CRÍTICA | Em um thriller investigativo assustador, “The Batman” se consagra como um dos melhores filmes do morcego

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Um dos maiores super-heróis e, definitivamente, um dos filmes mais aguardados do ano finalmente já está entre nós. Assinado pela direção de Matt Reeves, The Batman é protagonizado por Robert Pattinson e Zoë Kravitz e traz em tela o segundo ano de Bruce Wayne (Pattinson) como o herói de Gotham, causando medo nos corações dos criminosos, levando-o para as sombras de Gotham City.

The Batman explora o terror que o manto do vigilante carrega. Logo nos primeiros minutos do filme, a narrativa nos insere em uma ambientação aterrorizante, não se limitando na perspectiva dos vilões — que são amedrontados pela figura do morcego —, mas, também, pela população que teme o vigilante e o rastro de terror que ele deixa para trás.

Talvez esse seja o primeiro, e até então o único, filme do herói que consegue explorar mais afinco uma de suas melhores habilidades: ser detetive, mesclando com o seu impacto na cidade e seu drama pessoal. Em um thriller investigativo pra lá de assustador, The Batman traz um tom mais sério, dramático e até melancólico, se distanciando da fantasia que prevalece nos filmes de super-heróis. Matt Reeves renova o gênero do blockbuster que começava a ficar saturado nos cinemas, foge dos estereótipos e ressignifica a narrativa de um filme de herói. Com um bom desenvolvimento e um roteiro instigante, ele não se apega a reviravoltas sem sentido mas nos surpreende com o desenvolvimento da narrativa e desfechos conforme a trama se avança.

A trilha sonora e a narração de Robert Pattinson contribuem para a imersão da melancolia que o personagem vive em seu 2º ano com o manto. Pattinson veste o capuz e se entrega em um dos melhores filmes já feitos do Batman. Protagonizando uma jornada de amadurecimento, nós observamos ele dando um novo significado ao símbolo que carrega no peito, seus laços e sua visão de impacto em Gotham. Apesar de todo terror que ele mergulha, principalmente nos combates, a narrativa consegue nos conduzir a uma jornada mais pessoal, transformando o herói mais real e mais humanizado.

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Há de mencionar que a caracterização de Gotham e demais locais que a compõem é de tirar o fôlego. Ao observamos de cima contemplamos a cidade chuvosa banhada com o caos, de imediato imergimos com totalidade na história contada por Reeves. No entanto é somente quando conhecemos a Mansão Wayne que compreendemos sua magnitude. Uma cidade presa no passado, parada no tempo, presa nos mesmos erros de uma glória de décadas atrás, sendo capaz de se tornar uma metáfora até para Bruce e sua estagnação pessoal. 

E é por causa disso que toda dinâmica por traz das motivações dos vilões, ou da própria cidade, se faz facilmente compreendida. Reeves mergulha na história de Gotham e da família Wayne para desenvolver Batman, que começa um pouco imaturo, violento e desiludido, para que enfim se transforme no herói que a cidade precisa e confia. 

A paleta de cores escolhida do filme traz o tom obscuro que o herói implora, mas se destaca em sua dosagem. Sem perder a mão a direção de fotografia brinca com cores, luzes e a escuridão para ditar o sentimento necessário naquele arco, seja terror ou esperança.

Apesar de termos um Pinguim notável, interpretado por Colin Farrell, foi Charada que teve seu momento de glória em The Batman. O vilão enigmático foi definitivamente a melhor escolha para ser o primeiro grande vilão do Batman de Pattinson. O antagonista possibilita o diretor ousar no lado investigativo, e foi o que aconteceu. Com uma pitada de loucura sanguinária, Paul Dano brilha em sua insanidade, nos guiando rumo a um jogo psicológico capaz de quebrar nosso herói e transformá-lo em algo maior.

Zoë Kravitz entrega uma das melhores Mulher-Gato que já vimos até então. Exalando sensualidade na medida certa, a atriz soube dosar e caminhar entre a ousadia da personagem e a fragilidade de um passado doloroso. Kravitz e Pattinson compartilham de uma química invejável, entregando tudo que vimos nos quadrinhos (e além), provando que a gata e o morcego são uma das duplas mais perigosamente sexys das histórias em quadrinhos. 

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As cenas de ação são realmente de tirar o fôlego, seja no enquadramento das mesmas como nas coreografias, Reeves nos presenteia com uma direção fenomenal em momentos que exigiam um foco maior no corpo-a-corpo de Pattinson e seus vilões. Adicionando a trama como um complemento a narrativa, as cenas dão ênfase a como a cidade enxerga o Batman. 

Robert Pattinson consegue resgatar o sentimento que estava morno há alguns anos… o porquê nós amamos Batman, porquê ele é considerado um dos melhores super-heróis de todos os tempos. Com seus ideais, conflitos e uma história dramática The Batman revive a real essência do herói, nos dando em tela momentos que honram a história do personagem nos quadrinhos, alguns fanservices dentro de sua originalidade e o frescor de assistir o nascer de um herói amado e temido.

Ainda que o clima de terror se faça presente na maior parte do tempo, ainda mais pela figura do morcego de Gotham, The Batman consegue aliviar a tensão com um humor sarcástico e pontual. Sem apelar para o cômodo e já conhecido humor pastelão, a comédia que você vai achar aqui é singela, passageira e condizente com os personagens que dizem as frases, soando natural e sem quebrar o clima instaurado pela trama.

The Batman pode ser considerado um dos, senão o melhor, filme do morcego em live action. Marcando o início de uma possível saga de sucesso, a parceria entre Matt Reeves e Peter Craig eleva o nível das produções do mesmo gênero, nos provando que é possível ser mais do mesmo. E não se engane, mesmo com quase 3 horas de filme a dupla não satura ou transforma a história em algo cansativo, pelo ao contrário, consegue extrair o melhor que o universo do herói tem a oferecer.

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O filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 03 de março, com a pré estreia no dia 01º. Ah, e se você ousar… espere até o final dos créditos. 

Nota: 5/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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26 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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