CRÍTICA | Com uma trilha sonora ímpar, “Encanto” emociona e se consagra uma das melhores animações lançada pela Disney nos últimos anos

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O sexagésimo longa-metragem do Walt Disney Animation Studios, Encanto, estreou em novembro nos cinemas brasileiros trazendo a história da família Madrigal e toda sua linhagem mágica, cheia de dons e toneladas de responsabilidades.

Ambientada na Colômbia, a extraordinária família Madrigal vive escondida em uma região montanhosa isolada, conhecido como Encanto. Em um momento obscuro da vida da avó da família, a magia da região abençoou todos os meninos e meninas Madrigal com poderes mágicos, desde super força até o dom da cura. No entanto, a nossa protagonista Mirabel é a única que não tem um dom mágico e deve lidar com a pressão imposta por si e pela família.

  • Far From the Tree

Primeiro gostaria de começar essa crítica sem falar do filme em si, e sim do curta que antecedeu sua exibição. Far From the Tree, o novo curta-metragem do Walt Disney Animation Studios, conta a história de pai e filho guaxinim através de lições, perigos e a herança que um passou para o outro. Ao contrário da maioria dos curtas exibidos antes dos longas metragem animados, esse tem um tom mais obscuro, lidando com perigos de morte e uma educação ortodoxa (e por consequência suas cicatrizes), o curta emociona ao evidenciar a quebra de um ciclo vicioso passado de gerações, mostrando compaixão, amadurecimento e o carinho paterno em uma animação que une a modernidade da computação gráfica com as técnicas clássicas das animações da Disney.

O filme é muitíssimo bem distribuído em suas 1h39m de duração, construindo uma história emocionante sobre família, prioridades, valores e, principalmente, lealdade. Ao montar uma trama com personagens tão distintos e ricos, Encanto se torna um filme encantador de assistir (perdão pelo jogo de palavras), em um show de cores e criatividade a história arranca lágrimas do espectador do começo ao fim, a cada tomada de decisão da protagonista, os obstáculos que enfrenta e a solidão que sente pela rejeição.

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Encanto consegue promover uma fácil identificação ao criar uma família tão “gente como a gente” (exceto pelos poderes né). Há de tudo no filme, a irmã deslocada, a irmã perfeita e a “pau pra toda obra”, além do seu primo favorito, a tia esquentadinha, a prima fofoqueira, a mãe amorosa, a avó rigorosa e aquele parente que acaba dando um trabalhão pra família. A criação de cada poder, correspondente com a personalidade e com o que se espera de cada um, foi executado perfeitamente, dando uma leveza a história e ajudando a protagonista seguir em rumo a sua independência emocional.

Além de toda dinâmica da família que o filme explora muito bem, o seu ponto forte é a quebra de expectativa em relação aos estereótipos criados em cima dos personagens, principalmente nas duas irmãs de Mirabel, Luisa e Isabela, que carregam fardos pesados demais em prol da família, sozinhas lidam com problemas que não deveriam existir senão houvesse uma grande responsabilidade imposta à elas.

A construção de Mirabel é algo que deve ser enaltecido. Toda sua trajetória e o caminho árduo a transforma na heroína da família. É impossível não se emocionar e se identificar com a sua necessidade de validação da família, e, principalmente, com o tratamento diferenciado que recebe por causa da falta de dons. A narrativa nos leva a “tomar as dores” de Mirabel, e por causa disso apreciando cada vez mais cada posicionamento que toma, elevando o nível do drama da animação ao máximo…sem perder o alto astral que as músicas carregam.

Falando nas músicas…não é a toa que entraram na lista de pré-indicados do Oscar de 2022, além de ser o modo “cantado/explicado” adicionando informações importantes e relevantes a história, a construção musical é majestosa, os diferentes ritmos e sonoridades bem características da cultura latina são a cereja do bolo de um filme igualmente incrível. Além disso, vale ressaltar que a dublagem em português provou mais uma vez o porquê nós somos um dos melhores do mundo, a adaptação é perfeita, os vocais, a interpretação e a clareza na pronúncia das palavras fazem com que o longa se sobressaia aos seus similares.

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A conclusão da história leva o tempo necessário para acontecer, com a revelação da história do Bruno e toda profecia por trás da família garante momentos intensos com flashbacks e clareza no propósito da família que, como a casa, estava caindo aos pedaços com toda carga que tinha de si. Encanto mostra que o que faz a família Madrigal especial não é a magia, é a união, a comunhão e a lealdade com uns aos outros são o que fazem dela tão relevante e amada pela comunidade, quando vemos ao fim que no momento de necessidade todos se propuseram a auxiliar.

Encanto é definitivamente um dos melhores filmes da Disney que assisti nos últimos anos. A fácil identificação com a carga dramática dos personagens contribui com a tonelada de emoções jorradas no espectador ao assistir o longa, além da trilha sonora que enfatiza tanto os momentos felizes quanto os mais intensos, resultando ao fim em uma experiência realmente mágica como a família que a gente aprende a amar como Mirabel ama.

“Milagres vão além, do encanto que se tem. Milagre é ter vocês, não os dons, vocês.”

O filme ficará disponível no Disney+ a partir do dia 24 de dezembro.

Nota: 5/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

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