CRÍTICA | ‘The Windshield Wiper’: o amor na contemporaneidade

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Afinal de contas, o que é o amor? Em um belíssimo trabalho de 15 minutos, o diretor Alberto Mielgo busca responder a esta pergunta utilizando-se de pequenas narrativas entrelaçadas por este eixo central da existência humana. Indicado ao Oscar 2022 na categoria ‘Melhor curtametragem de animação‘, The Windshield Wiper é uma animação bastante eficiente e tocante.

O curta conta a história de um homem, que enquanto bebe café e fuma, se questiona sobre o que é o amor. Algumas situações, então, são apresentadas em tela, na tentativa de responder a esta pergunta. Tecnicamente, o trabalho é muito bem realizado. A trilha sonora dá aos contornos do desenho tons melancólicos e exacerbam o ar de reflexão e cotidiano. Como uma crônica do dia-a-dia, os personagens são meros agentes do acaso na tentativa de nos fazer pensar sobre as nossas próprias experiências. É tudo muito poético, e a animação, da forma feita em conjunto com a ‘fotografia’, funciona como um quadro vivo que traz questões críticas também, não esquecendo o mundo digital e as desigualdades sociais que permeiam todas as nossas relações.

Aparatos digitais, mensagens de texto que mais nos separam que juntam e as relações líquidas de aplicativos para paquera: ‘The Windshield Wiper‘ às vezes parece até ‘Black Mirror‘. Ao chocar minimamente em alguns momentos em um tom pesado, os temas importantes trabalhados pelo filme passam também pela nossa saúde, refletindo sobre como temos vivido e interagido socialmente. Parece muito um estudo, de certa forma. O silêncio das relações é traduzido aqui, tudo é muito ‘real’.

Sem romantizar o cotidiano e a melancolia que o amor evoca, mas jamais sem perder a sensibilidade, Alberto Mielgo encontra o balanço perfeito para transformar em uma história um tema capaz de gerar impacto por si só. Seja como for que você enxergue o amor, um fato não pode passar despercebido: muito dessa sua visão passa pelas questões da nossa contemporaneidade. E Alberto as capta de forma contundente.

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Nota: 4,5/5

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Autor do Post:

Paulo Rossi

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Um sonhador. Às vezes idealista, geralmente pessimista e sempre por aí metido num bocado de coisas. Apaixonado por audiovisual, cearense com baita orgulho e um questionador nato com vontade de gritar ao mundo tudo que acredita.

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