CRÍTICA | “Ataque dos Cães” é belíssimo e faz jus às suas indicações ao Oscar

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Ataque dos Cães é o filme com mais indicações no Oscar 2022, somando 12 indicações em 11 categorias, e sendo favorito em muitas destas categorias. O filme é dirigido e roteirizado pela já premiada Jane Campion, e baseado no livro homônimo de Thomas Savage.

Ataque dos Cães (ou The Power of the Dog, no seu título original) não é um filme fácil, e tudo bem, porque ele não se propõe a ser. Não é um filme que tem ação ou que entrega as informações para o espectador, sem que ele precise pensar muito (o que vem na contramão dos filmes originais Netflix). O filme tem um ritmo lento e nos apresenta as nuances dos personagens, principalmente nos detalhes. A princípio nada parece fazer sentido, mas com o decorrer do filme, ele nos entrega informações que fazem a mente se abrir e entender o que está acontecendo.

Mas sobre o que é o Ataque dos Cães? O filme que vende uma imagem de um faroeste, é na verdade um drama que se passa no período costumeiro de faroeste para falar sobre masculinidades. Exceto a Rose Gordon (interpretada pela maravilhosa Kirsten Dunst, que entrega uma das atuações da sua vida), o núcleo principal é formado por três homens bem distintos: Phil Burbank (Benedict Cumberbatch), George Burbank (Jesse Plemons) e Peter (Benedict Cumberbatch).

Cada um desses personagens nos apresenta uma uma face da masculinidade e suas consequências no mundo ao seu redor. Phil é o homem bruto que precisa se provar ‘cabra macho’ e não aceita que homens não demonstrem a masculinidade através da sua força, é o personagem mais cowboy do filme. George, irmão de Phil, é aquele homem ridicularizado, que vive à sombra do seu irmão e procura o seu lugar no mundo. Peter é um rapaz supostamente homossexual, sensível e que quer cuidar dos outros ao seu redor, mas sofre as consequências disso no ambiente que vive. Enquanto Rose é a mulher que sofre com as diversas masculinidades e a pressão de ter um homem na sua vida.

O longa é tecnicamente lindo. Jane Campion é primorosa na direção (o que a faz favorita, para mim, nessa categoria do Oscar) e também mede muito bem a mão no roteiro, com poucos diálogos, mas precisos. A fotografia é exuberante, explorando muito bem as paisagens naturais e os cenários. A direção de arte exprime muito bem nos figurinos o que os personagens querem passar além das falas, e fazem uma caracterização de ambiente muito boa. O som não se destaca tanto, mas tem seu papel fundamental, enfatizando o ambiente deserto e interiorano que os personagens vivem. O ponto negativo do filme fica para a tradução do nome do filme para o Brasil, que fez perder o sentido do seu título.

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Ataque dos Cães não é um filme para se ver em qualquer momento, não é um filme para se assistir dividindo a atenção com outras tarefas, mas é um filme muito lindo de se assistir e que te faz refletir por horas depois de subir os créditos. Jane Campion mostra mais uma vez porque é uma das grandes cineastas contemporâneas e finalmente faz a Netflix nos entregar um filme digno de Oscar e muitos elogios.

Nota: 5/5

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Autor do Post:

Hector Sousa

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Sergipano. Bacharel em Cinema e Audiovisual. Cineasta, podcaster e improvisador. Escreve para Tribernna sobre cultura pop. Amante daquele pagodinho e fã do Miles Morales.

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