CRÍTICA | Com um péssimo timing, “A Última Noite” surpreende com uma trama ousada

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A Tribernna assistiu esse filme com antecedência à convite da Paris Filmes

Essa crítica contém spoilers

O novo lançamento da Paris Filmes, “A Última Noite” (Silent Night), estrelado por Keira Knightley e Matthew Goode, traz uma história ousada e pra lá de intrigante, abordando o fim do mundo, políticas governamentais de saúde pública e como as pessoas reagem quando percebem que estão no fim dos tempos.

O filme traz a história do casal Nell (Keira Knightley) e Simon (Matthew Goode) que organizam uma festa de fim de ano com seus amigos mais próximos para celebrar a última noite de suas vidas, já que uma destruição iminente de uma tempestade que se aproxima com a promessa de acabar com toda as formas de vida do planeta.

Apesar do enredo um tanto quanto macabro o filme passa longe da áurea sombria que a trama promete. A ambientação do filme nos leva a crer que veremos um filme natalino clichê, composto por um grupo de amigos de infância que compartilham segredos que podem destruir a noite natalina. Nos dois primeiros atos do filme apenas observamos a dinâmica entre os amigos, as crianças, fazendo um paralelo a todo fim de ano com primos chatos e tias polêmicas, conhecendo bem superficialmente suas personalidades e entendendo que há algo maior por trás, através de algumas pistas singelas.

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A sensação passada é de que o espectador é um convidado extra da festa, pegando piadas internas pela metade e discussões sem nenhuma explicação decente. A mesma sensação de assistir um filme na metade, só que nesse caso mesmo acompanhando no início ainda fica confuso de entender certas sub-tramas. 

Somente quase no fim do filme que entendemos que eles estão lidando com o fim do mundo e daí o grande plot do filme é inserido: para evitar a dor de uma morte lenta, o governo forneceu uma pílula suicida. E é nesse contexto que a grande discussão do filme mora, explorando debates políticos como a saúde pública de uma nação sendo elitizada, quando uma classe mais pobre ou fragilizada fica de fora de benefícios que deveriam ser para toda a população. Nesse caso o benefício de uma morte indolor.

“- Legalmente, para o governo, eles não existem. – Mas eles existem pai.”

Todavia, o filme teve um péssimo timing, com toda a trama girando em torno da confiança cega da população na ciência que decidiu que a morte indolor era a única solução viável para a nuvem tóxica que mataria uma nação, acabam inserindo certas falas que fazem indagar a seriedade dessa tomada de decisão (e no fim vemos que realmente não foi a melhor decisão). Levando em consideração que estamos vivendo em uma pandemia, onde a vacina é a nossa única e melhor saída desse terror, o discurso do filme (por mais interessante que possa ser) pode ser utilizado como argumento pró anti-vacinas, de modo que enfraqueça a credibilidade das vacinas em um momento tão crucial em que estamos vivendo, atravessando um nevoeiro de desinformações e invalidação da ciência. Uma trama com discurso perigosíssimo.

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Apesar de ser um enredo de fato interessante, trazendo atuações muito boas, principalmente de Roman Griffin Davis como Art, protagonizando cenas intensas com discursos que nos fazem refletir, além de emocionar ao fim com um choque imensurável, o filme ainda assim foi lançado na época errada. Sinto que há uma necessidade de ter guardado ele por alguns anos, assim seu impacto seria maior e melhor absorvido, sem deturpações em sua mensagem. 

Vale destacar que apesar do clima alegre e caótico que o filme tenta emplacar, ao fim, quando encaram seus destinos, a reação de cada família é bem distinta e correspondente com suas personalidades. Há amor, carinho e também há um certo terror, a mistura dos sentimentos entregam um final agridoce, surpreendente e no ápice do seu climax.

“A Última Noite” (Silent Night) é um filme interessante, que merece seu play. Combinando a temática do fim do mundo com o natal de plano de fundo, o longa traz reflexões interessantes em meio a um clima festivo e caótico-familiar, com atuações surpreendentes e diálogos instigantes. 

Nota: 3,7/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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