CRÍTICA | O Som da Magia traz uma jornada emocional intensa e mágica

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Com  Ji Chang-Wook, Choi Sung-eun e Hwang In-Yeop no elenco, a Netflix lançou na última sexta (06) O Som da Magia. O k-drama musical aborda com delicadeza o impacto da sociedade na formação dos jovens, principalmente no âmbito familiar, como suas escolhas e seus sonhos em tão pouca idade podem moldar sua história para sempre.

Adaptado da webtoon de mesmo nome, o k-drama conta a história de Yoon Ah-yi (Choi Sung-eun), uma jovem no colegial que tem a responsabilidade de cuidar de sua irmã mais nova, já que não sabe do paradeiro dos seus pais. No entanto, mesmo com todas as dificuldades, Ah-yi está entre as melhores alunas de sua classe. Sua única competição é o aluno superdotado Na Il Deung (Hwang In-Yeop), um garoto inteligente, rico mas cheio de frustrações. Tudo muda quando ela conhece o mágico Lee Eul (Ji Chang-wook), que tem o poder de resgatar o que ela achou que já havia perdido: sua felicidade.

Durante 06 episódios de mais de uma hora de duração cada, O Som da Magia constrói uma narrativa com base em padrões da sociedade, com intuito de criticá-los e nos fazer indagar sobre todos os pré-conceitos que nos é imposto. A magia é posta à prova em diversos momentos e nos deixa questionando se tudo aquilo é real ou não, o que faz com que o drama seja tão interessante e complexo. Porque, por um lado, se vermos magia de modo mais superficial da realidade tudo soaria fantasioso (por mais lindo que seja), mas se a magia é uma ferramenta que impulsiona a personagem a ver algo que ainda não conseguia, se torna uma história mais densa e profunda.

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Destaque ao episódio final, na seguinte fala: “Você é um mágico de verdade. Porque me fez acreditar em magia de verdade”. No episódio que encerra essa jornada emocional, a trama deixa claro que na verdade não importa se eram truques ou magia, porque o efeito do mágico na vida de Ah-yi foi real. E no fim, isso que importa.

O k-drama é quase uma sessão de terapia para a protagonista, que tem seus sentimentos e traumas expostos em toda sua verdade nua e crua. Sua dor fica mais palpável conforme a história progride, ao ponto de nos abalar em diálogos como esse: “Às vezes, há despedidas mais difíceis de aceitar do que a morte, pra mim era menos doloroso acreditar que ela estava morta, do que admitir que ela me abandonou”. 

A solidão, a tristeza, o abandono emocional, a responsabilidade em ombros tão jovens recaem de formas distintas na vida dos dois protagonistas, de formas diferentes. A narrativa consegue desenvolver de modo que seus receios e dores se encontrem em suas similaridades. A magia nessa história acaba sendo uma espécie de muleta emocional, disposta ali para ajudar no amadurecimento dos personagens.

O drama ainda consegue achar uma brecha para construir um suspense, que não agrega muito na história principal, mas alimenta a curiosidade e prende atenção do espectador. Acaba que no fim vira um ótimo artificio para nos fazer conhecer mais do misterioso mágico com seu misterioso e trágico passado. 

Choi Sung-eun brilha em literalmente todos os momentos que aparece em tela, seja cantando, dançando ou atuando, a atriz dá um show e consegue mostrar todo seu potencial dramático em uma história com um peso emocional que necessitava de alguém a altura. Ji Chang-Wook transporta tantos sentimentos, tantas histórias em um só personagem e transforma em um espetáculo mágico. Seu desempenho é louvável, é emocionante vê-lo em tela e impossível não vibrar a cada minuto. No entanto, Hwang In-Yeop acaba ficando de escanteio, comparado aos outros dois. Apesar de ter um episódio de destaque, esse não foi um dos seus melhores trabalhos. Talvez seja culpa da comparação inevitável com Choi e Ji, que faz acender esse sentimento de que ele ficou no “quase lá”.

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Quanto ao musical, se alguém disser que O Som da Magia deixou a desejar, ignore-o! O k-drama consegue estabelecer um ritmo próprio, consegue agradar aqueles que já são fãs do gênero e conquistar quem ainda não tinha o hábito. As músicas são pontuais e reforçam sentimentos do momento, nos fazem conhecer mais dos personagens e captam a magia em sua melhor essência. Toda fotografia que a cerca é surreal, cinematográfica! As coreografias são a cereja no topo de um bolo extravagante, no melhor sentido da palavra. 

Vou deixar aqui em baixo a minha faixa favorita dentre as 12. Além de toda composição visual, que é de tirar o fôlego, a letra transmite a real intenção do k-drama: resgatar o que foi perdido, recuperar a felicidade, a esperança, aquele brilho no olhar que a protagonista não via desde do seu abandono maternal. 

O Som da Magia é um daqueles dramas que vai fazer você pensar e pensar nele por dias ou semanas. Não é uma história fácil de ser digerida, nem vai ser o favorito de todos. Mas, garanto que, se você der uma chance, de coração aberto, disposto a mergulhar na magia da história… ela vai te acertar em cheio, porque ela tem esse poder. O drama consegue ser identificável em diversos níveis, ele alcança seu íntimo, te deixa exposto e te faz, inevitavelmente, derramar muitas lágrimas.

Nota: 5/5

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Autor do Post:

Ludmilla Maia

administrator

26 anos. Criadora e uma das fundadoras da Tribernna, escrevo pra internet desde 2016. Amo podcast como amo cultura asiática e heróis. Nas horas vagas, concurseira e bacharel em direito.

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