CRÍTICA | ‘Lakers: Hora de Vencer’ faz um espetáculo da realidade

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As produtoras estadunidenses estão apostando alto em conteúdos sobre basquete. Em 2020 a Netflix lançou a série documental The Last Dance, sobre o Chicago Bulls de Michael Jordan. Neste ano de 2022 quatro séries só sobre o Los Angeles Lakers estão em produção: Lakers: Hora de Vencer, pela HBOmax; Meu nome é Magic Johnson, série documental sobre o astro Magic Johnson que está disponível na AppleTv; uma série documental ainda sem nome anunciado sobre a história do Lakers pela Hulu; e uma sitcom nos moldes de The Officce sobre os bastidores da franquia de Los Angeles na Netflix.

Nesta crítica vamos falar sobre a produção da HBOmax que lançou seu último episódio no último domingo (08/05). A série produzida por Adam McKay (‘Não Olhe Pra Cima’) é baseada no livro Showtime: Magic, Kareem, Riley and the Los Angeles Lakers Dynasty of the 1980s, de Jeff Pearlman. A série acompanha o time dos Lakers na temporada 1979/1980 e a sua evolução para se tornar uma das maiores dinastias da NBA.

Podemos analisar Lakers: Hora de Vencer a partir de dois pontos de vista: o de uma obra audiovisual artística que se permite experimentar; e a de uma obra que retrata a realidade alterando alguns fatos, para o bem ou para o mal. Esse segundo tópico deu bastante o que falar, inclusive tendo manifestações dos próprios personagens da série. Mas falaremos sobre isso mais para frente.

O episódio piloto do show gerou reações divididas. Há quem goste do episódio pela mescla na sua fotografia, passeando entre uma qualidade que estamos acostumados e filtros que simulam a qualidade da imagem dos anos 70/80. Há quem ache que esse artifício deixa o espectador perdido e confuso, principalmente somada ao estilo de montagem particular de Adam McKay. Confesso que o piloto me agradou bastante, justamente por ser algo diferente do que costumamos ver. A série introduz os personagens Jerry Buss (John C. Reilly) e Magic Johnson (Quincy Isaiah) através da quebra da quarta parede, e ambos personagens fazem isso por diversas vezes ao longo da série.

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Lakers: Hora de Vencer começa com um ritmo frenético, apresentando diversos personagens e colocando um pouco da trama que cada um vai desenvolver. Porém em certo momento esse ritmo frenético se torna pressa em tratar de tudo que acontece (dentro e fora de quadra) no Lakers na temporada de 1979/80 da NBA (82 jogos, 8 meses e mais playoffs) em apenas 10 episódios.

Analisando como uma obra por si só, o grande defeito de Lakers: Hora de Vencer é este, uma pressa de dar conta de muito que acaba deixando as coisas rasas e até com buracos. A série também não trata muito bem seus personagens, dando a eles uma característica exagerada, que faz sentido para a proposta do show, mas não se encaixou muito bem na execução. Apesar dos vacilos, uma coisa que o roteiro faz bem é a transição entre drama e comédia, o que faz com que o espectador se divirta muito assistindo aos episódios, mas também sinta a carga dramática que os personagens carregam.

O ponto alto da série com certeza são as atuações, por mais que alguns personagens pareçam caricatos (mais culpa do roteiro que das atuações), todos os atores e atrizes se apresentaram muito bem na série. Não tem como não destacar Quincy Isaiah, que faz sua estreia no protagonismo de um show e já nos presenteia com um Magic Johnson espetacular. Olhando imagens de arquivo é incrível como Quincy conseguiu incorporar não só fisicamente, mas todos os trejeitos, modos e falas do Magic. Jason Segel, famoso por seus papéis em comédia, também se destaca com o papel dramático de Paul Westhead. Apesar de não ter gostado tanto da personagem, Hadley Robinson também nos entrega uma ótima atuação de uma Jeanie Buss, que começa toda inocente e sonhadora, e termina como uma mulher decidida a conquistar seu lugar.

Levando a série para o ponto de vista de um show que retrata acontecimentos reais, foi alvo de grandes polêmicas. Não tendo ninguém da época na produção, a série resolveu se blindar colocando um aviso de “Essa é uma dramatização de certos eventos e fatos. Alguns dos nomes foram modificados. E alguns eventos e personagens ganharam histórias fictícias com objetivo de dramatização.” no final de cada episódio. Mesmo assim, várias dessas alterações incomodaram, não só os personagens em questão, como fãs e simpatizantes da NBA.

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A série faz de alterações pequenas, como placares de jogos para trazer uma maior carga dramática, até a inserção da filha do Jerry Buss, Jeanie Buss, que só foi se envolver com a franquia décadas depois, após se formar no curso de administração e passar por outras experiências. Mas de longe, o que mais incomodou foi a representação dos personagens.

O astro e protagonista, Magic Johnson, já havia dito que não iria assistir a série por não ter ninguém da ‘Dinastia Lakers’ envolvida na produção. O outro grande astro, Kareem Abdul-Jabbar, fez um texto sobre a série em seu blog criticando as alterações de personalidades feitas pela série. E o caso mais emblemático foi o de Jerry West, que pediu à Warner uma retratação legal pela representação do ex-jogador.

Uma carta assinada por West e seus advogados diz que “Lakers: Hora de Vencer retrata de maneira falsa e cruel um Jerry West descontrolável e alcoólatra” e “Isso não tem qualquer semelhança com a pessoa real e tem causado sofrimento em West e na família dele”.

A HBO respondeu às provocações de Jerry com uma declaração dizendo que “Winning Time não é um documentário e não foi apresentado como tal. No entanto, a série e suas representações são baseadas em extensas pesquisas factuais e confiáveis, e a HBO está resolutamente por trás de nossos talentosos criadores e elenco que trouxeram uma dramatização deste capítulo épico na história do basquete para a tela.“

Apesar de toda a polêmica, Lakers: Hora de Vencer teve uma boa recepção da crítica e já foi renovada para uma segunda temporada. A série consegue construir um bom show divertido e excêntrico, fazendo um espetáculo da realidade.

NOTA: 4/5

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Autor do Post:

Hector Sousa

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Sergipano. Bacharel em Cinema e Audiovisual. Cineasta, podcaster e improvisador. Escreve para Tribernna sobre cultura pop. Amante daquele pagodinho e fã do Miles Morales.

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