CRÍTICA | “X”: caótico, sangrento e o suco dos slashers dos anos 70

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A juventude sempre foi um tópico muito abordado dentro e fora da ficção. O seu valor, a dor da sua perda e sua supervalorização. X, o novo terror slasher de Ti West pela A24 traz a cobiça em sua forma mais crua e cruel pela tão desejada fonte da juventude, o fator x para a luxúria e o sucesso.

X traz em seu elenco Mia Goth, Jenna Ortega, Owen Campbell, Kid Cudi, Brittany Snow e Martin Henderson. O longa conta a história de um grupo de filmmakers, que decidem ir para o interior do Texas para gravar um filme pornográfico. O terror começa quando seus senhorios tentam encurtar sua estadia ali.

Owen Campbell, Jenna Ortega, Brittany Snow, Kid Cudi e Mia Goth

O filme é ambientado nos anos 70 e até pode trazer uma certa similaridade com o O Massacre da Serra Elétrica. Assim, ainda mais pela estrutura de sua narrativa, é inevitável não fazer algumas comparações. Em contrapartida, fica claro que as similaridades são mais uma homenagem do que a tentativa de um remake. É claro que em X, além da qualidade visual, temos um teor sexual muito maior e até uma pitada de humor. O que não acontece no longa dos anos 70. Todavia, não fique achando que as cenas serviram apenas como um apelo sexual.

Em X, a liberdade sexual está muito mais atrelada a sensualidade e a juventude que a nossa antagonista é desprovida. A forma como o filme alimenta esse conflito na mente doentia da idosa faz com que o perigo cresça de forma gradativa. Eventualmente, o seu desejo se transforma em raiva e frustração e nos rende ótimas mortes.

O terror também se alimenta do caos que é a mente da antagonista, nos surpreendendo com mudanças de perspectivas e ataques repentinos. Se tornando imprevisível dentro da previsibilidade que o gênero carrega. Além disso, insere uma onda de cenas grotescas que até conseguem causar desconforto na audiência.

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Jenna Ortega e Mia Goth

Nesse sentido, o roteiro usa e abusa de sub textos para construir um pensamento crítico em relação ao tema que o norteia. Apesar disso, X não se transforma em um terror cult-crítico social. O filme foca em criar uma tensão que fará você prender sua respiração. Enquanto as mortes causam um certo impacto no espectador, que por muitas vezes não as espera, a tensão criada anteriormente se sobressai. 

Em contrapartida, não podemos falar que esse é um slasher inédito e inovador, porque ele não é. Ele bebe do clichê e de inúmeras ferramentas da narrativa de filmes do mesmo gênero dos anos 70. Contudo, com um olhar mais moderno e melhores técnicas de montagem que constroem a tensão necessária que o filme implora em ter.

Confesso que esperava que Ortega fosse o grande destaque surpresa. Porém, fiquei feliz ao ver o desempenho da verdadeira protagonista: Goth. Todas as vezes que aparecia em tela brilhava, crescia com o ardor da juventude e a paixão de se tornar uma estrela a qualquer custo. Bem como as suas frases de efeitos, que também causaram uma ótima impressão e adição ao clima do slasher. Logo, por causa de seu belo desempenho, senti falta de um final (nem que fosse em cenas rápidas nos créditos) para a sua personagem nesse sentido: aproveitando do estrelato que uma tragédia poderia lhe oferecer.

Por fim, X se torna um ótimo divertimento aos amantes de terror slasher. Agrada com todos elementos já conhecidos, tira um sorriso com as referências claras e cria uma tensão surpreendente.

Nota: 4/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

administrator

26 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

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