CRÍTICA | O reality sul-coreano “Solteiros, Ilhados e Desesperados” é viciante e ousado

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Em dezembro, Netflix começou a distribuir internacionalmente, semanalmente, o reality de namoro “Solteiros, Ilhados e Desesperados“, acompanhado pelos comentários de uma bancada composta pelo cantor Kyuhyun (do SUPER JUNIOR), Lee Da Hee, Hong Jin-kyung e o rapper Hanhae. Ao longo de 08 episódios de 1 hora de duração, o programa traz mais da cultura de namoro dos coreanos, fora da romantização dos doramas e com muita dose de padrões irreais de beleza.

O reality reúne 10 solteirões coreanos no melhor estilo que esse programa pode oferecer, todos belíssimos e com corpos esculturais. Presos em uma ilha deserta denominada “inferno”, o objetivo dos participantes é formar casais para ganhar encontros em um hotel luxuoso denominado “paraíso”, até que ao fim fuja da ilha com seu par ideal. O grande diferencial do programa é que informações pessoais, como idade e profissão, não devem ser compartilhada nos “inferno”, logo você deve gostar da pessoa pelo que ela é e não pelo que ela pode te oferecer.

  • apresentadores

  • participantes no primeiro dia

Durante os episódios podemos conhecer um pouquinho de cada participante, suas preferências no romance, suas personalidades, suas qualidades e defeitos. Tudo fica mais interessante quando compartilham do mesmo affair e começa a pairar sobre o ar aquele clima desconfortável em ver seu/sua amado/a indo ao paraíso com outro(a). O reality que começa morno começa a esquentar com intrigas por debaixo dos panos, ciúmes e algumas discussões entre os casais que vão se formando. Gradativamente nos faz distanciar da ilusão dos doramas e nos acerta em cheio como os homens e mulheres realmente se relacionam.

Entre o comportamento dos participantes, que vão a “sonho” a decepção, o maior defeito do programa foi romantizar a perseguição que um deles praticou durante todos os episódios. O fato de que Se-Hoon gostou da mesma mulher e permaneceu insistindo nesse romance, por mais que ela se esquivava de seus convites ou o rejeitava, foi colocado na narrativa do programa como algo similar a “perseverança” e o ideal de um amor forte e fiel, o que claramente não foi isso. Suas atitudes a sufocaram ao ponto dela ser “vencida pelo cansaço”, cansaço esse que foi evidenciado em um dos últimos encontros onde ela chorou e deixou claro quão pressionada ela se sentiu, não só por ele mas como pelos demais participantes que insistiam para que ela desse uma chance a ele. 

Os demais casais tiveram boas histórias e narrativas criadas para deixar o programa mais atrativo e divertido de se assistir, com reviravoltas, declarações e novos casais surgindo, o programa se torna viciante de assistir. A 1 hora de duração passa voando e você fica sedento por mais. Até agora não descobri o porquê é tão viciante, já que ele mantém distância de todos os realitys brasileiros e estadunidenses, não há beijos, cariciais, nada mais saliente, mas toda dinâmica entre o grupo, por mais contida que seja, se torna algo realmente divertido de assistir.

Os comentários da bancada foram a escolha certa para que “Solteiros, Ilhados e Desesperados” funcionasse com uma identidade própria. Sem a existência de apresentadores convencionais, a presença dos quatro soa como um react de cada episódio, conversando com a audiência e comentando a cada evento que acontece durante o episódio. Com comentários assertivos e pontuais, a bancada é o alívio cômico do programa e uma diversão a parte.

“Solteiros, Ilhados e Desesperados” serve também para observarmos como o padrão de beleza sul-coreano é realmente algo quase impossível de se atingir na vida real, a preferência por mulheres que tem como característica principal a pureza e a inocência traz um debate mais profundo que essa crítica vai nos levar a fazer, além do colorismo que se mantém firme em todos os episódios (e traz um debate ainda mais intenso a respeito da cultura sul-coreana), causando as vezes até um certo desconforto. Apesar de ser divertido de assistir, é inevitável alguns debates que o programa passa a oferecer com esse choque cultural, com um peso maior nas mulheres.

Nota: 4/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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