CRÍTICA | Drive My Car consegue abordar com sensibilidade o sentimento mais solitário: o luto

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Um dos destaques do Oscar deste ano é o longa japonês Drive My Car (Doraibu mai kā), dirigido por Ryusuke Hamaguchi e protagonizado por Hidetoshi Nishijima e Toko Miura. O filme chamou atenção da premiação neste ano e está presente nas categorias de melhor filme, melhor direção, melhor filme internacional e melhor roteiro adaptado.

Drive My Car é uma adaptação do conto de Haruki Murakami, que traz a história de duas pessoas solitárias que devem enfrentar e superar seu passado. De um lado temos Yusuke Kafuku (Nishijima), um ator e diretor de sucesso no teatro, casado com Oto (Reika Kirishima), com quem compartilha uma relação complexa e com um passado triste. E do outro lado temos Misaki Watari (Miura), uma jovem chauffeur que acaba cruzando o caminho de Kafuku quando se torna a motorista de seu precioso carro vermelho Saab 900.

O filme começa flertando com um romance dramático e acaba se transformando em um processo doloroso e emocional do luto. Ao perder sua esposa, Kafuku acaba se fechando em um núcleo mais restritivo do que se encontrava quando teve que lidar com o primeiro luto há mais de 20 anos. Os trinta primeiros minutos do filme, que em tese servem para uma maior compreensão do personagem, consegue se sobressair até mais que parte do desenvolvimento do longa. Drive My Car surpreende ao trazer a intimidade exposta nua e crua, no sentimento mais literal da palavra. Expõe na mesma intensidade o amor e a paixão como a dor e a traição. Cria uma relação complexa e intensa, elaborando sentimentos igualmente complexos em tela e nos levando a crer em todo sentimento conflituoso do protagonista.

O fato do relacionamento não ser levado a perfeição faz com que a história se torne mais atrativa pela infinidade de camadas que carrega consigo. E isso se reflete mais a frente, quando conhecemos a história de Watari, o relacionamento com sua mãe acaba, em partes, se encaixando nos mesmos moldes do protagonista. E, além do luto e da culpa, é aí que eles se conectam, não só entre si, mas com o público.

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A trama consegue entrelaçar a história dentro da narrativa da peça fictícia, com monólogos que espelham sentimentos ou fases da vida do protagonista. Em cenas como a do jantar, o confronto com seu passado dentro do carro e ao monólogo da peça nos minutos finais do filme, o diretor Hamaguchi consegue falar em alto e bom som com a audiência, sobre a jornada do protagonista que vive preso a uma culpa que não lhe pertence e nos faz presenciar a sua liberdade gradualmente. No entanto, o desenvolvimento acaba por ser mais lento do que esperado inicialmente. Não é um filme fácil de assistir, isso é um fato. Ele é intenso e dramático, e, além disso, explora cada etapa do luto do protagonista, seja ele evitando ou encarando, dando tempo ao tempo ao seu processo. 

Ainda assim, Drive My Car é um filme cujo roteiro bebeu da criatividade em suas metáforas e analogias dentro de sub textos ou até mesmo na direção de fotografia do longa. Seja na representação do carro vermelho na história, ou nos textos da peça propriamente ditos, o filme consegue explicar pra audiência as particularidades emocionais do protagonistas em ferramentas que estão além de seus diálogos e ações.

Fica claro, ao fim, que o filme realmente é digno de Oscar e que merece, definitivamente, ganhar uma estatueta. É extremamente difícil conduzir uma história de 3 horas de duração com diálogos sensíveis e inteligentes a todo momento, e mesmo assim o diretor conseguiu destrinchar em uma história intensa o sentimento mais doloroso e solitário que podemos passar pela nossa vida. Com atuações excepcionais e uma direção instigante, Drive My Car se consagra como um dos melhores filmes indicados a premiação desse ano.

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Nota: 4,7/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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26 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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