CRÍTICA | Em uma narrativa sensível e emocionante “No Ritmo do Coração” se torna uma obra indispensável!

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Um dos grandes destaques do festival Sundance de 2021, No Ritmo do Coração é um dos filmes mais sensíveis dentre os indicados ao Oscar deste ano. Com a direção e roteiro de Siân Heder, o longa consegue nos inserir em uma história forte ao mesmo tempo em que cria a atmosfera doce e juvenil que vimos em filmes cujo a mensagem principal é “seguir seus sonhos”.

O filme cujo título original é CODA sigla para Child of Deaf Adults, ou seja, filha de adultos surdos, em português), traz a história de Ruby (Emilia Jones), a única pessoa de uma família onde todos os membros são portadores de deficiência auditiva. A adolescente cresce ajudando os pais e o irmão surdo com as atividades do dia-a-dia e em seu negócio de pesca, o que a faz ser uma jovem reclusa e vista como estranha no colégio.

A trama consegue ganhar muito mais profundidade em seu drama, mesmo sendo inserido em uma narrativa adolescente, quando observamos a dimensão da dependência emocional que a família compartilha entre si. No Ritmo do Coração acaba se tornando mais um filme sobre quebra de preconceitos dentro da própria família do que um filme sobre perseguir seus sonhos. Isso fica visível quando vemos o irmão mais velho, Leo (Daniel Durant) externar sua frustração por não ser visto como alguém inteiramente capaz, pela sua própria família. 

Apesar do filme esbanjar de uma representatividade sem igual, sem forçar algo ao público, e introduzida de modo mais crível e, ao mesmo tempo, emocionante, fica claro que ele tem a intenção de mostrar que a família esconde sua capacidade de interação social atrás da comodidade de ter o escudo de um filha ouvinte. Ao mesmo tempo em que a filha se esconde nesse mesmo escudo, por medo de viver algo diferente do que ela já estava vivendo há 17 anos. E é dentro desse espectro que ele é desenvolvido de forma majestosa.

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O longa não tenta ser um filme sobre superações ou dentro desse estigma que somos acostumados a ver quando carregam algum protagonismo de pcd. A trama alimenta gradativamente a relação e o convício entre os familiares, entre seus erros e acertos, a própria história é emocionante porque ela sabe criar uma conexão com a audiência.

No Ritmo do Coração não é um filme inovador, até porque ele também é um remake, mas ele consegue ser eficaz ao trazer uma história que emocione e cative a audiência gradativamente. Evidenciando situações cotidianas e um progresso no desenvolvimento dos personagens, a trama conquista o público quando se torna mais intima e pessoal, sempre com uma sensibilidade ao máximo, fazendo com que todas as visões dentro de uma mesma história sejam facilmente compreensíveis pelo público.

A linguagem de sinais é a verdadeira protagonista do longa. Transformar algo que, infelizmente, não é visto com tanta assiduidade no cinema em algo que consiga trazer uma compreensão ampla da audiência, bem como emocionar, sem se tornar algo apelativo, como também ocorre no indicado ao Oscar Drive My Car, é um ponto que merece ser exaltado dentro da trama pela sua abordagem sensível e certeira.

A trilha sonora escolhida pelo longa é um show a parte, com ótimas interpretações, as músicas funcionam como uma dose perfeita para adição do drama necessário dentro da trama. Durante a cena final, a da audição, e no momento em que a protagonista canta para o seu pai logo após a sua apresentação, conseguimos absorver em sua integridade todo vinculo afetivo entre os personagens. É claro que a música, por mais que ganhe um certo destaque, não é o foco do longa, ela serve de muleta para um trajeto maior e mais significativo. Ainda assim, se torna uma ferramenta emocionante e importantíssima para o sucesso do filme.

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No Ritmo do Coração está indicado a 3 categorias no Oscar deste ano, sendo elas de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante para Troy Kotsur, o pai da protagonista. Com uma abordagem sentimental, acredito que o filme tem um grande potencial para levar para casa ao menos uma estatueta.

Nota: 5/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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26 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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