CRÍTICA | Com leveza “De Volta aos 15” traz uma história aconchegante e com a carinha dos anos 2000

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Flogão, Orkut, MSN, Tamagotchi, locadoras de fitas e dvds fizeram parte de uma geração inteira de jovens dos anos 2000, seja você, na época, criança ou adolescente, essas coisas definitivamente marcaram sua vida. Como uma volta no tempo, totalmente nostálgica e emocionante, “De Volta aos 15” estreou hoje (25) na Netflix contando uma história capaz de cativar a audiência com sua leveza e carisma.

Baseado no livro homônimo de Bruna Vieira, a história segue a vida de Anita, uma mulher de 30 anos extremamente infeliz que acaba voltando no tempo para os seus 15 anos, porém, com sua mentalidade atual. De volta ao passado, Anita tenta consertar a vida das pessoas que ama, mas cada pequena mudança que faz, altera completamente o futuro e nem sempre de forma positiva.

“De Volta aos 15” conta com um grande elenco com nomes como Maisa Silva, Camila Queiroz, Klara Castanho, Pedro Ottoni, João Guilherme Ávila, Mariana Rios, Felipe Camargo entre outras estrelas e acerta em cheio na caracterização dos personagens, ainda mais quando realizamos uma comparação entre futuro e passado. O visual composto, principalmente, entre Maisa e Camila, que vivem a Anita em épocas diferentes, traz uma fácil associação, ainda que as atrizes não sejam semelhantes fisicamente. 

Há de enaltecer o trabalho impecável tanto do figurino quanto da composição do cenário, atentos aos pequenos detalhes, trazendo nostalgia e dando características específicas aos personagens, compondo uma identidade original e aderindo a personalidade de cada um. É claro que “De Volta aos 15” foca em Anita, então é com ela e a partir de sua visão que vemos um olhar mais atento nesse aspecto, seja nos pequenos detalhes de seu quarto que trazem nostalgia, como o biscoito que come, o seu computador, os pôsteres dos filmes, as revistas da Capricho, a almofada de coração, o mp3 player, seja também como ela, do futuro, enxerga o mundo, com um olhar saudosista a moda emo, referências a Sandy e Jr e Avril Lavigne, e até mesmo a lembrança de uma época não tão distante em que alugávamos fitas e dvds.

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O desempenho do elenco nos convence gradativamente, com um primeiro episódio um pouco engessado, os vínculos não são vendidos de imediato, no entanto, o desenvolvimento nos convence do que está sendo demonstrado em tela. Ainda que Maisa tenha realizado um belo trabalho, dessa vez, Camila Queiroz que brilhou como Anita, nos fazendo ansiar por mais tempo de tela a atriz brilha um carisma inigualável, protagoniza momentos que geram identificação com público e nos faz simpatizar com a personagem até nas situações que nos contrariam. 

É claro que “De Volta aos 15” não traz um tópico totalmente inédito, podemos ver histórias similares no clássico De Repente 30, ou até mesmo o lançamento nacional Eu Sou Mais Eu. No entanto, “De Volta aos 15” cava sua originalidade ao fazer um bate e volta no tempo, quase em todos os episódios, trazendo uma protagonista carismática e imatura, que fornece ao público um conflito de emoções e um olhar compreensivo. 

A série não tenta se tornar densa ou dramática demais, apesar de alguns temas bastante sensíveis serem retratados, como bullying, relacionamentos abusivos e homofobia, a trama aborda com leveza e sutileza, mostrando que esses assuntos existem mas sem dar uma profundidade dramática a eles. E isso funciona com “De Volta aos 15“, pois a narrativa dita uma leveza que fará com que os tópicos sejam compreendidos por todos que não pertencem aquele grupo em questão.

No entanto, há uma hesitação em explorar esse drama mais intenso em assuntos que mereciam uma dosagem maior, como por exemplo: no arco familiar, entre a Anita e seu pai. Sinto que esse lado da trama foi deixado um pouco de lado, como se nos convencesse que uma filha realmente pensaria algo como: “o que aconteceu aconteceu”. E isso não transmite uma verdade, um sentimento real. É de entendimento geral que se voltássemos ao passados, e descobríssemos que há 1% de mudar o futuro de um ente querido que não está mais entre nós… nos arriscaríamos nessa pequena porcentagem. A série aborda tanto essa ligação entre pai e filha que se conforma facilmente com o destino trágico do pai, sem ao menos nos sugerir o desejo de uma mudança por parte de Anita.

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No momento em que esse texto foi escrito não poderei realizar uma comparação adequada a obra literária, então, vou me limitar a expressar meu sentimento após o episódio final: a série é tão bem conduzida que nos faz querer mais, querer mais dos personagens, revisitar uma época nostálgica e o sentimento de rever as pessoas que não fazem mais parte da nossa vida. E, principalmente, nos faz ter a vontade de ler os livros de Bruna Vieira, o que já comecei a fazer.

Com referências atuais e clássicas, “De Volta aos 15” com apenas 6 episódios de meia hora cada conduziu uma jornada de aprendizado e amadurecimento, como um clássico teen dos anos 2000, a série traz um conforto, um abraço à distância e uma nostalgia real e palpável. Com uma trilha sonora impecável, com hits de Pitty, Charlie Brown Jr, Luka, Pearl Jam, a série é um grande pontapé inicial para uma grande história que é capaz de se desdobrar por mais umas 2 temporadas, pelo menos.

Nota: 4/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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25 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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