garfield consegue transparecer com o ardor da paixão pela arte todas as esferas que o compositor tinha em vida, seu caos, seu processo criativo, a forma como sua mente brilhante trabalhava a todo vapor e também como isso poderia ser sua maior inimiga em muitas vezes. Garfield brilhou em seu  auge, brilhou no drama, brilhou em suas performances musicais e brilhou ao eternizar uma história inspiradora. 

Ao fim é impossível não sentir um cheirinho de Oscar, já que o filme entrega absolutamente tudo. Seja na atuação espetacular de Garfield, seja no roteiro criativo e único de Steven Levenson e o saudoso Jonathan Larson. O musical é íntimo e ao mesmo tempo grandioso, é tocante, gera identificação e causa dor quando ao fim você lembra que infelizmente Larson não conseguiu ver o sucesso que almejava em seus vinte e poucos anos. Tick, Tick…Boom!  acaba, ainda que sem querer, promovendo uma certa reflexão no público, a respeito de prioridades, sonhos e persistência. E principalmente como a caminhada é única, compartilhada e isso que a torna especial.

O filme está disponível na Netflix.

Nota: 5/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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