CRÍTICA | Com a briga do século em tela, “Feud” carrega atuações brilhantes

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Uma das maiores brigas de bastidores do cinema, que se prolongou por décadas, entre as estrelas do cinema preto e branco Joan Crawford e Bette Davis foi retratada em “Feud“, produção criada por Ryan Murphy, e, agora disponível no STAR+.

Estrelada por Jessica Lange e Susan Sarandon, a série foca nos eventos que acontecem em 1962, quando Crawford e Davis se unem para estrelar o filme “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?“, que mais tarde seria aclamado pelas críticas. Com 8 episódios de quase 1 hora cada, a série retrata com pitadas de bom humor a rivalidade entre as duas estrelas, sem deixar de lado o drama que atrizes mais velhas passam em Hollywood, com a escassez de papéis e a restrição dos mesmos.

Apesar da série ter inúmeros eventos reconhecíveis para quem conhece a história das duas atrizes, fica claro que há mais ficção do que realidade. Muito do que é mostrado tem base em rumor e boatos do que teria acontecido, deixando a imaginação de Ryan Murphy falar mais alto, como suas demais produções. E é por isso que não se deve considerar Feud como um documentário e sim uma homenagem as atrizes que poderiam ser amigas desde do começo, já que compartilhavam da mesma vivência, mas machismo da indústria a transformaram em rivais.

  • Susan Sarandon as Bette Davis

Além da caracterização dos personagens e dos cenários, que foram perspicazes principalmente na ambientação do filme em questão, o que brilha em Feud é a atuação das protagonistas. Susan Sarandon assusta com a semelhança com Davis, seus trejeitos causam uma nostalgia a quem já consome os filmes da atriz e até nos leva a questionar se não há algum tipo de parentesco entre as duas. Jessica Lange brilha, como em tudo que se propõe a fazer, representando um ícone da beleza que se recusa a envelhecer, carrega cenas dramáticas e dolorosas, principalmente ao fim.

Além de toda carga dramática, a série tenta não se tornar algo tão pesado de assistir, inserindo elementos cômicos da briga das duas e um caça referência para os fãs, que tentam reconhecer as participações e menções especiais no decorrer dos episódios, além de momentos icônicos da tv e das premiações, mesmo que a série foque mais nos bastidores em si.

Ainda que haja mais “achismo” do que fatos, Feud é uma belíssima produção, com belíssimas atuações e um roteiro envolvente, a série consegue nos teletransportar a uma era do cinema que, ainda que glamorosa e responsável pela criação de clássicos atemporais, carrega muita dor, preconceito e injustiças. A série tenta não romantizar os fardos que as atrizes carregam, nem mesmo romantizar suas duras personalidades que garantiram sua solidão ao fim. 

Nota: 4/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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