CRÍTICA | “Licorice Pizza” impressiona por ser comédia romântica sem comédia e sem romance

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O diretor Paul Thomas Anderson é conhecido por ser um dos mais aclamados de Hollywood, tendo dirigido alguns dos filmes mais influentes e celebrados da modernidade, como Sangue Negro, O Mestre, Magnólia e Embriagado de Amor. Mais uma vez PTA consegue indicações no Oscar, sendo as suas 9ª, 10ª e 11ª indicações (ainda sem nenhuma vitória). Licorice Pizza está indicado como Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Original, e na minha opinião ainda não será a vez do californiano levar a estatueta para casa.

Licorice Pizza conta a história de dois jovens vivendo o auge da sua juventude nos anos de 1970. Gary Valentine e Alana Kane são dois jovens que se conhecem na fila de fotos da escola de Gary, esse que é um ator de 15 anos que faz alguns trabalhos menores com publicidade. Alana já tem seus 25 anos, e ainda não conseguiu se encontrar na vida. Os dois farão parte de uma amizade bonita e uma tentativa de romance que não foi tão bem sucedida.

O filme mostra como os dois se tornam sócios de várias empreitadas, essas que começam de lugar nenhum e acabam também sem sair muito do lugar. Juntos, eles criam uma empresa de colchões de água, um playground de pinball e outros empreendimentos completamente loucos. Ao longo da história, os jovens tentam se encontrar no amor, no trabalho e na vida, e em algum desses pontos eu me perdi completamente da história do filme.

Paul Thomas Anderson explora as aventuras que as crianças participam, não apenas os protagonistas como também os amigos de Gary. Acredito que a visão de juventude que o filme desejou passar não conseguiu ser construída completamente. Em alguns momentos eu me perguntava onde os responsáveis por aqueles jovens de 10 a 15 anos estavam, e por que deixavam um grupo de crianças entrarem em “empreendimentos” que claramente exigiam demais de pessoas tão jovens.

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Não vivi em Los Angeles no início da década de 1970, mas é difícil ver todas as aventuras que as crianças entram sem ter um certo desprendimento do longa. Óbvio que meu problema com o filme não vem apenas das dúvidas mais reais como: de onde vem esse dinheiro todo? Onde estão os responsáveis? Será se essa história vai caminhar de verdade pra algum canto? Meu maior problema com o filme é a falta de conexão que senti com todos os personagens.

Gary não é um jovem legal, mas outros filmes do próprio Thomas Anderson conseguiram me cativar por personagens verdadeiramente ruins – como é o caso de O Mestre. O personagem interpretado por Cooper Hoffman, filho de Philip Seymour Hoffman (que estrelou vários filmes de PTA), em nenhum momento parece um adolescente de verdade, nem para os padrões de Hollywood. Gary é chato, tudo dá certo para ele por mágica e ele consegue ser incrivelmente pior quando tenta se ter uma visão pelo lado de Alana.

Alana, que é interpretada por Alana Haim da banda pop rock Haim, é uma adulta de 25 anos que por algum motivo anda somente com jovens com uma década a menos de idade, não procura nada real e acaba tendo uma relação estranha com um adolescente que não faz absolutamente nada de tão incrível. Em um determinado ponto do filme, a personagem entra no mundo dos adultos, e faz questão de arrastar Gary e seus companheiros junto. É impossível entender os motivos que fazem a personagem se ligar tanto a pessoas em uma fase tão diferente da vida.

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Falando sobre os dois ao mesmo tempo: não existe química para um romance. Sendo bem duro com a minha visão dos dois personagens, quase não existe química para a amizade deles. Gary faz de Alana gato e sapato, e Alana aceita tudo como se não possuísse nenhum tipo de personalidade fora ser a motorista particular do adolescente. Enquanto Gary é chato e consegue tudo que quer, Alana é interessante, porém nada que deseja dá certo. Os dois juntos formam uma soma incrível: chatos e cheio de problemas.

Quando falamos a respeito de suas indicações ao Oscar desse ano, a de melhor roteiro, na minha opinião, é fraca em comparação com os outros 4 longas. O filme deve concorrer contra Belfast e King Richard com história tocantes e contra Não Olhe Para Cima com seu humor escrachado e bem construído. Ainda não assisti A Pior Pessoa do Mundo, mas não é possível que consiga ser mais sem sentido que Licorice Pizza.

Sobre a direção, Paul Thomas Anderson é um monstro. Como já falei no início da crítica, ele dirigiu alguns dos melhores filmes do cinema contemporâneo, e já recebeu várias indicações que provam o quanto seus filmes são grandes e impressionantes. Não dá para falar mal sobre a técnica usada em Licorice, PTA é primoroso na forma que vê o mundo que ele mesmo criou. Mas ainda assim, está contra gigantes como Steven Spielberg e Jane Campion. Ainda entram na disputa Kenneth Branagh (meu favorito para a categoria) e Ryusuke Hamaguchi, com o misterioso e intrigante Drive My Car.

Licorice Pizza concorre ao lado de filmes enormes como Duna, King Richard, Ataque dos Cães e Amor, Sublime Amor, e não acredito que não tenha havido um filme melhor que pudesse estar nesse lugar nessa categoria tão importante. Fiz pesquisas para saber se sou a única pessoa no mundo que não gostou da década de 1970 criada por Thomas Anderson, e aparentemente eu fui o único que não viu o brilho que esse filme tem. Porém, algo engraçado em uma das críticas que li foi o fato de quase metade da matéria ser sobre como o diretor se relaciona bem com o produtor musical do filme, e falava muito pouco sobre o filme em si. E é isso que penso sobre Licorice Pizza indicado para melhor filme: fala mais sobre as relações afetivas com PTA do que de fato sobre o tedioso longa que ele fez.

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Nota: 2/5

5/5 – (1 vote)

Autor do Post:

Manoel Cunha

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Gamer, cinéfilo, leitor e as vezes faço algo mais da vida. Estudante de jornalismo, fã de podcasts. Gamertag: manoelcdq.

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