CRÍTICA | Heartstopper traz acolhimento em uma doce história

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Uma das séries mais bem avaliadas da Netflix, Heartstopper estreou na última sexta (22) arrancando suspiros e conquistando os corações de uma legião de fãs que, inevitavelmente, se encontraram imensamente apaixonados por Nick e Charlie.

Baseada nos quadrinhos de Alice Oseman, Heartstopper nos apresenta o romance vivido pelos jovens Charlie Spring e Nick Nelson. Charlie (Joe Locke) é um aluno muito dedicado, mas que tem sofrido bullying na escola de forma constante desde que se assumiu gay, o que o transformou em um adolescente tímido e recluso. Já Nick (Kit Connor), é super popular e querido por ser um excelente jogador de rugby. Os dois se aproximam quando compartilham a mesma mesa todas as manhãs, desenvolvendo uma amizade imprevisível e logo mais uma paixão doce e intensa. 

A série entra no roll de histórias coming of age, com o amadurecimento gradativo e a auto descoberta de jovens adolescentes no ensino médio. Ainda que tenha o bullying se fazendo presente na construção de um dos protagonistas, Heartstopper é uma série doce, gentil e leve. Com 8 episódios de 30 minutos cada, a história segue um fluxo focado mais no amor juvenil, com um olhar inocente que somente essa idade nos proporciona.

Além de ser uma das séries mais bem avaliadas do streaming, acumulando 100% de aprovação pelos críticos, ouso dizer que também é uma das melhores e mais fiéis adaptações. O fato de Oseman também ter sido a roteirista da série contribui muito para isso. A autora das histórias em quadrinhos soube muito bem transformar sua obra para o audiovisual, sendo extremamente fiel a momentos e diálogos importantes de sua história e nos dando alterações que cabiam dentro da construção da narrativa da série.

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Não poderia deixar de comentar sobre a construção visual da série. Heartstopper não foge de suas raízes e usa e abusa de artes que os leitores já estavam familiarizados. O fato de por muitas vezes notarmos algumas ferramentas visuais que nos remetem histórias em quadrinhos contribui para a doçura juvenil e cria uma atmosfera mais convidativa e por muitas vezes mágica.

Um dos pontos pelo qual a série se sobressai a graphic novel é o desenvolvimento do grupo de amigos. Enquanto na primeira versão de Heartstopper a história é extremamente focada no relacionamento de Nick e Charlie, e seus dramas pessoais, a série consegue navegar pela diversidade dos amigos, nos dando desenvolvimentos secundários tão interessantes quanto ao do casal principal.

Corinna Brown, Kizzy Edgell, William Gao e Yasmin Finneya compõe parte do grupinho de amigos dos sonhos de qualquer adolescente. Ainda que tenham seus dramas e brigas triviais, criam o ambiente seguro (cheio de diversidade) e saudável para o desenvolvimento de uma história que irá tocar adolescentes que estão passando por situações similares, e, também, adultos que desejavam assistir uma história dessa quando mais novos. Dito isso, Netflix na próxima temporada eu não espero nada menos que um bom arco para Tobie Donovan e Jenny Walser.

Ainda assim não tem como negar que as estrelas são Locke e Connor. Além de fazer os fãs da graphic novel felizes pela semelhança física, os atores compartilham de uma química ímpar. O amor crescente, que foi apresentado com louvor primeiramente de forma não-verbal, é tão crível e de certa forma viciante de assistir. A atuação da dupla foi a grande responsável pela imersão do público na história, o que resultou em uma paixão e ligação imediata com a audiência.

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Heartstopper carrega consigo uma história que abraça multidões. Doce, gentil e carinhosa a série nada contra a maré da maioria das histórias LGBTQIA+, deixando de lado a tristeza, a dor e a solidão que as histórias do gênero tendem a explorar e dando espaço para o amor, a amizade e o acolhimento. Apesar de ter amado a leveza, mal posso esperar para o que há por vir nas próximas temporadas (sim, já tô esperando próximas!) , com o aprofundamento nos dramas pessoais de Charlie e o amadurecimento de Nick que vemos nas histórias em quadrinhos.

Nota: 5/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

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26 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

Um dia eu te conto o que significa o nome “Tribernna”.

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