TRI CULT | “A Tortura do Silêncio” o suspense dramático que reuniu Hitchcock e Montgomery Clift

Siga e Compartilhe:

Um clássico um tanto quanto subestimado, dirigido pelo brilhante cineasta  Alfred Hitchcock e estrelado pelo galã dos anos 50 Montgomery Clift, “A Tortura do Silêncio“, lançado em 1953, trabalha em suas 1h35m de duração o tormento do voto católico de um padre que não pode revelar o que lhe foi confessado: um assassinato.

O filme não é bem como os outros trabalhos de Hitchcock, mais pelo seu desenvolvimento em si, o que é até compreensivo já que foi um projeto que ele se dedicou por décadas, e durante seu processo de produção o roteiro foi alterado diversas vezes por diversos roteiristas. Todavia, o longa leva consigo uma assinatura bem distinta do diretor, que aposta em captar cenas que aproveitam da sombra, da escuridão e de ângulos audaciosos cheios de metalinguagem, adicionando uma pitada extra de tensão ao seu thriller. Além disso, o fato de que nós sabemos quem é o assassino logo nos minutos iniciais do filme faz com que a história evite de brincar de “detetive” e aposte em trabalhar o que lhe deu nome; a tortura de um silêncio.

A trama vai além do “não posso contar então sofro pela culpa e moral“, ele conduz a uma jornada em que o sacramento da confissão é elevado ao maior respeito e honra a igreja católica, é possível induzir a diversos debates do que seria moralmente ético e como vemos a figura do padre dentro da igreja e a própria instituição em si. 

Assim, o filme se afasta mais do que já vimos de Hitchcock, visto que sua aposta maior é no drama da história do que no noir propriamente dito. Isso se intensifica com a inserção da história do passado do padre, o que o levou a se tornar um padre. Tudo que envolve o protagonista na verdade acaba se tornando uma crítica a visão da sociedade em relação a figura que ele impõe na sociedade, um homem livre de pecados que não pode ter um passado, desvirtuando o que ele realmente é: um ser humano.

READ  CRÍTICA | “Correndo Atrás” é uma comédia em linha reta

Compõe o elenco, além de Clift, a icônica Anne Baxter, que também fez o clássico A Malvada com Bette Davis (que vai ganhar um texto aqui na Tribernna em breve). Baxter não tem o tempo de tela de Clift, nem um peso similar dentro da trama, ainda assim seu desempenho consegue ganhar mais destaque do que do protagonista. Dando vida a uma mulher complicada, com um passado triste e amargurado, ao mesmo tempo uma mulher apaixonada e devota, Baxter é a dose dramática do longa, a dose que faz ele se tornar mais comovente e impactante.

Infelizmente Clift deixou a desejar no filme, talvez a combinação com o estilo de Hitchcock não teria sido tão vantajoso para o seu estilo mais recatado, sutil e doce de atuar. A história precisava de um personagem mais intenso e denso, alguém que se impõe, ainda que em silêncio. E o que Clift fez no fim das contas foi entregar uma atuação morna digna de fazer o filme não se popularizar dentro da cinematografia do diretor.

A direção do filme é eximia, até nas partes mais “fracas” do filme, elas são o ponto alto do filme, já que conseguem conduzir o propósito principal do filme. A magia do cinema mora onde é possível extrair de um terreno perigoso (a igreja) uma história de suspense que surpreende com a tensão que alimenta ao longo da duração da trama.

O espectador se vê levado durante a narrativa do longa, em momentos mais intensos se vê aflito por saber a verdade e não poder entrar na tela e resolver o mistério, a mesma sensação que o protagonista vive tortuosamente durante toda a duração de “A Tortura do Silêncio“.

“A Tortura do Silêncio” está disponível na HBO MAX.

Nota: 4,1/5

Avalie a produção!

Autor do Post:

Ludmilla Maia

administrator

25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

    Continue Reading

    Previous: SÉRIES | CW encomenda um episódio piloto para “Gotham Knights”
    Rate article