CRÍTICA | Nova versão de Rebelde encontra sua própria identidade apostando em uma série focada na música

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Se você esperava uma nova versão nos moldes do clássico de 2004 ou até mesmo alguma versão mais family friendly de Elite, você vai se decepcionar com a nova versão de Rebelde, que estreou ontem (05) na Netflix.

Com um ar mais moderno e inclusivo, Rebelde traz uma história com o foco principal na música, ao contrário de sua antecessora que tinha a banda como uma sub trama e decidia acompanhar o cotidiano dos adolescentes ricos e mimados do Elite Way School. Só por essa mudança na narrativa, que se assemelha mais a Camp Rock do que Rebelde, fica claro que a série tenta se desvencilhar de todas as comparações com a novela mexicana, tentando encontrar uma identidade própria e seus próprios dramas.

No entanto, acaba sendo inevitável que uma vez ou outra a série dê aos fãs um pouquinho de fanservice, se inspirando em alguns personagens e suas histórias originais e até inserindo nomes conhecidos da novela de 2004. Aqui não temos (ainda) o duelo icônico entre Roberta e Mia, mas temos um bolsista obcecado pelos Colucci. Ainda assim, todas essas migalhas de referências são trabalhadas de modo bem superficial, ao ponto de me fazer crer que seja um mero fanservice sem tanto impacto de fato, apenas para nos introduzir a uma outra história original.

A quem acompanhou a novela dos anos 2000 é delicioso reconhecer rostinhos de ex estudantes e até de adultos que fizeram parte da novela. E o melhor de tudo é ver o que as pessoas acabaram se tornando no futuro. Como por exemplo, a Pilar (Karla Cossío) conhecida por ser uma personagem bastante invejosa, parece que ainda mantém a essência da sua versão adolescente, provando do próprio veneno e tendo sua própria Mia Colucci como filha. E falando nos Colucci, por mais que não tenhamos a presença da loirinha com a estrelinha na testa, sua família se faz presente na trama.

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Um dos maiores erros dessa temporada foi a inclusão da finada seita. Se lembramos bem de como ela funcionava (sua crueldade e o terror que causava) e de seu intuito, ao notarmos o que foi feito nessa versão fica um tanto desgostoso de assistir. Não precisamos nem fazer a comparação propriamente dita, é possível analisar friamente que a nova seita não tem objetivo nenhum a não ser ceder os caprichos do líder em implicar com uma turma de alunos. Todo esse arco fica vazio, fútil e sem sentido algum já que a seita geralmente é movida a um ideal em comum, e não há ideias a serem explorados nessa série.

Antes de deixar de lado as comparações, Rebelde apesar de ser eficiente em se destacar dentro de sua originalidade, além dos fanservices, falha em criar uma vasta quantidade de personagens, se restringindo somente na banda (e olhe lá!), a série exala receio e foca apenas em um nicho bem particular da trama, desperdiçando potencial de personagens que tem apenas meia dúzia de falas, e  em determinados momentos isso se estende ao núcleo principal. 

Enquanto a série decidiu ter Jana (Azul Guaita) como sua protagonista, ela se omitiu no desenvolvimento de Andi (Lizeth Selene), caindo no estereótipo da protagonista boazinha demais (ainda que saibamos que exale egoísmo), causando um certo tédio em determinados momentos da história. Andi (que merecia muito mais) foi restringida a um relacionamento juvenil, que por mais ótimo que fosse a limitou, deixando a personagem de fora de dramas e desenvolvimentos individuais, servindo de apoio a história da brasileira Emilia (Giovanna Grigio). Já MJ (Andrea Chaparro) talvez seja considerada uma das personagens mais emblemáticas da temporada, despertando sentimentos conflituosos e causando debate, principalmente com sua atitude ao fim (que eu achei condizente e bem certa viu!). O desempenho de Chaparro conduz a gente a uma narrativa que vai de mocinha a possível antagonista (nem tanto assim, mas foi a intenção) e de fato fica impossível realmente odiá-la, porque se parar para pensar é complexo e compreensível.

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A trama se sobressai ao criar personagens masculinos instigantes como Luka Colucci (Franco Masini) e Dixon (Jerónimo Cantillo). Enquanto Luka provoca uma possível aversão no começo, seu desenvolvimento se destaca na elaboração (ainda que um pouco superficial) de um personagem complexo e com (adivinha) problemas familiares, que ao fim surpreende e ganha o coração do público. Já Dixon tem o coração do público desde do começo, com sua personalidade vibrante, seu rap e seu carisma Cantillo traz um frescor à trama. Ao contrário de Estebán (Sergio Mayer Mori) que é preso no fantasma do Miguel (Alfonso Herrera), recria alguns passos mas não causa o efeito dramático necessário para a dimensão de sua história, sendo um artificio mal aproveitado e jogado fora.

No geral, o enredo de Rebelde é bem fraco e apressado, não nos dá tempo de absorver as reviravoltas que a história dá, nem dá tempo aos próprios personagens que não dão a resposta a altura de seus dramas, tornando tudo artificial e correndo contra o tempo de apenas 8 episódios para uma história que ansiava por mais. Ainda assim, a série carrega um atrativo, principalmente pelo carisma dos personagens, fazendo com que seja inevitável maratonar em apenas um dia.

Quanto as músicas Rebelde honra todo o peso que esse nome carrega, tanto as novas versões dos clássicos como as músicas originais são um dos pontos fortes da trama. Bem elaboradas e performadas, tudo parece algo além do que jovens adolescentes podem fazer (mas como estamos vivendo a era do tiktok e do youtube não é tão impossível assim). Não digo apenas dos protagonistas, mas como todos os coadjuvantes que acabam participando do concurso de bandas que é o foco da série.

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Fica claro ao fim que a primeira temporada de Rebelde foi inteiramente introdutória, para conhecermos os personagens, entender a dinâmica dos seis como um grupo. Apesar de ter uma narrativa bem superficial, deixando alguns furos no roteiro, a série é um bom passatempo, com uma ótima trilha sonora com um gostinho de nostalgia. Em sua originalidade, a série da Netflix mostra que estamos vivendo uma nova era de rebeldes, mais inclusiva, mais aberta a sexualidade e com a cara do jovem atual.

Nota: 3,5/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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