CRÍTICA | Pânico (2022) acerta em ser uma homenagem à franquia

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Depois de onze anos, a franquia Pânico retorna aos cinemas. Diferente de Pânico 4 (que também estreou onze anos depois do terceiro filme), esse novo longa não se coloca na sequência, se chamando apenas “Pânico” (apesar de nos referirmos a ele como Pânico 5 para diferenciá-lo do longa original de 1996). O novo Pânico traz James Vanderbilt e Guy Busick no roteiro, e Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett na direção (dupla responsável pelo ótimo filme Casamento Sangrento, de 2019).

O novo filme nos leva de volta a Woodsboro, onde a jovem Tara (Jenna Ortega) é atacada pelo clássico Ghostface, o que faz com que sua irmã mais velha, Sam (Melissa Barrera), volte à cidade. Apesar de trazer o trio principal da franquia de volta (Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette), o filme foca acertadamente no novo e jovem núcleo de personagens, que passam pelo mesmo drama de serem perseguidos por um assassino como no primeiro filme. A escolha desse novo elenco também é muito bem acertada, mesclando rostos conhecidos, como Dylan Minnette (“13 Reasons Why”) e Jack Quaid (“The Boys”), com rostos não tão conhecidos, mas que se destacam quando estão em cena, como Mikey Madison e Jasmin Savoy Brown.

Pânico “5” serve perfeitamente ao que ele se propõe: uma homenagem à franquia e ao seu criador, Wes Craven. O filme funciona como um requel, uma sequência que resgata uma franquia clássica, trazendo novos personagens e novas histórias, mas sem ser um reboot e apagar tudo o que passou, e isso é deixado muito bem explícito no filme. A franquia sempre teve esse aspecto de subverter o gênero e se auto referenciar.

O primeiro filme subverte o terror e o próprio slasher quando os personagens comentam como os próprios devem agir seguindo os filmes desse gênero. O segundo traz um aspecto que vai acompanhar toda a franquia: Stab, o filme dentro do filme. Ele brinca com adaptações e sequências. O terceiro traz discussões sobre franquias de filmes. Quando ninguém mais esperava um novo filme, o quarto chega falando sobre reboot e inicia uma discussão sobre fã. Mas é no quinto filme que essa discussão se estabelece e o filme é um fanservice enquanto critica as comunidades de fãs.

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O novo Pânico acerta no tom, misturando o slasher sangrento (trazendo mortes bem mais gráficas que os três primeiros filmes da franquia) e uma comédia satírica sobre o gênero, dando alfinetadas até no chamado “terror inteligente”. Se as atuações e a direção estão espetaculares, o roteiro perde a mão em alguns momentos, se tornando autodidata demais. Diálogos expositivos que tentam trazer um ar de fanservice, acabam deixando o caminho óbvio para quem olhar com mais atenção nos detalhes (comentarei mais sobre isso em uma parte final com spoilers).

Dentre os outros aspectos técnicos, a fotografia não se destaca muito, entrando no padrão da franquia com ângulos e movimentos que te deixam tenso a cada momento com a possível chegada do assassino. Essa tensão aumenta quando unida com a montagem muito bem feita, que se utiliza bem da câmera lenta em alguns momentos, e a trilha sonora, que traz aspectos e sons da franquia original e mistura com novas composições. O trabalho de montagem de som também se destaca, trazendo momentos de falsa expectativa junto da montagem de imagem (tem uma cena em questão que faz isso primorosamente) e usa muito bem o stereo, anunciando chegada de personagem ou acontecimentos com sons sutis, como o motor de carro ou o abrir de porta ao fundo.

Pânico de 2022 conquista muito bem ao que ele se propôs, traz de volta uma franquia sem estragá-la (o que tem sido muito comum em Hollywood), agrada muito bem aos fãs sendo uma bela homenagem à obra original. É difícil encaixar esse novo longa em uma classificação dentro da franquia original, ele está longe de ser marcante como o primeiro filme, mas está no mesmo nível (ou próximo dele) do quarto filme, que retoma a franquia, trazendo novas discussões, mas sem esquecer as principais características da franquia. Pânico (e aqui falo da franquia como um todo) não é apenas um filme de terror, é uma discussão sobre o fazer cinema e uma reflexão (e uma brincadeira) sobre filmes slasher.

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ATENÇÃO: ÁREA DE SPOILERS

Aqui prezamos pela experiência completa do filme, então se você ainda não o assistiu, indico fortemente a não ler essa parte final do texto.

Tem duas coisas que eu não poderia deixar de comentar. A  primeira é a morte de Dewey (David Arquette), os próprios assassinos explicam o porquê de terem matado ele na narrativa, e realmente faz sentido a morte de um personagem querido que sobrevive desde o primeiro filme para dar uma carga dramática maior. O filme dá vários prenúncios sobre essa morte trazendo um tom dramático e melancólico na primeira aparição do personagem e por mais que a gente adore o Dewey, sabíamos que se alguém do trio principal fosse morrer, seria ele.

Sobre os assassinos, o filme nos disse o tempo todo que eram eles. Todos que morreram tinham ligações com os personagens dos filmes originais, exceto Amber (Mikey Madison) e Richie (Jack Quaid). O filme quis nos mostrar que era Richie no momento em que Dewey conversa com ele e Sam (Dewey ainda fala “não confie em quem você ama”). Amber era obcecada por Tara e Sam, odiava Sam em níveis elevados e deixava isso bem explícito, ela era uma opção tão óbvia que passou despercebido enquanto os personagens jogavam acusações de um para o outro sobre quem era o assassino. As obviedades não estragaram o terceiro ato que foi espetacular. A cena em que Amber se revela assassina é brutal e surpreendente (pela forma que se deu) e toda a cena da cozinha até a revelação do Richie é um suco de fanservice que desceu deliciosamente nas nossas gargantas.

NOTA: 4,8/5

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Autor do Post:

Hector Sousa

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Sergipano. Bacharel em Cinema e Audiovisual. Cineasta, podcaster e improvisador. Escreve para Tribernna sobre cultura pop. Amante daquele pagodinho e fã do Miles Morales.

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